NBA oferece a jogadores anel que pode vir a identificar Covid-19

Dispositivo de US$ 299 foi projetado para monitorar sono, pulsação, movimentação, atividade cardíaca e temperatura corporal

Gisela Crespo and Maggie Fox, da CNN
22 de junho de 2020 às 08:20 | Atualizado 22 de junho de 2020 às 08:39
O anel da Oura, de US$ 299, foi projetado para monitorar sono, pulsação, movimentação, atividade cardíaca e temperatura corporal
Foto: Oura Ring

A National Basketball Association (NBA) – principal liga de basquete da América do Norte –, que espera retomar a temporada no dia 30 de julho, anunciou que está oferecendo aos jogadores um anel que, segundo os criadores, pode rastrear dados de saúde do usuário e antecipar se ele está prestes a apresentar sintomas do novo coronavírus. Mas ainda não há muitas informações sobre como o dispositivo funciona.

O anel da Oura, de US$ 299, foi projetado para monitorar sono, pulsação, movimentação, atividade cardíaca e temperatura corporal, segundo o site da empresa que desenvolveu o produto. Alguns médicos estão cautelosos com relação ao potencial da peça.

“Não há muitos dados no momento. Vi alguns estudos, a maioria deles publicados pela fabricante do dispositivo”, disse Darria Long, médica do setor de emergências e professora assistente na Universidade do Tennessee, à CNN. Outros médicos contatados afirmaram que há pouca informação sólida sobre o produto para poderem comentar a respeito.

Dados confiáveis?

O anel é um entre seis aparelhos portáteis que estão sendo estudados para verificar se podem detectar os sutis sintomas da infecção pela Covid-19.

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Uma equipe do instituto de pesquisa Scripps está analisando o potencial do Apple Watch, além dos aparelhos da Fitbits, Garmin, Oura e outras marcas para ver se eles podem monitorar de forma precisa temperatura, batimentos cardíacos, sono e movimentos diários de uma pessoa, e usar as mudanças nesses dados para identificar o início de uma infecção.

Com sede na Finlândia, a Oura está financiando pesquisas na Universidade da Califórnia em São Francisco e na Universidade da Virgínia Ocidental, para ver se o anel pode fornecer dados úteis.

Poucas evidências sugerem que a pulsação e a temperatura podem mudar antes que as pessoas comecem a notar os sintomas de infecções, como gripe. Um estudo publicado há poucos meses mostrou que o dispositivo da empresa Fitbit captou dados de sono e batimento cardíaco de cerca de 200 mil pessoas, e eles mostraram que as mudanças nesses dados pareciam sincronizadas com a epidemia de gripe sazonal.

Long disse que o potencial para estudar grandes grupos de pessoas para ver se há dados úteis a serem coletados é interessante. “Mas ele não substitui nenhuma das outras coisas que deveríamos fazer e outros passos que a NBA deveria seguir em termos de proteção aos jogadores e aos funcionários.”

Segundo a médica, “não podemos deixar que isso nos dê uma falsa sensação de segurança”. “Não deixe de usar as máscaras porque seu anel da Oura diz que você está bem. Não deixem de fazer o teste [para diagnosticar Covid-19] porque os anéis da Oura de todos dizem que eles estão bem.”

Fabricantes precisam provar precisão

As fabricantes desses dispositivos precisam, primeiro, provar que seus produtos podem medir de maneira precisa e reportar dados como temperatura e batimentos cardíacos de uma pessoa. Relógios inteligentes (smartwatches) têm trabalhado para resolver essa questão há anos. Não é fácil monitorar o batimento cardíaco de um ponto na superfície do pulso. Tentar fazer essa medição através de um anel é um jeito novo e ainda menos testado.

Em seguida, as fabricantes devem mostrar que essas informações podem detectar, precisamente, uma infecção. “Não podemos usar [esses dispositivos] para dar uma falsa sensação de segurança. Precisamos pensar nisso como dados e ideias em pesquisa no momento.”

O anel da Oura ainda não recebeu aprovação da Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, em inglês) para monitorar dados de saúde. Em 2018, a agência aprovou dois aplicativos da Apple para monitorar fibrilação arterial (irregularidade comum do ritmo cardíaco que pode levar a um acidente vascular cerebral), além de batimentos muito lentos ou muito rápidos.

Os protocolos da saúde e segurança da NBA mencionam o anel, mas dizem pouco a respeito de sua utilização. “Para promover os esforços de identificar potenciais doenças, na chegada ao campus, cada jogador e funcionário essencial da equipe terá a opção de participar do processo que usa um dispositivo portátil (usado como um anel), que está sendo estudado e validado pela Universidade de Michigan, para gerar uma avaliação de bem-estar derivada de métricas como temperatura corporal e taxas de respiração e batimento cardíaco. A NBA vai compartilhar mais detalhes sobre o dispositivo e o processo de participação em um memorando que será enviado em breve às equipes”, segundo os protocolos.

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês.)