Racismo e homofobia aumentaram no futebol em 2020, diz pesquisa britânica


George Ramsay, da CNN
03 de setembro de 2020 às 16:04 | Atualizado 03 de setembro de 2020 às 16:05
Wilfried Zaha, atacante do clube inglês Crystal Palace

Wilfried Zaha, atacante do clube inglês Crystal Palace, não usa mais o Instagram devido ao número de mensagens racistas que recebe

Foto: Andrew Couldridge - 1.set.2020/ Reuters

Houve um aumento acentuado nos níveis de discriminação no futebol britânico, de acordo com o grupo anti-racismo Kick It Out.

Uma nova avaliação divulgada nesta quinta-feira (3) diz que houve um aumento de 42% nas denúncias de discriminação durante a temporada 2019/20 na Inglaterra e em Gales, tanto a nível profissional quanto em categorias de base, passando de 313 para 446.

Isso inclui um aumento de 53% nas denúncias de abuso racial e de 95% nas denúncias de abuso com base na orientação sexual.

"Este ano, a pandemia e a morte de George Floyd viraram o mundo de pernas para o ar. O futebol respondeu positivamente com os clubes aumentando seu trabalho na comunidade e com os jogadores simbolizando a demanda por maior igualdade de oportunidades, ao se ajoelharem", disse Sanjay Bhandari, diretor do Kick It Out.

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"Mas, abaixo da superfície, o ódio e a divisão na sociedade continuam a ser uma ameaça perniciosa à espreita”, completou.

"Nossos relatórios indicam um aumento acentuado nos relatos de discriminação nos últimos dois anos, que refletem as estatísticas de crimes de ódio do Ministério do Interior (do Reino Unido), que mostram aumentos nacionais marcantes nos últimos quatro anos."

'Campo de batalha do ódio'

Bhandari acrescentou que as redes sociais podem ser um "campo de batalha do ódio", especialmente porque os fãs estão longe dos estádios em meio à pandemia de Covid-19.

No início deste ano, o atacante do Crystal Palace Wilfried Zaha falou sobre abusos nas redes sociais, dizendo à CNN que está "com medo" de abrir o Instagram devido ao número de mensagens racistas que recebe.

O relatório observou, no entanto, que a Kick It Out viu uma redução nas reclamações relacionadas a abusos nas redes sociais, o que se acredita refletir o aumento da conscientização do público em relatar abusos diretamente às empresas de mídia social.

A organização realizou separadamente uma pesquisa YouGov com 1 mil torcedores, revelando que 39% dos entrevistados testemunharam ou ouviram um ato de discriminação no ano passado, enquanto 14% testemunharam abuso na semana passada.

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Na mesma pesquisa, 30% afirmaram ter testemunhado comentários ou gritos racistas entre janeiro e dezembro de 2019, e 32% disseram ter testemunhado comentários homofóbicos durante esse período.

"Como nossa pesquisa também confirma, sabemos que os relatórios do Kick It Out são apenas a ponta do iceberg", disse Bhandari.

"Nós apenas retratamos o que é relatado para nós. Não há uma visão única de todo o futebol. Precisamos agregar os dados do Kick It Out, dos clubes, de órgãos de aplicação da lei, órgãos governamentais para que tenhamos uma visão completa para termos uma chance maior de encontrarmos soluções melhores juntos”, afirmou.

"Instamos essas organizações a compartilhar dados para criar melhores percepções."

O movimento Black Lives Matter foi apoiado pela Premier League quando as partidas foram reiniciadas, com jogadores, técnicos e dirigentes ajoelhando-se antes dos jogos. Além disso, a inscrição Black Lives Matter estava presente na parte de trás das camisas.

No entanto, houve resistência a essa demonstração de apoio de alguns torcedores.

Uma faixa do White Lives Matter foi hasteada no Estádio Etihad por um torcedor do Burnley antes do jogo contra o Manchester City. O ato foi amplamente condenado pelo clube e pelos jogadores e dirigentes do Burnley.

O futebol será retomado no Reino Unido em 12 de setembro, com um início atrasado da temporada 2020/21 devido ao vários meses de interrupção na temporada passada.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)