Olimpíada de Tóquio: Vacina não será obrigatória para atletas, diz COI

Comitê Olímpico Internacional atualizou a cartilha com regras de segurança sanitária contra Covid-19

Iara Oliveira, da CNN, em São Paulo
28 de abril de 2021 às 12:49 | Atualizado 28 de abril de 2021 às 13:10

O Comitê Olímpico Internacional (COI) atualizou a cartilha com regras de segurança sanitária contra Covid-19 para os atletas e delegações que vão participar das Olimpíada de Tóquio, que começa em julho. 

Nas novas orientações, está determinado que a vacinação de atletas não será obrigatória, já que as campanhas de imunização divergem em diferentes países. Porém, os participantes serão testados diariamente para o novo coronavírus.

O uso de máscaras em treinos, competições e refeições será obrigatório. O COI também orienta que os esportistas evitem transportes públicos e contatos externos, e utilizem aplicativo para rastreamento de contatos para monitorar possíveis infecções pelo coronavírus.

A pandemia mudou as expectativas para as Olimpíadas de Tóquio e COI anuncia novas regras para atletas
Foto: REUTERS/Issei Kato

O COI está lançando esporadicamente os manuais de enfrentamento da Covid-19 no evento, com regras específicas para os diferentes grupos de participantes: atletas, imprensa, funcionários, entre outros. Em fevereiro, foi lançado um primeiro manual com orientações gerais.

Aplaudir os atletas em detrimento de gritar na torcida, preenchimento de um plano de atividades previstas para o período da competição e manter-se a pelo menos um metro de distância de outras pessoas, são algumas das recomendações presentes nos documentos.

No caso das Paralimpíadas, a instrução de manter-se ao menos a um metro de distância de outros indivíduos é revogada para pessoas que precisam de assistência constante e a retirada das máscaras é permitida caso seja necessário se comunicar com alguém que depende da leitura labial para o entendimento.

"As medidas detalhadas nos manuais são baseadas na ciência, se beneficiando de conhecimentos acumulados durante a evolução da pandemia da Covid-19. Em adição a implementar as ferramentas mais efetivas sendo aplicadas na sociedade — como testagem, uso de máscara, higiene pessoal e distanciamento físico —, eles também foram desenhados a partir da experiência vista em centenas de eventos esportivos no mundo, que foram bem sucedidos na biossegurança, com risco mínimo para os participantes e a população local", afirmou o COI em declaração.

Adiamento e a pandemia

Cruzamento movimentado na cidade de Tóquio.
Foto: Divulgação

As Olimpíadas de Tóquio enfrentam diversas dificuldades para sua realização. A primeira delas foi um adiamento de um ano por conta da pandemia, o que representou um enorme desafio logístico e estratégico.

Além disso, foi necessário criar padrões rigorosos de biossegurança para viabilizar as Olimpíadas sem colocar os participantes em risco de infecção. 

A expectativa inical do adiamento era que a pandemia estivesse menos ativa e a vacinação estivesse avançada, o que não é o caso atualmente. A imunização no Japão está defasada em relação aos planos traçados, e isto preocupa participantes e atletas — em 14 de abril, os dados mostravam que o país havia vacinado menos de 1% da popuação.

A chegada de pessoas do mundo todo, incluindo países onde a pandemia continua em alta, como o Brasil, preocupa os japoneses — que também vêem o aumento de casos em seu país. Tóquio, sede dos Jogos Olímpicos, Osaka, Kyoto e Hyogo estarão em estado de emergência até 11 de maio, período muito mais curto do que as determinações anteriores, que duraram entre 7 e 10 semanas.

Uma pesquisa da Kyodo News revelou que cerca de 70% da população japonesa é a favor do adiamento ou cancelamento das Olimpíadas. A possibilidade, por enquanto, é descartada pela maioria das autoridades japonesas e pelo COI.

"Tóquio e o Japão aceitaram o desafio sem precedentes de organizar os primeiros Jogos Olímpicos e Paralímpicos adiados na história. Agradecemos a eles por seu incrível trabalho a este respeito e, como parceiros, entendemos a grande responsabilidade que todos que comparecerem aos Jogos de aceitar [as regras] para que a população japonesa permaneça segura. É por isso que criamos os manuais, baseados na ciência e com a melhor assistência média e de eventos que está disponível", disse o presidente do COI, Thomas Bach, sobre o assunto e os manuais.