Em ano de pandemia, faturamento dos clubes da elite cai 9% em média

Queda na receita com bilheteria, sócio-torcedor e patrocínio impactam na receita dos times da Série A

Adalberto Leister Filho, da CNN em São Paulo
04 de maio de 2021 às 05:00
Gerson, do Flamengo, durante partida contra o Bahia no estádio Maracanã
Gerson, do Flamengo, durante partida contra o Bahia no estádio Maracanã
Foto: Jorge Rodrigues/Agif/Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo

Os clubes da elite do Brasileirão tiveram queda de arrecadação em média de 9% em 2020, ano em que a pandemia de Covid-19 obrigou os estádios a fecharem e o futebol a ser paralisado durante meses, gerando impacto direto no faturamento dos times.

A perda é de mais de R$ 500 milhões na comparação entre os anos. No total, 19 times da Série A faturaram R$ 5.671.144 em 2019, montante que caiu para R$ 5.159.891 em 2020.

Os números foram calculados pela consultoria BDO a pedido da CNN, analisando o balanço econômico-financeiro de 19 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. A exceção foi o Sport Recife, que não divulgou seu balanço a tempo de ser incluído no estudo.

“Sem dúvida que a Covid-19 influenciou nesse desempenho financeiro. Em alguns clubes mais do que em outros. Times como Flamengo e Palmeiras levavam milhares de torcedores ao estádio e arrecadavam cerca de R$ 65 milhões por ano com bilheteria. Isso é maior que todo o faturamento do Atlético-GO, 19.º colocado em faturamento entre os times da Série A”, aponta Carlos Aragaki, sócio líder da área de Esporte Total da BDO.

Mas não é só a receita de bilheteria que foi afetada pela pandemia. Os programas de sócio-torcedor também perderam adeptos e, consequentemente, arrecadação. “É difícil manter o sócio-torcedor sem jogo para ir. O cara quer ver jogo. Sem jogo, vai pagar para que?”, questiona Aragaki.

Segundo ele, a menor visibilidade do futebol sem torcida nos estádios também gerou queda nos patrocínios. Mas o problema vai além. Uma das principais fontes de receitas dos clubes brasileiros para fechar as contas no final do ano é a negociação de jogadores. Mas, com o mercado desacelerado, as grandes potências do futebol europeu gastaram menos, o que afeta diretamente o futebol brasileiro.

“A Europa não está pagando o que pagava anteriormente em contratação de jogadores. As receitas que os clubes brasileiros tiveram em anos passados não se repetiram”, afirmou o executivo.

Outro fator que mexeu com as finanças dos clubes foi o adiamento do fim dos campeonatos.

Como Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores da temporada passada só foram encerrados no início de 2021, os clubes deixaram de ter essa verba de premiação no balanço financeiro de 2020.

Isso impacta diretamente quem conquistou esses títulos, casos de Palmeiras (Libertadores e Copa do Brasil) e Flamengo (Campeonato Brasileiro) e de maneira menos forte nos times que chegaram à final, como Santos (Libertadores) e Grêmio (Copa do Brasil) ou que obtiveram boa colocação no Brasileiro, como Internacional, Atlético-MG e São Paulo.

“É lógico que esses clubes receberam as verbas anteriores, referente a avanços de fase na Libertadores e Copa do Brasil, mas a premiação pelo título só entrará no balanço de 2021”, explica Aragaki.

Como tem sido recorrente nos anos anteriores, Flamengo e Palmeiras se mantiveram no topo entre os clubes que mais arrecadam no futebol brasileiro. A surpresa foi o aparecimento do Atlético-MG na segunda posição.

“Mas isso se deve à venda de parcela do Shopping Diamond Mall”, diz Aragaki, lembrando a negociação de 50,1% do empreendimento, que pertencia integralmente ao Atlético-MG, por R$ 250 milhões.

Com impacto dessa negociação, realizada no início do ano, ainda antes da pandemia, o Atlético-MG chegou a um faturamento de mais de R$ 622 milhões, o que representou aumento de 76% nas receitas, mesmo no ano da pandemia.

O Flamengo novamente liderou a lista, com receitas de R$ 668 milhões, enquanto o Palmeiras ocupou a terceira posição, com arrecadação de R$ 532 milhões.

“O Flamengo teve queda de 30% nas receitas. Se não fosse a Covid-19, o clube fatalmente chegaria a R$ 1 bilhão de faturamento”, lembra Aragaki, considerando que, em 2019, o Flamengo havia arrecadado R$ 950 milhões.

Receitas dos clubes brasileiros em 2020 (em milhões de reais)

1-Flamengo: 668,613

2-Atlético-MG: 622,276

3-Palmeiras: 532,419

4-Corithians: 474,301

5-Grêmio: 384,521

6-São Paulo: 364,632

7-Athletico: 328,928

8-Internacional: 281,248

9-Santos: 239,802

10-Fluminense: 194,308

11-Vasco: 191,709

12-Botafogo: 161,080

13-RB Bragantino: 159,684

14-Bahia: 130,618

15-Coritiba: 106,795

16-Ceará: 97,306

17-Goiás: 90,341

18-Fortaleza: 80,070

19-Atlético-GO: 51,240

Obs: O Sport Recife não publicou o balanço a tempo de entrar neste estudo.