Com investimentos, Atlético-MG quebra jejum e é campeão brasileiro após 50 anos

Clube mineiro conquista o segundo título nacional com Cuca de volta ao comando técnico e Hulk artilheiro

Leandro Silveiracolaboração para a CNN

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O maior jejum entre os clubes brasileiros campeões nacionais terminou.

Com uma virada incrível, o Atlético-MG venceu o Bahia, por 3 a 2, na Fonte Nova, em Salvador, nesta quinta-feira (2) e conquistou o seu segundo título do Brasileirão, encerrando uma espera de 50 anos da sua torcida. Tudo, graças a um elenco reforçado e mantido a partir de altos investimentos, ao retorno de um técnico de trajetória vencedora pela equipe e a uma campanha avassaladora como mandante.

A conquista, fora de casa, veio em um jogo emocionante e com todos os cinco gols no segundo tempo. O Bahia abriu 2 a 0, com gols de Gilberto e Luiz Otávio, mas o Atlético-MG conseguiu a virada em apenas cinco minutos. Hulk iniciou a reação aos 27, com um gol de pênalti. E Keno, duas vezes, aos 28 e aos 32 minutos, em chutes da entrada da área, assegurou o título antecipadamente ao decretar a virada para 3 a 2.

Muito superior aos adversários no Brasileirão, o Atlético-MG somou 81 pontos em 36 jogos e já não pode mais ser alcançado por qualquer adversário, pois o rival mais próximo, o Flamengo, está com 70 e só tem mais três compromissos pela frente.

O Atlético-MG se consagra campeão antecipadamente tendo a defesa menos vazada da competição, com 27 gols sofridos, o artilheiro do torneio, Hulk, com 18 gols marcados, a melhor campanha do turno, com 42 pontos, a liderança do segundo, com 39, e, disparado, o melhor desempenho como mandante, com 49 pontos em 54 possíveis.

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Um desempenho que fez o time assumir a liderança na 15ª rodada e não largá-la mais, para ser campeão brasileiro pela primeira vez desde 1971. Um fim na longa era do “quase”: o Galo foi cinco vezes vice e em outros 12 campeonatos ficou entre os quatro melhores. Dessa vez, porém, pareceu não faltar nada ao agora bicampeão brasileiro.

Estrela dos times finalistas em 1977, quando foi o artilheiro do Brasileirão, e 1980, quando marcou os três gols do time nos dois jogos com o Flamengo, Reinaldo ainda reverbera a dor das derrotas para celebrar a nova conquista, agora como torcedor.

“O Atlético é um time de luta e agora está surpreendendo a todos por sua força e dimensão”, disse Reinaldo à CNN. “Foi prejudicado várias vezes por pressão, por forças externas e políticas. Agora, com a justiça esportiva e um grande time, está corrigindo essa história”, afirma.

O time vitorioso começou a ser montado fora de campo, ainda em 2020, especialmente no segundo trimestre, com altos investimentos, viabilizados por empresários mineiros que há décadas atuam no clube – a família Menin, com o pai Rubens e seu filho, Rafael; Ricardo Guimarães; e Renato Salvador.

Fundador e presidente do conselho da MRV Engenharia, o empresário Rubens Menin também é controlador do Banco Inter, da Log Commercial Properties e da CNN Brasil. Ricardo Guimarães é CEO e acionista do BMG. A família Salvador é proprietária da rede hospitalar Mater Dei.

Hoje com 35 anos, o atacante, até então mais conhecido do torcedor brasileiro por sua participação modesta na Copa do Mundo de 2014, encontrou um clube no país para ser idolatrado. Hulk é o artilheiro do Brasileirão e, mesmo veterano, tem demonstrado vigor físico e pontaria certeira. E isso em uma temporada em que já atuou 65 vezes pelo Atlético-MG, só menos do que o goleiro titular, Everson.

“O time tem jogadores no apogeu da forma técnica, como o Hulk. A gente não o conhecia tão bem. Achava que era apenas um jogador forte. Mas ele tem técnica, é inteligente, habilidoso, joga para o time e faz várias funções. Mesmo com 35 anos, viu essa possibilidade de ganhar o título brasileiro e se transformou em um super-herói do Atlético. Está conduzindo o clube a levantar a taça”, elogia Reinaldo.

Além dos reforços de peso, outra característica rara, que ajuda a explicar o fim do jejum atleticano é a manutenção de uma base. Mesmo que o futebol brasileiro seja um mercado tradicionalmente exportador, o clube não perdeu nenhum titular de 2020 para 2021. E ainda usou melhor suas peças, como o zagueiro Nathan Silva, resgatado de um empréstimo ao Atlético-GO para se tornar titular do sistema defensivo durante o Brasileirão.

O mérito para isso passa pelo comando técnico. Campeão da Libertadores de 2013 pelo Atlético-MG e vice do Brasileirão de 2012, Cuca retornou ao clube em março. Agora, repete o feito alcançado por Telê Santana, técnico que mais vezes dirigiu o clube, e reforça a discussão sobre o nome do maior treinador da história da equipe.

Para elevar seu status, Cuca teve o mérito de saber lidar e moldar um elenco com muitas opções, o que provocou mudanças no time-base ao longo da campanha: Savarino perdeu espaço para a ascensão de Keno; Nacho se tornou reserva de luxo na reta final, quando Diego Costa despontou; e Réver manteve a aura de capitão ao ser um reserva bastante acionado. Também não faltam jogadores de seleções em campo, como Guilherme Arana, Vargas e Junior Alonso.

“É um time experiente, de grandes craques, com ótima condição física. Como tudo evoluiu, o profissionalismo também evoluiu. Um time focado, com disposição para entregar o bicampeonato. E tem o Cuca. O típico técnico brasileiro que joga para frente, monta times ofensivos, que buscam a vitória. Claro que sabe se defender, mas ele nunca fez um time retranqueiro”, argumenta Reinaldo.

Nem tudo, claro, foi festa. Desde a chegada de Cuca, o Atlético-MG teve alguns tropeços e atuações irregulares, mas conquistou o título estadual. Hoje, o início claudicante no Nacional quase não é mais lembrado – foram três derrotas e um empate, com a lanterna Chapecoense, nas sete rodadas iniciais.

Mas veio a reação. Nos 29 jogos seguintes, o time ganhou 22, empatou cinco e perdeu apenas dois. Além disso, assumiu a liderança em meio a uma série de nove vitórias, ainda no primeiro turno. E soube lidar com as frustrações, como a queda na semifinal da Libertadores e a derrota para o vice-líder Flamengo no Maracanã, vencendo os compromissos seguintes.

“Nada é fácil na vida da gente, você precisa lidar com as quedas, com os problemas internos. Eu tenho sete gringos no elenco e precisei conhecer todos antes de usá-los. Deu para tirar um potencial maior de todo o grupo”, diz Cuca.

A campanha também foi embalada pelo desempenho praticamente perfeito em casa. O Atlético-MG venceu as últimas 15 partidas que fez como mandante, uma série recorde na era dos pontos corridos, e acompanhada de perto pelo torcedor. Afinal, desde que a lotação máxima do Mineirão foi liberada, o estádio não recebeu menos de 56 mil pessoas nos jogos do clube.

“O futebol faz justiça. É um grande momento, mágico, estamos saboreando, é o título da melhor equipe, com o melhor jogador do campeonato”, conclui Reinaldo.

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