Comissão de Ética da CBF recebe 4ª denúncia de assédio contra Rogério Caboclo

Outra funcionária relata pelo menos cinco supostos abusos cometidos pelo presidente afastado; Caboclo nega a acusação 

Pedro DuranLucas Janoneda CNN

No Rio

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A Comissão de Ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recebeu, nesta semana, mais uma denúncia de assédio contra o presidente afastado da entidade, Rogério Caboclo.

De acordo com membros da Comissão de Ética, o grupo avalia abrir uma investigação interna para apurar essa nova denúncia, o que pode resultar no quarto processo contra o cartola. Outras duas funcionárias da entidade também o acusam de assédio sexual e um dirigente da CBF afirma que o ex-mandatário praticou assédio moral contra ele. As informações foram confirmadas pela CNN neste domingo (24) com fontes ligadas à Comissão de Ética.

Na nova denúncia que pesa sobre Caboclo, uma funcionária da CBF relata pelo menos cinco episódios de supostos abusos que teriam sido cometidos por ele. Segundo afirma a funcionária, um deles teria acontecido durante um voo internacional em 2019. Na viagem a trabalho, a vítima conta que o presidente sentou ao seu lado e acariciou seu braço inúmeras vezes. A CNN apurou que os relatos também foram encaminhados para a Diretoria de Compliance da CBF. Procurada, a entidade ainda não se manifestou.

Em nota, Rogério Caboclo nega. Ele afirma que “não cometeu crime de assédio contra nenhuma funcionária da entidade” e destaca ainda que o Conselho de Ética da CBF atua de forma parcial, com o intuito de favorecer grupos políticos rivais.

Rogério Caboclo está afastado do cargo de presidente desde junho. Por uma decisão unânime entre os presidentes das federações estaduais, ele teve a primeira punição determinada pela Comissão de Ética confirmada pelos membros da cúpula da entidade. A pena pela acusação de assédio sexual e moral implica em um afastamento até março de 2023. A diferença entre o final da punição e o mandato de Caboclo é de poucos dias, por isso ele ainda não foi afastado em definitivo.

Leia, na íntegra, a nota da defesa de Caboclo:

O presidente da CBF, Rogério Caboclo, não cometeu crime de assédio contra nenhuma funcionária da entidade. E nem mesmo a denunciante narra conduta que configura assédio. Infelizmente, Marco Polo Del Nero e seus comparsas armaram um golpe sem precedentes para retomar o controle do futebol brasileiro.

Esse grupo, que articula na instância administrativa para manter Rogério Caboclo afastado, não aceita o fim dos privilégios e esquemas que perduravam há muito tempo na CBF. O Conselho de Ética, que funciona como um verdadeiro tribunal de exceção, tem atuado com clara parcialidade ao longo do processo de afastamento e todas as decisões tomadas foram ilegais ou nulas, como ficará provado.”

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