Darlan melhora posição, mas fica fora do pódio do arremesso de peso, em quarto

Medalha de ouro ficou com o atual recordista mundial, Ryan Crouser, dos Estados Unidos, que já tinha sido campeão no Rio

Paulo Junior, colaboração para a CNN

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Darlan Romani, que já tinha conseguido a melhor posição do país no arremesso de peso nas Olimpíadas de 2020 em 2016, chegou a Tóquio sonhando com uma medalha, mas acabou terminando a uma posição do pódio, no quarto lugar.

Darlan conseguiu alcançar sua melhor marca na temporada, com 21.88m, mas os medalhistas, como era esperado, superaram os 22 metros. Darlan tem como maior arremesso da carreira os 22.61m de 2019, mas durante a pandemia não conseguiu retomar esse patamar. Ele passou por uma lesão, teve Covid-19 junto com familiares e perdeu a companhia de seu treinador, que não conseguiu retornar de Cuba.

O catarinense de 30 anos recolou o Brasil na elite da disputa em Olimpíadas depois de 80 anos. A delegação brasileira chegou a ter representantes no levantamento do peso em Paris, em 1924, Los Angeles, em 1932, e Berlim, em 1936, mas depois só foi voltar ao principal evento esportivo do mundo há cinco anos, com Darlan.

O americano Ryan Crouser, campeão em 2016 e dono do recorde mundial, sobrou novamente e levou a medalha de ouro com a melhor marca da história dos Jogos Olímpicos, 23.30m. A prata ficou com Joe Kovacs, também dos EUA, com 22.65m. E o bronze com Tomas Walsh, da Nova Zelândia, com 22.47m.

Ciclo difícil para Darlan Romani

No início da pandemia, em 2020, Darlan precisou se virar para seguir a rotina de preparação com o fechamento do centro de treinamento do atletismo em Bragança Paulista, no interior de São Paulo. Para isso, ele contou com a ajuda de um pedreiro para improvisar uma área de arremesso num terreno ao lado de casa, na mesma cidade, e não interromper o trabalho rumo aos Jogos. Também ajeitou uma academia caseira com equipamentos emprestados pela Confederação Brasileira.

Um dos principais nomes do atletismo brasileiro também sofreu com uma lesão nas costas, pegou Covid-19 — ele teve familiares com casos graves da doença — e depois perdeu a companhia de seu treinador, o cubano Justo Navarro, que voltou para seu país nas férias no final do ano e não conseguiu retornar ao Brasil por conta da pandemia. Um ciclo cheio de dúvidas e com poucas competições na reta final, apesar de boa perspectiva para se colocar entre os favoritos ao pódio.

“A história se repete, 2019 [Mundial], Olimpíada [2016]. Os meninos estão de parabéns, os caras são bons e não tem muito o que falar. Foi uma excelente competição. Eu acredito que poderia ter arremessado mais, algo aconteceu, não sei. Agradecer a torcida de todo mundo”, comentou Darlan após a prova em entrevista ao canal Sportv.

“Em março do ano passado a gente vinha treinando forte, entrou a pandemia, a cirurgia, a Covid-19. O Brasil pode ter certeza que mais uma vez eu sou quarto, mas não quero mais isso para minha vida. É um ciclo mais curto e tenha certeza que eu volto para o Brasil para dar 300% para a gente subir no pódio”, completou.

O principal atleta brasileiro da modalidade é decacampeão brasileiro, campeão sul-americano e medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos e no Mundial Militar. Ele foi quarto colocado no Mundial de Doha, em 2019, uma posição acima em relação ao Rio-2016 e com uma marca bem melhor — saltou de 21.02m para 22.53m, o que seria suficiente para ganhar qualquer edição dos Jogos ou dos Mundiais anteriores. Meses antes, na Califórnia, ele fez o maior arremesso de sua vida, chegando a 22.61m para vencer a etapa da Diamond League.

Porém, Darlan chegou ao Japão insatisfeito com suas performances mais recentes, já que não conseguiu superar a casa dos 22 metros em 2020 e 2021. Nas semifinais olímpicas, ele fez 21m31. A projeção por uma medalha seria voltar aos 22.50m na final em Tóquio. 

Campeão quase alcança recorde mundial

O recordista mundial Ryan Crouser, dos Estados Unidos, começou a final de forma impressionante, já estabelecendo um novo recorde olímpico. Seus três primeiros arremessos foram acima da antiga marca dos Jogos, dele próprio, no Rio de Janeiro. Maior candidato ao ouro, ele foi para as três últimas rodadas com 22.93m.

Seu compatriota Joe Kovacs também superou a marca dos 22 metros, assim como Tomas Walsh, da Nova Zelândia. Darlan Romani chegou a ser o terceiro, mas depois se manteve no quarto lugar com os 21.88m da primeira tentativa, sua melhor marca na atual temporada.

Os oito melhores seguiram para mais três arremessos. Crouser ainda melhorou seu desempenho e chegou a 23.30m — sete centímetros abaixo do seu recorde mundial, 23.37m. Kovacs firmou o segundo lugar, e Darlan não conseguiu superar Walsh, ficando mesmo em quarto com 21.88m.

Equipes do Brasil fora das finais no revezamento

A equipe feminina brasileira no revezamento 4x100m tinha expectativa de chegar à final olímpica, mas acabou apenas no 11o lugar nas semifinais e não conseguiu avançar. Foi o melhor tempo da temporada para o time do país, com 43s15, que correu com Bruna Farias, Ana Claudia Lemos, Vitoria Rosa e Rosângela Santos.

“A gente tem consciência que precisa melhorar individualmente, mas de qualquer forma a gente conseguiu fazer uma marca que não vinha fazendo nos últimos três anos. Mas tem que buscar resultados melhores, crescer”, comentou Ana Claudia. “É um balanço positivo, embora o objetivo que era a final a gente não conseguiu chegar. No Rio e em Londres, nós fizemos algumas competições antes dos Jogos. Infelizmente com pandemia dessa vez não foi possível, a gente conseguiu treinar, mas perde um pouco o feeling de prova. Mas estou muito orgulhosa, fizemos o nosso melhor”, completou Rosângela.

Cenário parecido viveu o revezamento 4x100m masculino. O quarteto brasileiro formado por Rodrigo do Nascimento, Felipe Bardi, Derick Silva e Paulo André fez seu melhor tempo no ano, 38s34, mas terminou apenas com o 12o lugar geral e se despediu dos Jogos.

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