Prazer, Olimpíadas! Skate estreia com primeira medalha para o Brasil

Kelvin Hoefler conquista a medalha de prata no skate street, primeiro pódio brasileiro nos Jogos; japonês leva o ouro

Paulo Junior, colaboração para a CNN

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O início da madrugada deste domingo (25) foi histórico para o esporte brasileiro. O skate chegou às Olimpíadas e, sob muita expectativa diante do encontro entre a cultura da modalidade e o ambiente dos Jogos, rendeu a primeira medalha do Brasil em Tóquio, uma prata do paulista Kelvin Hoefler, de 28 anos.

Kelvin é um dos nomes mais regulares do mundo no street, mas não era exatamente o maior favorito ao primeiro lugar. Foi top-5 nos Mundiais de 2018, 2019 e 2021, e chegou candidato a se manter no grupo de cima e brigar por uma medalha, o que se confirmou.

Kelvin Hoefler, medalhista de prata no skate street nas Olimpíadas
Kelvin Hoefler, medalhista de prata no skate street nas Olimpíadas
Foto: Ben Curtis/AP

Depois de ser o quarto melhor colocado na classificação, o brasileiro começou muito bem na final e foi se mantendo na liderança nas primeiras avaliações. Ao fim da quinta de sete notas, ele saiu do pódio, mas na sexta conseguiu assumir o bronze. Na última, ele fez sua melhor manobra e chegou a 36.15, o bastante para firmar a medalha de prata.

A medalha de ouro foi para o japonês Yuto Horigome, que teve quatro notas acima de 9 e fechou com 37.18. O bronze ficou com o americano Jagger Eaton, com 35.35.

Depois de décadas de popularização – os X Games, uma espécie de Olimpíadas dos esportes radicais, teve sua primeira edição em 1995, e no ano seguinte foi um dos temas do encerramento dos Jogos de Atlanta-96 -, o skate finalmente se inseriu no maior encontro esportivo do planeta. Sempre com uma questão: como manter suas características tão próprias?

“Bem-vindos ao nosso mundo”, escreveu nas redes sociais a lenda Tony Hawk, presente em Tóquio como comentarista de TV, assim que a competição teve início. Em entrevista ao site das Olimpíadas, ele chegou a admitir que jamais imaginaria, como uma criança que era tão criticada pelo interesse no skate, que um dia iria vê-lo nos Jogos Olímpicos.

Repercussão

Após o pódio, Kelvin falou às TVs brasileiras e ressaltou muito o apoio da esposa, Ana Paula, com quem falou por telefone durante a disputa. “É meu braço direito, esquerdo, minha perna, tudo. É aquela motivação. Sem a ligação ali, nada teria acontecido”. E também da skatista Pâmela Rosa, que irá competir na noite de domingo. “Ela foi minha técnica. A gente andando de skate precisa ter alguém experiente que está fora, e ela sabe. Kelvin, precisa trocar, Kelvin, toma água, Kelvin, fica na sombra. Me ajudou muito”.

Emocionado, lembrou sua trajetória até os Jogos e disse que sempre gostou de ser uma espécie de coringa. “Eu sempre fui assim, nunca fui favorito, nunca vou ser o favorito”. O agora medalhista olímpico, por fim, fez questão de lembrar dos colegas – “não é só minha, isso aqui é o skate brasileiro” – e reforçar o que é tão marcante nessa modalidade: ter o esporte como um estilo de vida.

“O skate vai continuar sendo o mesmo. Vou sair daqui, andar de skate amanhã, depois de amanhã, ele faz parte de mim, corre nas minhas veias. Não é só competir, é descer uma ladeira, sentir o vento no rosto, a amizade… É uma grande família”.

Competição

No skate street, cada atleta vai sete vezes para a pista, sendo duas voltas e mais cinco manobras. Das sete notas, soma-se as quatro melhores, descartando as três piores.

Brasileiro Gustavo Felipe abriu a competição do skate nas Olimpíadas
Brasileiro Gustavo Felipe abriu a competição do skate nas Olimpíadas
Foto: Ben Curtis/AP

Foram 20 participantes, divididos em quatro baterias de cinco atletas, com os oito melhores seguindo para a final. Eram três brasileiros, mas só Kelvin conseguiu pontuação para continuar.

Na primeira bateria, Gustavo Felipe, que teve o privilégio de inaugurar o esporte nos Jogos, fez uma boa volta inicial, nota 8.49, mas depois errou bastante nas manobras e acabou carregando uma nota distante dos melhores. Ele ficou em 14º na classificação geral com 24.75.

Na última, Giovanni Vianna manteve uma média acima, mas não o suficiente para chegar ao top-8. Ele terminou no 12º, e teve como melhor nota o 7.57 na sua segunda manobra, fechando com um total de 28.15.

Sequência

As quatro disputas do skate têm a mesma programação: as preliminares começam 20h30, e a final fica para às 00h25 ou 00h30 (horários de Brasília). Na noite deste domingo (25) é a vez do street feminino, onde o Brasil é bastante favorito com seu trio – Pâmela Rosa, Rayssa Leal e Letícia Bufoni. A competição park feminina é na noite de terça (Isidora Pacheco, Dora Varella e Yndiara Asp correndo por fora) e a park masculina na noite de quarta (Luiz Francisco, Pedro Barros e Pedro Quintas, com boas chances de pódio para o país).

Giovanni Vianna, brasileiro do skate, nas Olimpíadas
Giovanni Vianna participou da competição do street, terminando em 12º
Foto: Ben Curtis/AP

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