STJD pune Brusque com perda de 3 pontos e multa de R$ 60 mil por caso de racismo

"Vai cortar esse cabelo seu cachopa de abelha", disse Júlio Antônio Petermann, diretor do Brusque, ao meia Celsinho, do Londrina

O jogador Celsinho, do Londrina, foi ofendido com termos racistas em uma partida contra o Brusque
O jogador Celsinho, do Londrina, foi ofendido com termos racistas em uma partida contra o Brusque Gustavo Oliveira/Londrina Esporte Clube

Douglas Portoda CNN

em São Paulo

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O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) puniu o Brusque com a perda de três pontos na Série B do Campeonato Brasileiro e multou o clube em R$ 60 mil após o caso de racismo contra o jogador Celso Luís Honorato Júnior, conhecido como Celsinho, do Londrina.

Na partida entre Brusque e Londrina, válida pela 21ª rodada da Série B, em 28 de agosto, foi anotado pelo árbitro na súmula da partida os termos racistas ouvidos por Celsinho vindos da arquibancada do estádio Augusto Bauer: “vai cortar esse cabelo seu cachopa de abelha”.

Um dia após o ocorrido, o Brusque emitiu uma nota oficial, onde citava o ato como “oportunismo e falsa imputação de um crime”. Após a repercussão do caso, em 30 de agosto, o time catarinense emitiu um novo comunicado, dessa vez pedindo desculpas a Celsinho e afirmando ser “contra qualquer tipo de discriminação”.

O presidente do Conselho Deliberativo do clube, Júlio Antônio Petermann, foi identificado como o autor do ato racista. Ele foi punido pelo STJD com a suspensão de um ano de suas atividades e multado em R$ 30 mil.

“O tom que ele usou foi de raiva, mas o que me incomodou mais foi que ele se sentiu muito confortável em falar isso, como se de fato ele tivesse atingido o que queria, como se fosse algo prazeroso e conseguiu, porque eu fiquei fora de mim”, manifestou Celsinho durante seu depoimento.

Durante o julgamento, o advogado do Brusque, Osvaldo Sestário, defendeu o clube e o dirigente.

“Também louvo a coragem e atitude do Senhor Júlio que poderia negar e não fez. Sei que não é fácil o que o Celsinho passou, mas temos que levar em consideração a conotação que o dirigente quis dar”, disse Sestário.

Entretanto, na mesma nota em que citava o ato racista como oportunismo, o clube afirmava que “nenhum de seus diretores praticou qualquer ato de racismo”.

Celsinho ainda explicou que aconteceu outra ofensa racista. “No início do segundo tempo, quando saímos do banco de reservas para aquecer, foi onde saiu a palavra macaco, isso eu ouvi bem alto e claro. Só não relatei para não apontar uma pessoa errada”, disse.

 

 

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