WTA exige que China investigue denúncia de abuso sexual feita por estrela do tênis

Peng Shuai, jogadora de duplas número um do mundo em 2014, não foi mais vista deste que realizou acusações

Peng Shuai durante sua primeira partida no Open da Austrália, em Melbourne (21 de janeiro de 2020)
Peng Shuai durante sua primeira partida no Open da Austrália, em Melbourne (21 de janeiro de 2020) AP Photo/Andy Brownbill

Da Reuters

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A WTA, Associação de Tênis Feminino, pediu ao governo chinês neste domingo (14) que investigue as acusações de abuso sexual feitas por Peng Shuai contra um ex-vice-premiê chinês, além de exigir o fim da censura à jogadora de tênis.

Peng, uma das maiores estrelas do esporte da China, alegou em sua conta de mídia social do Weibo em 2 de novembro que Zhang Gaoli, que se tornou membro do Comitê Permanente do Politburo, principal órgão de tomada de decisões da China, a coagiu a fazer sexo.

No post, que foi excluído cerca de meia hora depois de ser publicado, a atleta disse que não poderia fornecer nenhuma evidência para apoiar suas alegações.

Procurada pela Reuters, a Associação de Tênis da China não respondeu.

A internet na China é fortemente censurada e a vida privada dos principais líderes é um assunto especialmente delicado. Zhang, agora com 75 anos, foi vice-premier entre 2013 e 2018 e serviu no Comitê Permanente do Politburo entre 2012 e 2017.

As preocupações entre a comunidade global do tênis aumentaram já que Peng não foi mais vista desde a postagem. A WTA disse em um comunicado que buscará uma “investigação completa, justa e transparente sobre as alegações de agressão sexual”.

“Os recentes eventos na China em relação a um jogador da WTA, Peng Shuai, são de grande preocupação”, disse o presidente e CEO da WTA Tour, Steve Simon, em um comunicado.

“Peng Shuai, e todas as mulheres, merecem ser ouvidas, não censuradas. Sua acusação sobre a conduta de um ex-líder chinês envolvendo uma agressão sexual deve ser tratada com a maior seriedade”, completou.

Peng foi a jogadora de duplas número um do mundo em 2014, a primeira jogadora chinesa a alcançar o topo do ranking, depois de vencer os títulos de duplas em Wimbledon em 2013 e Roland Garros em 2014.

A China, o foco da expansão da WTA na última década, sediou nove torneios na temporada de 2019, incluindo as finais de elite WTA, com prêmios milionários.

As finais foram canceladas no ano passado devido à pandemia de Covid-19 e transferidas este ano para Guadalajara, no México. A WTA disse que o torneio voltará a Shenzhen a partir de 2022 e que a cidade chinesa sediará todas as edições até 2030.

“Acho que todo mundo entende perfeitamente o que está em jogo aqui em muitas frentes diferentes enquanto estamos passando por isso”, disse Simon ao New York Times no domingo. “Acho que estamos certamente, dos jogadores à diretoria e ao conselho, totalmente unidos em que a única abordagem aceitável é fazer o que é certo.”

Simon disse ao Times que ninguém no WTA Tour falou diretamente com Peng, mas recebeu garantias da Associação Chinesa de Tênis de que ela está bem.

“Recebemos confirmação de várias fontes, incluindo a Associação Chinesa de Tênis, de que ela está segura e não sob qualquer ameaça física”, disse Simon ao Times.

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