Ninguém queria ir para Brasília após o penta, diz Teixeira sobre visita a FHC


Da CNN Brasil, em São Paulo
14 de março de 2020 às 10:59 | Atualizado 15 de março de 2020 às 18:04

Hoje banido do futebol mundial pela FIFA, o cartola Ricardo Teixeira conviveu bem próximo ao poder nos 23 anos em que chefiou com mãos de ferro a CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, ele relembrou episódios de quando circulava nos gabinetes de Brasília e as tensões que derivavam de suas relações com os presidentes da República. 

Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi o primeiro a despertar a antipatia de Ricardo Teixeira. “O distanciamento foi porque ele não apoiou a Seleção”, disse Teixeira. Segundo ele, durante a Copa de 2002, disputada no Japão e na Coreia do Sul, FHC não telefonou em nenhum momento para os jogadores.

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“Ganhou da Turquia, não mandou ‘parabéns, boa sorte’, nada”, contou o cartola. Como reação, o presidente da CBF decidiu não levar a Seleção a Brasília depois de conquistar o pentacampeonato. “Se ele não queria a Seleção, a Seleção não queria ele. Os jogadores ficaram fabulosamente satisfeitos de não ir”, disse Teixeira. 

Ricardo Teixeira só mudou de ideia depois de conversar com Tasso Jereissati, governador do Ceará na época. “Fomos tomar café e ele disse ‘pô, Ricardo, faz isso, é o presidente’. Ele gosta muito do Fernando Henrique. Depois de duas horas, eu disse ‘tá bom, vou passar’”, disse ele. 

Na definição do cartola, FHC foi “ao menos, imprudente”. Se ele tem uma Seleção Brasileira jogando lá fora, campeonato mundial, o time está subindo, passa para a segunda fase, ele devia ser inteligente: ‘eles podem chegar lá, vou começar a mandar telegrama’”.  

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Com Teixeira à frente da CBF e sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Brasil conseguiu em 2007 o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014. Mas o cartola fica em cima do muro e é econômico nas palavras ao relembrar de sua relação com o petista “Posso dizer nem que era bom e nem que era ruim”. Mas passa logo a falar de Dilma Rousseff: “Essa mulher não existe.” 

Ele nega que a ex-presidente tenha feito algo que o desagradou em particular. “Desagradou ao nosso país, quase faliu”, conta. “Nunca tive relação com ela. Nunca. Ela mentia. Ela dizia que eu pedi entrevista e que ela me negava. Nunca pedi entrevista para ela na vida”, pontuando a distância que tinha da ex-presidente. A lembrança que Teixeira diz ter a respeito de Dilma se resume a uma palavra: “terrível”.