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    Arábia Saudita vai dominar o futebol? Advogado explica onda de contratações

    Marcos Motta, dono do escritório que representa a Liga Árabe no Brasil, diz que movimentação é parte de um projeto mais ambicioso

    Redaçãoda Itatiaia

    Advogado da Bichara e Motta Advogados, escritório que representa a Liga Árabe no Brasil, Marcos Motta participou neste domingo (6) do CNN Esportes S/A e falou sobre a efervescência do futebol da Arábia.

    A ida do astro Cristiano Ronaldo para o Al Nassr foi apenas um dos movimentos desse mercado em expansão. De acordo com o entrevistado, o Projeto 2030 é ambicioso e inclui uma Copa do Mundo no país.

    Leia, a seguir, alguns trechos da entrevista de João Vítor Xavier com Marcos Motta:

    Arábia Saudita como destaque no mundo do futebol

    O mundo experimenta mais uma movimentação migratória dos negócios do futebol, isso não é novidade. Isso já vem há algum tempo. Nós já vimos movimentos no futebol anteriores, como o Japão, na época do Zico, Leonardo e Jorginho. Aquela foi uma vertente, uma migração do futebol para a Ásia.

    Tivemos também o movimento para Rússia e Ucrânia. Tivemos também o movimento para a China. Quem não vai lembrar do mercado chinês, que também levou vários jogadores para lá.

    E agora nós vemos o mercado saudita. Na verdade, o mercado do Oriente Médio já vinha crescendo há algum tempo. Tivemos a Copa do Mundo no Catar. E agora temos a Arábia Saudita, sem dúvidas, despontando como um novo mercado. Fugindo um pouco do eurocentrismo para aquele mercado que tem feito contratações vultosas. Elas, na verdade, fazem parte de um projeto bem mais ambicioso da Arábia Saudita, que eles chamam de projeto visão 20 30, ou seja, até 2030 eles têm planos ambiciosos.

    Não só na área do esporte, mas também no entretenimento. E começa com a reestruturação dos clubes de futebol, mais ou menos uma privatização dos clubes. Um movimento bastante interessante, sólido, robusto e que tem atraído grandes estrelas do futebol mundial.

    Projeto 2030

    Existe uma abertura, um movimento cultural do país. Quem teve a oportunidade de visitar Riad, quem teve oportunidade de visitar a Arábia Saudita há dez anos, vê uma mudança de paradigma, não só na sociedade, é uma geração jovem liderada por um monarca, é um reino. A gente chama de reino da Arábia Saudita. E essa mudança no futebol que vem a rebote.

    Nosso escritório [trabalha com transações e negociações para a Arábia Saudita] já tem experiência muito grande com a Arábia Saudita. Nós advogamos para o grande Al Hilal, que já disputou com o Palmeiras, Real Madrid, passou pelo Flamengo. É um clube tricampeão da Champions League Asiática, maior clube, se não me engano, na Ásia, maior número de títulos.

    Já advogamos para eles. Fizemos Michael, do Flamengo, Cuellar, quando foi para o Al Hilal. Já temos histórico com Arabia Saudita e com a própria Federação Saudita, na liderança do presidente Yasser Al Misehal.

    Com esse movimento todo, fomos convidados a assessorar de alguma forma a parte de governança e integridade da liga. Então temos participado sim de algumas das operações que têm aparecido na imprensa.

    Trata-se, acho, de um projeto bastante ambicioso, mas ao mesmo tempo me parece bastante sólido, com plano de pelo menos seis, sete anos à frente, até 2030.

    Clubes sauditas buscando craques na Europa

    Eu costumo dizer que, dificilmente, em uma outra indústria sem ser a do esporte e do entretenimento, e principalmente o futebol, como carro-chefe, o esporte mais popular do mundo, você encontra três pilares que são absolutamente imbatíveis quando bem alinhados. Pilar cultural, social e econômico.

    Isso vem sendo explorado de maneira bastante extensiva, não só por governos, mas também por fundos de investimentos. O Brasil mesmo experimenta nesse momento um boom, uma leva de investimentos migratórios.

    Como diz, o capital fica levitando pelo mundo em busca de oportunidades. Seja o capital de um fundo, como é na Arábia Saudita, o PIF  (Public Investment Fund), como eles chamam, o fundo local, como teve o fundo dos Emirados, na questão do Manchester City.

    Ou seja, são movimentos migratórios de capital atrás de oportunidades de negócios, e dificilmente você encontra oportunidades nesse momento no mundo como encontra no mundo do futebol.

    Tamanho da Liga Saudita

    Eu sempre digo que, na verdade, nós temos a criação de um novo produto, o produto futebol saudita. A Arábia Saudita já participou de várias Copas do Mundo, vários jogadores brasileiros famosos, inclusive Rivelino, entre outros jogadores da década de 70 atuaram na Liga Saudita. Parreira foi técnico também.

    Ou seja, então, na verdade, o futebol saudita era um futebol teoricamente tradicional na região do Golfo. Mas agora ele procura um novo envelopamento com a atração desses grandes ídolos.

    Claro, a torcida, o produto, o consumo, a audiência procuram o grande ídolo. Vai ser muito interessante ver uma partida do Benzema contra o Cristiano Ronaldo, Koulibaly enfrentando o Firmino, eu estou muito ansioso pra saber o que vai acontecer quando o primeiro jogo ocorrer.

    Projeto apresentado a Cristiano Ronaldo

    Nós participamos desse movimento inicial que foi a ida do Cristiano Ronaldo. É interessante que eu costumo dizer que existe a diferença entre o maior jogador do mundo e o melhor jogador do mundo.

    Cristiano Ronaldo, na minha visão, é o maior jogador da história, o que tem a visão mais holística do mercado. Ele sempre se posicionou, desde quando foi ao Manchester United, Juventus, todas as transferências, ele sempre mudou os eixos da economia do futebol.

    Se reparar, quando ele foi para os galácticos, depois saiu, foi para o Manchester United, foi para a Juventus, você se lembra desse movimento. Ou seja, o Cristiano Ronaldo tem uma visão muito além. Uma visão de negócio. E o futebol há muito tempo deixou de ser apenas uma iniciativa ou um produto apenas sociocultural. Ele hoje é um mercado multibilionário, e o Cristiano Ronaldo enxergou isso.

    Então, quando ele foi para lá, era descrente, “o que o Cristiano vai fazer na Arábia?”, e hoje abriu as portas para todas essas estrelas mundiais que estão migrando para aquela região.

    Diferenças culturais na Arábia Saudita

    Quem teve oportunidade de visitar a Arábia Saudita uma década atrás e visita hoje, vê uma mudança cultural muito clara. Hoje, Riad é uma capital praticamente internacional, tem todos os restaurantes, todas as lojas, as grandes corporações estão lá, as cadeias de hotel.

    Tenho 25 anos de mercado no futebol, trabalho e venho trabalhando com as grandes estrelas do futebol mundial desde lá atrás, com Romário, Bebeto, trabalhamos com todas as grandes estrelas do futebol mundial e as grandes transferências.

    Eu ouso dizer que, na verdade, esses grandes jogadores vivem já em uma bolha de alguma forma, eles não têm uma vida social como nós temos, eles já vivem encastelados de alguma forma.

    Então, para eles, viver em um país que tem uma cultura um pouco diferente, na verdade, eles costumam viver a mesma vida que eles vêm vivendo, porque não é uma vida mundana, uma vida comum, social como todos nós temos. Então não acredito que seja um grande impacto nesse sentido.

    Entrada da Liga Saudita no Brasil

    Na verdade, o que existe ali é um envelopamento novo de um produto. A liga é um veículo de negócio, de conexão com o mundo do esporte e do entretenimento. E óbvio que, quando há atração de todas essas estrelas, o mundo passa a observar o que acontece naquela região.

    A Goat TV, na verdade, é uma ideia desses craques que você citou, entrei ali mais ou menos como um curioso, fui convidado por eles a compor mais como um assessor, um consultor das operações.

    O Antonio Tabet é um grande amigo, o André Barros, o Tavez, o Guilherme Prado, que também é sócio. A ideia da Goat é trazer esses novos produtos para a percepção do grande público com uma linguagem um pouco diferente do que a gente está acostumado. Estou bastante curioso para saber como isso vai se desenvolver.

    Uma nova forma de assistir aos eventos

    O futebol, a maneira como ele é produzido, criado, jogado e consumido mudou. Eu lembro quando era diretor do Flamengo nos anos 1990, eu assistia aos jogos no fosso do antigo Maracanã, com meu radinho de pilha.

    A maneira que os jogos eram transmitidos, que o produto era consumido era completamente diferente. Você sabe que o radinho era meu VAR.

    Como eu ficava no fosso, eu não tinha visão do campo, então quando tinha uma falta na pequena área ou na ponta da área, o meu VAR era o comentarista do radinho dizendo: ‘falta na pequena área’, ali que era o meu VAR. Ou seja, você vê como as coisas vêm mudando, então estou bastante curioso.

    Grandes eventos na Arábia Saudita

    Eu acho que o pontapé inicial foi a Copa do Catar. Acho isso saudável, sair um pouco do eurocentrismo, ter diversificação de mercados, de tipos de produtos. Acho que isso é bom para o futebol. Vamos enfrentar nos próximos anos uma migração de torneios bastante interessantes para aquela região.

    A final (do mundial de clubes) já foi no Marrocos, na África. Neste ano, a final do Mundial de Clubes da FIFA será realizado no Oriente Médio, na Arábia Saudita. E provavelmente ano que vem também, com 32 clubes, já migra para lá.

    Copa do Mundo na Arábia Saudita

    Não tenho como cravar essa informação, mas tudo leva a crer que haverá uma movimentação naquela região para trazer a Copa do Mundo de 2030, depois dos Estados Unidos.

    Brasileiros na Arábia Saudita

    Eu costumo dizer que o mundo não consome futebol brasileiro, o mundo consome o jogador brasileiro e a Seleção Brasileira. Então, se um jogador brasileiro está no Manchester United ou Sevilla, como era o caso do Alex Telles e foi transferido, o Firmino do Liverpool, acho que o brasileiro sempre vai estar em voga.

    E, claro, a Arábia Saudita atraindo os grandes craques, não consigo imaginar aquele mercado sem uma pitada do futebol brasileiro, que tanto atrai a torcida e o público consumidor.


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