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    Conheça o Clube Laguna SAF, o primeiro time de futebol vegano do Brasil

    Ex-jogador vira cartola e transforma o estilo de vida em pioneirismo no futebol brasileiro

    Renan Fiuzada CNN

    O Clube Laguna SAF tem pouco mais de um ano de história, mas já se tornou um pioneiro no futebol brasileiro: é o primeiro time vegano do Brasil.

    Dentro do centro de treinamento, instalado no pequeno município de Tibau do Sul, onde está a paradisíaca Praia de Pipa, não é servido qualquer alimento de origem animal. As refeições — seis por dia — são oferecidas para todos. Funcionários, atletas, comissão técnica… Mesmo para aqueles que não estão trabalhando no momento. Sem custo.

    O cardápio dos atletas foi criado por chefs de cozinha vegana e com suporte da Sociedade Vegetariana Brasileira (SAF), além de nutricionistas e do corpo médico do clube.

    “Acho que os atletas estão tão aprendendo, né? Estão experimentando comidas diferentes e tendo a oportunidade de ter uma alimentação mais saudável, além de ver os benefícios”, explica o treinador do Laguna, Gustavo Nabinger, que chegou a jogar profissionalmente pelo Atlético Clube Corintians, de Caicó-RN.

    Mas, veja bem: ninguém é obrigado a seguir a dieta vegana quando não está nas dependências do clube. Ainda assim, Nabinger garante que alguns jogadores adotaram o novo estilo alimentar, de forma permanente, em suas rotinas.

    O dirigente ressalta que existem vários estudos que compravam os benefícios de uma dieta baseada em plantas. Entre eles, a prevenção de doenças como câncer, diabetes e até Alzheimer. Sem contar, é claro, a parte da preparação física desses jogadores. Segundo Nabinger, os atletas conseguem ter uma recuperação melhor no pós-jogo e um menor índice de lesão muscular.

    “Ano passado, a gente teve o nosso capitão, o Mangabeira (Jean Mangabeira), que hoje está no Náutico. Ele ficou 100% vegano todo o período em que esteve no clube. Até mesmo quando era folga e ele ia para a praia ou em um restaurante, ele mantinha a dieta vegana”, exemplifica Gustavo.

    “Ele vinha de nove meses sem jogar, porque estava retornando de uma lesão. E, para nossa surpresa, foi nosso atleta que mais atuou. Com maior minutagem. Era o nosso atleta referência nos treinamentos: pela intensidade e pelo volume”.

    Inovação como essência

    Fundado em fevereiro de 2022, o clube do Rio Grande do Norte traz no seu DNA a inovação e mira no futebol bonito e sustentável. Jogar bem, focando em trazer de volta o que fez do país uma referência no esporte.

    Quando penso no futebol, eu penso naquela criança que está jogando ali na pelada, na quadra, na rua, com sete, oito anos e que não pensa em fama, em dinheiro, e não está pensando em que tem de vencer. É esse futebol que eu entendo como futebol brasileiro, que eu quero que seja a nossa marca

    Gustavo Nabinger, técnico e sócio do Clube Laguna

    Além de comandar o time da área técnica, Nabinger é também um dos sócios do Laguna, ao lado de Rafael Eschiavi (comercial) e Deia Nabinger (sustentabilidade e novos negócios).

    O trio enxerga o futebol como algo além de um simples jogo e, sim, como um meio de transformação de vidas e sociedade.

    “A gente é um veículo de comunicação para as pessoas e para as empresas que querem se posicionar no mercado, comunicando para o mundo os valores claros”, afirma Nabinger.

    Mas o papo vai além do marketing, e o Laguna também investe no mais importante: o futebol em si. Tanto é que foi a estrela da segunda divisão do Campeonato Potiguar no ano em que foi fundado, em 2022, quando estreou na competição. Quase subiu e terminou em segundo lugar.

    Uniforme rosa

    Um detalhe interessante é o uniforme cor de rosa. Uma cor que, para eles, é neutra e um tanto quanto original.

    Poucos clubes no mundo usam o rosa e, geralmente, a combinação é com preto ou branco. Optamos por combinar com o azul e o verde

    Gustavo Nabinger, técnico e sócio do Laguna

    O Clube Laguna SAF, antes mesmo de nascer, era pensado como uma startup. Foi preciso um ano e meio focados em planos de negócios e estudos de mercado. Os sócios contrataram uma consultoria especializada no universo ESG (environmental, social and governance; ambiental, social e governança, em tradução livre), o que ajudou a elaborar o estatuto do clube.

    Através do futebol, a gente consegue se comunicar com qualquer pessoa, de qualquer origem, etnia e religião. Isso te permite falar sobre qualquer assunto através da bola. As pessoas param e vão te ouvir. Eu acredito que o futebol pode transformar as pessoas

    Gustavo Nabinger

    O Laguna é signatário do pacto global das Nações Unidas, o que o torna o terceiro clube nacional a se comprometer com ações para o desenvolvimento sustentável, além do Coritiba e do São Paulo.

    Parceria com ONGs e maioria feminina entre funcionários

    A SAF é parceira de ONGs voltadas para a preservação ambiental, entre elas uma destinada para a coleta seletiva e o descarte correto do lixo na praia de Pipa. Os jogadores também participam de palestras voltadas ao tema.

    Jogadores do Laguna fazem ação ambiental na praia / Jonathan Holanda/Divulgação

    O momento atual da diretoria é de buscar novos patrocínios, mas sempre voltados aos princípios do clube. Para os funcionários e atletas, são ofertados seguro de vida, sem contar o salário-mínimo pago que, segundo Nabinger, é superior ao do mercado.

    “A maioria dos funcionários que nós temos são mulheres. Descontando, obviamente, os jogadores. Mas a gente pretende ter um futebol feminino futuramente. Ainda não temos condições por uma questão de estrutura física e de orçamento, mas está no nosso escopo”, afirma.

    Alguns projetos sociais já estão nos planos e devem ser implementados em breve em Tibau do Sul. Sem contar que os jogadores, maiores de 18 anos e que não terminaram os estudos, são incentivados a retornarem à escola e isso não é uma obrigação para que possa entrar em campo.

    Meta ambiciosa: a Série A

    A meta do Clube Laguna SAF é ambiciosa: chegar à Série A do Campeonato Brasileiro em 10 anos.

    Para os sócios, alguns exemplos de times, que hoje estão no cenário, servem como modelos. Cuiabá, Chapecoense ou o próprio São Caetano, que saiu da quarta divisão do Campeonato Paulista e chegou à primeira divisão nacional.

    Inclusive, a escolha do estado do Rio Grande do Norte não foi à toa. Para se chegar à elite estadual, na visão da diretoria do clube, o caminho é mais simples do que nos grandes centros. Apesar de sonhar grande, o Laguna mantém os pés no chão e firme com o propósito que é inegociável: o futebol bonito e veganismo.

    “O nosso slogan é alegria de jogar futebol. O que é algo que a gente quer trazer para as pessoas. Que os nossos atletas se divirtam em campo e as pessoas que estão acompanhando, torcendo, assistindo o Laguna, também se divirtam na arquibancada.”