Esporte e turismo concentram maior arrecadação das bets

Crescimento do setor foi de 32,6% no 2º semestre de 2025

Da CNN Brasil
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A regulamentação das plataformas de apostas no Brasil também abriu uma nova frente de arrecadação para o governo federal. Dados do Ministério da Fazenda, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que o setor cresceu 32,6% no segundo semestre de 2025 em comparação com os primeiros seis meses do ano.

No período inicial, o volume apostado foi de R$ 442,8 bilhões. Já na segunda metade do ano, o montante chegou a R$ 587,2 bilhões, um aumento de R$ 144,4 bilhões.

Segundo o levantamento, os segmentos que mais concentraram recursos foram Esporte, com R$ 1,6 bilhão, e turismo, com R$ 1,26 bilhão, somando quase dois terços do total arrecadado com apostas em 2025. Na sequência aparecem Segurança Pública (R$ 597 milhões), Seguridade Social (R$ 416 milhões) e Educação (R$ 412 milhões).

“O setor de apostas esportivas e jogos online vem se consolidando cada vez mais no país, com a criação de novos empregos, significativa arrecadação de impostos e investimentos expressivos no esporte e no entretenimento. Não há dúvidas sobre a relevância do segmento para a economia nacional, trazendo retornos diretos e também indiretos através da arrecadação dos tributos, em uma dinâmica que beneficia várias áreas da sociedade”, afirma Roberto Regianini, EVP da Reals.

Os dados também indicam que as apostas movimentaram mais de R$ 30 bilhões em arrecadação federal em 2025, com base na GGR (Gross Gaming Revenue), que considera o faturamento das casas após o pagamento de prêmios e descontos de Imposto de Renda. Além disso, foram recolhidos mais de R$ 4 bilhões em tributos.

“As empresas de apostas e jogos online vêm consolidando um papel cada vez mais estratégico na economia brasileira. Além da arrecadação relevante em impostos, o setor tem contribuído para a geração de empregos, estimulado cadeias como tecnologia, serviços e marketing e ampliado investimentos no esporte e no entretenimento.

Esse movimento tem permitido que clubes e eventos avancem em estrutura e planejamento por meio dessas parcerias. É uma indústria que vai além da tributação e ajuda a dinamizar a economia.

Com o avanço no combate às operações ilegais, a tendência é de um ambiente mais organizado, favorecendo o crescimento do setor e ampliando os retornos para o país”, afirma Diego Bittencourt, CMO da Start Bet.

Com o mercado regulamentado, o desempenho das apostas em termos de tributos já supera o de setores tradicionais, como educação, comércio varejista e fabricação de máquinas e equipamentos.

"A regulamentação das apostas esportivas garante a presença de empresas sérias do ramo de betting e cria novas oportunidades para atrair o interesse de operadores internacionais, consolidando o Brasil como um um dos mercados mais relevantes do mundo no setor”, diz Leonardo Henrique Roscoe Bessa, consultor do Conselho Federal da OAB e sócio do Betlaw.

"O setor de apostas já é uma realidade consolidada no Brasil, e vem demonstrando um impacto econômico relevante, especialmente por meio da arrecadação de impostos. Parte desses recursos tem sido destinada para áreas como esporte e turismo, mostrando uma contribuição ativa para o desenvolvimento do país.

Ao mesmo tempo, é fundamental que o setor siga avançando em pontos fundamentais, como a prevenção ao jogo problemático, a educação do público sobre as probabilidades de perda e o combate ao mercado clandestino, que opera fora da lei e deixa os apostadores desprotegidos.

O fortalecimento do jogo responsável é essencial para garantir a confiança do público, oferecer mais segurança a quem aposta e construir um ambiente mais saudável e sustentável para todos os envolvidos", acrescenta Daniel Fortune, influenciador digital especialista em bets.

Estudo da LCA Consultores, com apoio do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), estima que o país deixe de arrecadar cerca de R$ 10,8 bilhões por ano devido à atuação de plataformas ilegais. A pesquisa aponta ainda que 61% dos entrevistados já apostaram em sites irregulares em 2025, muitas vezes sem conhecer os riscos.

Outros 78% dizem ter dificuldade em diferenciar plataformas legais das ilegais, enquanto 72% afirmam não conseguir verificar a regularidade dos sites. Além disso, 73% relataram ter utilizado ao menos uma plataforma ilegal ao longo do ano.

"Com apenas um ano desde que a regulamentação das apostas esportivas entrou em vigor, o setor já ganhou densidade, conseguiu se fortalecer, profissionalizou operações e ampliou sua interlocução com governos, entidades esportivas e sociedade civil.

Devemos ficar atentos e, com o apoio de operadores, autoridades e associações, continuar combatendo o mercado ilegal, que atua sem licença, não gera emprego, não paga imposto e não possui políticas de jogo responsável. Quanto mais fortalecermos as empresas regularizadas, mais retorno elas trarão em termos de arrecadação tributária", conclui Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Gaming.

Estimativas do mercado indicam que as operações clandestinas representam cerca de 40% da indústria de apostas no Brasil, patamar elevado em comparação com países mais estruturados, como o Reino Unido, onde a fatia ilegal gira em torno de 13%.

Na Alemanha, estudos apontam cenários distintos: dados da autoridade reguladora GGL indicam que o mercado ilegal pode representar até 4% da receita bruta, enquanto levantamento da Universidade de Leipzig estima que cerca de 49% das apostas online ocorram em operadores sem licença.

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