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"A visão do Flamengo é míope", afirma CEO da LFU sobre polêmica com a Libra

Convidado do CNN Esportes S/A deste domingo (5), Gabriel Lima apoia divisão mais igualitária para crescimento do futebol brasileiro

Manuella Dal Mas, da CNN
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O CEO da Liga Forte União (LFU) criticou veementemente a postura do Flamengo nas negociações dos direitos de transmissão.

Em entrevista ao CNN Esportes S/A deste domingo (5), Gabriel Lima afirmou que a atitude do clube carioca é "muito míope" por focar apenas no ganho imediato, em vez de buscar o desenvolvimento coletivo que poderia gerar um bolo de receitas maior para todos.

Para o CEO, priorizar o crescimento da liga beneficia até mesmo os gigantes.

"A minha torcida é para que se tenha um entendimento que saia da esfera judicial. Porque eu acho que está sendo muito prejudicial para os clubes que precisam receber os seus recursos e ter dinheiro travado por uma discussão, que deveria ser uma discussão interna e não uma discussão nas cortes. Então, eu torço para que isso se resolva da maneira mais rápida possível. Sendo bem honesto, eu acredito que a visão do Flamengo nessa história é muito míope.
Gabriel Lima, CEO da Liga Forte União (LFU)

Lima apresentou argumentos técnicos contra a tese flamenguista de que a maior torcida exige o maior quinhão.

"Primeiro: as ligas que dividem melhor, todas as ligas mais desenvolvidas, dividem melhor para os seus recursos. Então, você dividir melhor significa um crescimento melhor. (...) Para mim é o primeiro argumento: você deveria caminhar numa direção que você divide melhor os recursos. Isso deveria ser o objetivo de todo mundo", refletiu.

Torcida não significa audiência

A crítica se aprofundou ao abordar a Lei do Mandante, que garante a cada clube direito econômico sobre 19 jogos como mandante no Brasileirão.

"O jogo que o time joga fora não pertence economicamente a ele. 19 jogos de 380 no Campeonato Brasileiro (equivale a) 5%. Esses 5% de jogos nunca, em nenhuma hipótese, vai representar mais do que 10 a 12% do total de audiência", explicou.

Por isso, mesmo que o Flamengo esteja focado no lucro, o raciocínio do clube carioca parece não enxergar o panorama completo.

Eu acredito muito que a visão é míope desse processo, que 'porque eu tenho uma torcida maior, eu tenho mais audiência, eu mereço mais recursos' não é verdade. Você pode ter uma torcida maior, e isso não representa a audiência de fato. As coisas são diferentes.
Gabriel Lima, CEO da Liga Forte União (LFU)

Futebol como produto

Lima argumentou que no exterior, a exemplo da Premier League, a divisão mais igualitária possibilita uma melhora geral no esporte.

"A gente tem que olhar como um produto. Produto melhor significa clubes mais fortes, significa mais receita para todos os clubes. E isso vai gerar mais receita para todo mundo. Não é só para os clubes menores, o Flamengo e o Corinthians vão ganhar mais nesse processo", ressaltou.

A conclusão, segundo ele, deve ser a de que o crescimento de times menores fortalece o campeonato.

A lógica é: é melhor você ter um pedaço menor de um bolo maior do que você ter um pedaço grande de um bolo pequeno.
Gabriel Lima, CEO da Liga Forte União (LFU)

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