Casagrande critica Seleção e vê Ancelotti retomando vínculo com a torcida

Comentarista criticou distância entre jogadores, imprensa e torcedores no CNN Esportes S/A deste domingo (16)

Manuella Dal Mas, da CNN Brasil
Compartilhar matéria

Walter Casagrande, ex-jogador e comentarista, participou do CNN Esportes S/A deste domingo (16).

Durante o programa, o ídolo do Corinthians avaliou o impacto dos bastidores da CBF no desempenho da Seleção e afirmou que a equipe perdeu identificação com o público nos últimos anos.

Casagrande afirmou que a equipe deixou de representar o povo brasileiro como no passado.

A Seleção Brasileira foi deixada de lado. Foi deixada de lado, foi perdendo a identidade com o torcedor. O torcedor que é apaixonado pela Seleção Brasileira já começou a não ver a Seleção com tanta importância porque ela não representava mais ele.
Walter Casagrande, ídolo do Corinthians e comentarista esportivo

Ele relacionou essa mudança ao comportamento dos atletas.

“De um tempo para cá, o comportamento dos jogadores mudou. (...) Começou a ter uma ostentação muito grande. Aí o torcedor brasileiro que mora na comunidade, passa dificuldade e vê jogadores ostentando carros, mansões, iates... você não se identifica com aquilo”, explicou.

Casagrande destacou que a questão não envolve o patrimônio dos atletas, mas a imagem que passa ao público.

“A imagem que o jogador tem que passar para o povo brasileiro é que ele se identifica, que ele tá jogando por ele. Então, por que que está um afastamento? Por causa disso”, refletiu.

“Ancelotti está recuperando identificação”

O comentarista afirmou que Carlo Ancelotti tem mudado esse cenário.

O Ancelotti está conseguindo aos pouquinhos recuperar essa identificação, porque com ele os jogadores pararam de fazer esse tipo de comportamento.
Walter Casagrande, ex-jogador

Ele disse que a falta de ídolos formados no Brasil também afeta a conexão com o torcedor.

“Poucos jogadores foram formados aqui. Poucos jogadores saíram daqui ídolos, poucos. Dessa seleção aí, você tem o Endrick, (...) o povo se identifica com o Estevão, (...) o Vitor Roque tá indo agora. (...) Quanto mais jogadores tem numa seleção que o torcedor viu no campo, ele se identifica”, expôs.

Bastidores da CBF

Casagrande citou episódios envolvendo ex-presidentes da confederação e disse que a instabilidade institucional afetou o futebol brasileiro.

“Interfere totalmente (bastidores). Nós temos um presidente que foi preso pelo problema da FIFA. Nós temos um ex-presidente que não pode sair do país, que é o Marco Polo Del Nero. Nós tivemos um presidente afastado por assédio sexual na CBF, que era o Caboclo. (...) O último presidente foi tirado da CBF, o Ednaldo Rodrigues, e entrou agora o Samir”, lembrou.

Segundo ele, a falta de organização refletiu diretamente na Seleção.

É claro que tudo isso interferiu, principalmente no futebol brasileiro. Quando a CBF ou uma instituição está dessa maneira, não dá para você organizar outra coisa (se ela não é organizada). Quem não é organizada não consegue organizar outras coisas.
Walter Casagrande, ídolo do Corinthians

Treinos fechados e distância histórica

Casagrande comparou o cenário atual com sua época de jogador.

“A identificação foi caindo hoje em dia muito por quê? Os treinamentos são fechados. Então, nem os jornalistas têm intimidade com os jogadores”, iniciou.

Ele afirmou que a falta de convivência dificulta a compreensão mútua.

Os jornalistas que cobrem a Seleção Brasileira não sabem como é a personalidade real de cada jogador. E os jogadores não conhecem a personalidade, o caráter dos jornalistas. Por isso que tem uma incompatibilidade muito grande.
Walter Casagrande, comentarista esportivo

Casagrande lembrou que antes a relação era mais direta.

“Na minha época, o jornalista ficava dentro do campo. (...) A proximidade do jogador de ponta com o torcedor e com a imprensa era normal, era muito forte”, completou.

Relação imprensa x jogadores

O comentarista disse que o distanciamento atinge todas as partes.

“A identificação não é só do torcedor com a Seleção. É do torcedor com a imprensa, da imprensa com o torcedor, com os jogadores. É muito distante”, ressaltou.

Ele também afirmou que a mudança afetou a rotina de cobertura.

“Hoje, os treinamentos são fechados todos os dias. (...) E na maioria das vezes os jogadores nem vão perto do torcedor e eles não dão entrevista, só em coletiva”, contou.

“Isso deveria ser repensado”

Casagrande defendeu a reaproximação entre clubes, Seleção, torcedores e imprensa.

Deveria ser repensado. (...) A intimidade te leva a ter mais conhecimento sobre as pessoas um com o outro e as coisas ficam muito mais entendidas.
Walter Casagrande, ex-jogador

Para ele, o distanciamento impacta até a percepção de críticas.

“Um cara que faz uma crítica a um jogador, o jogador sai reclamando, falando que é perseguição, sem conhecer o cara que tá escrevendo”, exemplificou.

Redes sociais e nova dinâmica

Casagrande ainda disse que as redes sociais reduziram a importância da imprensa na visão dos jogadores.

Com as redes sociais, a imprensa esportiva para o jogador de futebol perdeu a importância. (...) Hoje, eles não precisam ir no programa de televisão. Ele mesmo grava um vídeo, coloca nas redes sociais e pronto.
Walter Casagrande, ídolo do Corinthians e comentarista esportivo

CNN Esportes S/A

Com Walter Casagrande, ídolo do Corinthians e comentarista esportivo, o CNN Esportes S/A chega à 117ª edição. Apresentado por João Vitor Xavier, o programa aborda os bastidores de um mercado que movimenta bilhões e é um dos mais lucrativos do mundo: o esporte.

Em pauta, os assuntos mais quentes da indústria do mundo da bola, na perspectiva de economia e negócios.

 

Acompanhe Esportes nas Redes Sociais