Especialista explica veto a árbitro nos EUA: "Fifa tem papel limitado"

Exclusão do somali Omar Artan da Copa de 2026 reacende debate sobre o poder das autoridades americanas sobre participantes do torneio

Gabriel Teles, da CNN Brasil
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A negativa de entrada do árbitro somali Omar Artan nos Estados Unidos, que culminou em sua exclusão da Copa do Mundo de 2026, evidencia os limites da atuação da Fifa em questões migratórias.

À CNN Brasil, o advogado especializado em imigração para os Estados Unidos e CEO da YOUSA Law Firm, Otávio Haverroth, explicou que a entidade máxima do futebol não possui poder para reverter decisões tomadas pelas autoridades de fronteira americanas.

“A FIFA tem um papel limitado nesse tipo de situação, porque a decisão final sobre quem entra ou não nos Estados Unidos pertence exclusivamente às autoridades migratórias americanas. Mesmo quando uma pessoa possui visto válido e credenciamento para atuar em um evento internacional, como a Copa do Mundo, isso não garante o direito de ingresso no país. A postura mais rigorosa adotada pelo governo americano em relação a cidadãos de determinados países, especialmente aqueles considerados sensíveis sob a ótica da segurança nacional, pode explicar um escrutínio maior sobre algumas delegações e profissionais ligados ao torneio”, afirmou.

Segundo o especialista, a concessão de visto não elimina a possibilidade de uma recusa na chegada ao território americano.

“No caso do árbitro Omar Artan, da Somália, é possível que fatores relacionados à nacionalidade, avaliações de segurança ou outros critérios discricionários das autoridades de fronteira tenham pesado na decisão. Como os Estados Unidos têm ampla autonomia para definir quem pode entrar em seu território, a negativa pode ocorrer mesmo diante da existência de um visto previamente concedido”, completou.

O caso ganhou repercussão internacional após Artan revelar que foi impedido de entrar nos Estados Unidos mesmo estando credenciado para trabalhar na Copa do Mundo de 2026. Em entrevista ao jornal The New York Times, o árbitro afirmou que desembarcou no Aeroporto Internacional de Miami no último sábado (6) e passou cerca de 11 horas em procedimentos de imigração antes de receber a negativa.

“Estou muito, muito desapontado. Sou apenas um árbitro tentando realizar meu sonho, o maior sonho da minha vida, que é vir à Copa do Mundo”, declarou.

Após a recusa, o profissional foi colocado em um voo de retorno para a Turquia. Segundo seu relato, ele não recebeu uma justificativa formal para a decisão e acredita que sua nacionalidade tenha influenciado o resultado. “Eu tinha a documentação correta e tudo mais. Tinha o visto certo”, afirmou.

Aos 34 anos, Artan havia sido selecionado entre os 52 árbitros da Copa do Mundo de 2026 e seria o primeiro somali a atuar na arbitragem do principal torneio de seleções do planeta. Em 2025, ele foi eleito o melhor árbitro da Confederação Africana de Futebol (CAF).

Em comunicado, Fifa confirmou que o árbitro está fora da competição e reiterou que não participa dos processos migratórios conduzidos pelos países-sede. A entidade informou ainda ter sido comunicada pelas autoridades americanas de que a situação não será alterada.

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