Jogadores da NFL protestam após Copa e pedem gramado natural em estádios
Atletas lançam campanha para manter a grama instalada para o Mundial e defendem que a mudança reduz riscos de lesão; tecnologia usada na Copa também chegará ao Brasil

Jogadores da NFL iniciaram um movimento para pressionar as franquias e os administradores dos estádios a manterem os gramados naturais instalados para a Copa do Mundo de 2026.
A campanha, batizada de #WorthTheCost ("Vale o custo", em tradução livre), ganhou força nas redes sociais nos últimos dias e cobra que o investimento feito para atender às exigências da Fifa passe a ser permanente também durante a temporada do futebol americano.
A principal reivindicação dos atletas é que os campos de grama natural oferecem melhores condições de jogo e maior segurança em comparação ao gramado artificial, utilizado tradicionalmente em parte das arenas da NFL.
O quarterback Caleb Williams, astro do Chicago Bears, publicou uma imagem de um dos gramados utilizados na Copa acompanhada da pergunta: "Por que nós não podemos ter isso também?".
Outros jogadores seguiram a mesma linha. Laremy Tunsil e Solomon Thomas compartilharam mensagens afirmando que "Se os estádios conseguem grama natural para a Copa do Mundo, eles conseguem para os jogadores da NFL também".
Já o linebacker Zaire Franklin resumiu a reivindicação em uma publicação:
"O custo de não fazer nada é pago pelos corpos dos jogadores. Façam a grama natural ser obrigatória. #WorthTheCost."
Estádios voltam ao gramado artificial
As 11 arenas dos Estados Unidos que receberam partidas da Copa do Mundo também são utilizadas regularmente pela NFL. Para atender às exigências da Fifa, todas precisaram contar com gramado natural durante o torneio.
Sete desses estádios utilizavam normalmente superfícies artificiais e fizeram adaptações temporárias apenas para a competição.
Com o fim dos jogos em algumas sedes, a retirada da grama natural começou imediatamente. O Gillette Stadium, casa do New England Patriots e chamado de "Boston Stadium" durante a Copa, iniciou a reinstalação do gramado sintético já no dia seguinte ao último confronto de futebol disputado no local.
O mesmo acontecerá com o MetLife Stadium, palco da final entre Espanha e Argentina neste domingo (19). A decisão marcará a 78ª partida desta Copa realizada em um estádio pertencente a uma franquia da NFL.
Sindicato apoia campanha
A NFLPA, associação que representa os jogadores da liga, endossou a mobilização e relembrou que uma pesquisa da própria entidade apontou que 92% dos atletas preferem jogar em gramados naturais.
Em comunicado, o sindicato afirmou que a Copa demonstrou que os proprietários dos estádios têm condições de oferecer esse tipo de superfície também para o futebol americano.
"A instalação temporária de gramados naturais para a Copa do Mundo é uma escolha para certos donos de times da NFL para fazer por jogadores de futebol o que eles se recusam a fazer para os atletas da NFL. Não é mais uma questão de capacidade; a tecnologia existe, o conhecimento existe e os recursos existem para instalar a melhor grama que nossos jogadores preferem."
A entidade também destacou o investimento feito para receber competições internacionais.
"Nós temos visto os investimentos significativos feitos para atingir os padrões para atletas internacionais e eventos globais. Atletas da NFL, que regularmente competem nesses gramados, ajudam a financiar esses estádios e cujo trabalho tornaram a liga o que é atualmente, merecem o mesmo comprometimento com a qualidade do gramado."
A temporada 2026-27 da NFL começa na primeira semana de setembro, enquanto os jogos de pré-temporada serão disputados em agosto. As equipes já iniciaram os trabalhos de preparação.
Tecnologia da Copa chega ao Brasil
Enquanto a discussão sobre o uso de gramados naturais cresce nos Estados Unidos, uma das tecnologias utilizadas na Copa do Mundo passará a ser comercializada no Brasil.
A World Sports anunciou uma parceria exclusiva com a britânica SIS Pitches para trazer ao país o sistema de stitching, método de costura de gramados híbridos adotado em nove dos 16 estádios do Mundial de 2026.
A tecnologia reforça campos de grama natural com fibras sintéticas de alta performance, formando uma superfície composta por cerca de 95% de grama natural e 5% de fibras de polietileno. O objetivo é aumentar a durabilidade do campo sem comprometer características como tração, segurança e qualidade do jogo.
Segundo Roberto Gomide, fundador e CEO da World Sports, o sistema segue uma tendência consolidada nas principais competições internacionais.
"O futebol moderno exige cada vez mais gramados que suportem uma grande quantidade de jogos sem perder a qualidade em termos de segurança para os atletas, jogabilidade e estética. O stitching é uma tendência que resolve essa questão, tanto que a Fifa adotou esse modelo para as suas competições, incluindo todos os estádios da Copa de 2026."
De acordo com a empresa, o método pode tornar os campos até três vezes mais duráveis, acelerar a recuperação entre partidas e reduzir o risco de lesões ao proporcionar uma superfície mais estável aos atletas. Além disso, a tecnologia será acompanhada da Bio-X™ Fiber, fibra desenvolvida com matérias-primas de origem natural e compatível com processos de compostagem industrial, ampliando o foco em sustentabilidade.


