Por que Argélia e Áustria revivem o "Jogo da Vergonha" da Copa de 1982

Quarenta e quatro anos após o "Jogo da Vergonha", seleção africana reencontra a Áustria e pode ser beneficiada por um empate que classificaria as duas equipes ao mata-mata

Gabriel Teles, da CNN Brasil
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O duelo entre Argélia e Áustria, neste sábado, pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo, carrega uma coincidência histórica. Quarenta e quatro anos depois do chamado "Jogo da Vergonha", as duas seleções voltam a se enfrentar em um cenário que, desta vez, pode favorecer justamente os argelinos.

Em 1982, a Argélia foi eliminada após a vitória da então Alemanha Ocidental por 1 a 0 sobre a Áustria. O resultado classificou os dois europeus e ficou marcado pela falta de competitividade depois do gol alemão, gerando protestos e levando a Fifa a adotar os jogos simultâneos na última rodada das Copas.

Agora, a situação é diferente, mas a ironia permanece. Áustria e Argélia chegam à rodada decisiva com três pontos cada no Grupo J. Um empate leva ambas aos quatro pontos. A Áustria avançaria em segundo lugar pelo saldo de gols, enquanto a Argélia, terceira colocada, ficaria muito bem posicionada para garantir uma das vagas entre os melhores terceiros da competição. Entretanto, uma vitória simples de qualquer uma das seleções confirma a eliminação da equipe adversária.

Além da classificação, o resultado também influencia o caminho no mata-mata. O segundo colocado enfrentará a Espanha, líder do Grupo I, enquanto o terceiro deve cruzar com outro líder, cenário que pode se mostrar mais favorável dependendo da definição das demais chaves.

O encontro remete ao episódio de Gijón, em 1982. Após a Alemanha Ocidental abrir o placar aos 10 minutos, as duas equipes praticamente deixaram de atacar. A troca de passes sem objetividade provocou vaias, revolta da torcida e acusações de combinação de resultado. A repercussão foi tão negativa que a Fifa mudou o regulamento e passou a realizar simultaneamente todos os jogos da última rodada da fase de grupos.

Mais de quatro décadas depois, Argélia e Áustria voltam a dividir o mesmo campo. Desta vez, porém, um empate pode transformar uma lembrança amarga em uma oportunidade para os africanos.

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