Seleções que nunca perderam na estreia em Copas do Mundo

Ao longo da história da Copa do Mundo, poucas mantiveram longas sequências sem derrotas no primeiro jogo do torneio

Gabriel Teles, da CNN Brasil
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A estreia em uma Copa do Mundo costuma carregar um peso enorme. É o momento em que expectativas se transformam em realidade e, muitas vezes, um bom resultado no primeiro jogo define o rumo de toda a campanha. Ao longo da história do torneio, algumas seleções construíram reputações curiosas: dificilmente perdem logo na primeira partida.

Com a Copa do Mundo de 2026 no horizonte, observar esses padrões ajuda a entender como determinadas equipes historicamente lidam com a pressão inicial do maior palco do futebol.

A força histórica das seleções anfitriãs

Durante décadas, existiu um dado curioso envolvendo os países-sede do Mundial: nenhuma seleção anfitriã havia perdido a partida de abertura da competição. Em mais de 20 edições do torneio, os donos da casa acumulavam 16 vitórias e 6 empates nesse jogo inaugural.

O começo da boa sequência histórica começou em 1934, quando a Itália, que organizava o torneio, venceu os Estados Unidos por 7 a 1. Desde então, diversos anfitriões repetiram o roteiro: vitória ou empate diante da própria torcida.

O tabu só foi quebrado na Copa de 2022. O Catar, anfitrião do torneio, perdeu por 2 a 0 para o Equador no jogo de abertura, tornando-se o primeiro país-sede derrotado em sua estreia na história das Copas.

Brasil: especialista em evitar derrotas no primeiro jogo

O caso mais marcante de invencibilidade em estreias de Copa envolve a Seleção Brasileira. Curiosamente, o Brasil começou sua história no torneio com duas derrotas no primeiro jogo: 1 a 2 para a seleção da Iugoslávia na Copa do Mundo de 1930 e 1 a 3 para a Espanha na Copa do Mundo de 1934.

Desde então, porém, o cenário mudou completamente. A partir da Copa do Mundo de 1938, quando venceu a Polônia por 6 a 5, o Brasil nunca mais perdeu uma estreia. Até a Copa do Mundo de 2022, são 19 jogos consecutivos invictos, com 16 vitórias e 3 empates, uma sequência que já ultrapassa 84 anos e figura entre as mais longevas do futebol mundial.

Alguns exemplos recentes reforçam a marca: vitória por 3 a 1 sobre a Croácia na Copa de 2014, triunfo por 2 a 1 diante da Coreia do Norte na Copa do Mundo de 2010, vitória por 1 a 0 contra a Croácia na Copa de 2006 e o empate em 1 a 1 com a Suíça na Copa de 2018.

Há outras sequências relevantes, embora não tão longas. A Seleção do México, por exemplo, não perde na estreia desde a Copa do Mundo de 1998. De lá até 2022, foram sete Copas seguidas começando com vitória ou empate. Antes disso, porém, os mexicanos sofreram derrotas em estreias, inclusive na Copa de 1930, quando caíram diante da França.

Entre as grandes potências do futebol, quase todas já tropeçaram ao menos uma vez no primeiro jogo. A Alemanha perdeu para o México em 2018, enquanto a Argentina foi surpreendida pela Arábia Saudita na estreia da Copa do Mundo de 2022.

Há ainda seleções que nunca perderam na estreia, mas com poucas participações no torneio.

Começar bem nem sempre significa ser campeão

Apesar da importância do primeiro jogo, a história das Copas também mostra que uma estreia sem vitória, ou até com derrota, não impede o título.

Um dos casos mais famosos ocorreu em 2010. A Espanha perdeu para a Suíça por 1 a 0 em sua estreia na fase de grupos, mas se recuperou ao longo da competição e terminou campeã mundial pela primeira vez. Outro exemplo mais recente foi o da última Copa, onde a Argentina foi derrotada de virada pra Arábia Saudita, mas terminou o torneio com a taça.

Ainda assim, estatisticamente, vencer logo na estreia costuma ser um bom sinal. A maioria dos campeões da Copa começou o torneio com vitória no primeiro jogo.

A importância da estreia para 2026

A próxima edição da Copa do Mundo, que será disputada em 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México, terá um formato ampliado com 48 seleções participantes.

Com mais equipes e mais grupos, a tendência é que o primeiro jogo continue sendo decisivo. Uma boa largada pode significar tranquilidade para administrar a classificação, enquanto uma derrota logo na estreia costuma aumentar a pressão.

Por isso, ao olhar para o histórico das Copas, fica claro que começar bem não garante o título, mas quase sempre ajuda a construir campanhas memoráveis. E algumas seleções já provaram, ao longo das décadas, que sabem lidar melhor do que outras com o nervosismo da primeira partida.

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