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Conselheiro do Corinthians critica movimento da SAFiel: "Projeto capenga"

Paulo Pedro afirma que projeto tem falhas jurídicas e condena pressão externa sobre o clube

Raul Moura, da CNN Brasil
Carlos Teixeira e Eduardo Salusse entregam Carta de Intenções Não Vinculante da SAFiel a Romeu Tuma Jr., presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians
Carlos Teixeira e Eduardo Salusse entregam Carta de Intenções Não Vinculante da SAFiel a Romeu Tuma Jr., presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians  • Divulgação/SAFiel
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O conselheiro trienal do Corinthians e membro do CORI, Paulo Pedro, fez duras críticas ao movimento SAFiel, grupo de torcedores e associados que defende a transformação do clube em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

De acordo com Paulo Pedro, o debate é legítimo, mas deve ocorrer dentro do clube e com base em dados reais. O conselheiro também criticou a forma como alguns líderes do projeto se referiram à política interna do Parque São Jorge.

“Qualquer debate que traga soluções para o Corinthians é bem-vindo. Eu gosto de debate, acho sadio e necessário. Mas me incomoda o movimento externo, essa pressão vinda de fora para depois se discutir internamente”, afirmou.

“Quando dizem que não querem fazer parte da ‘política suja do Parque São Jorge’, isso me incomoda. Eu não sou sujo, nem admito ser chamado assim. Esse tipo de postura gera desgaste desnecessário”, disse.

Paulo Pedro apontou ainda fragilidades no modelo proposto pela SAFiel, especialmente na parte financeira e jurídica. Segundo ele, o grupo não apresentou dados concretos de que poderia captar o valor de R$ 1,6 bilhão prometido para sanar as dívidas do clube.

“Falam em pesquisas que mostram a viabilidade dessa captação, mas não apresentaram essas pesquisas. E, juridicamente, a pessoa jurídica criada por eles não cumpre os requisitos formais exigidos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para captar recursos. É um projeto um pouco capenga, com algumas questões que efetivamente não param de pé”, declarou.

“Dentro do direito societário, o acionista vota de acordo com o capital que possui. Quem comprar ações de R$ 2 milhões terá muito mais peso do que quem investir R$ 200. Isso é da lei. E a lei ainda permite acordos de acionistas, que podem concentrar o poder, independentemente do estatuto”, continuou.

Paulo Pedro ressaltou que a defesa por regras de governança e transparência não é novidade na vida política, e que há anos seu grupo, o Movimento Corinthians Grande, propõe reformas internas neste sentido.

“Desde 2018 defendemos governança e transparência, mesmo sem vencer eleições. Mas não criamos um movimento externo para conquistar o poder no ‘fórceps’. Essa ideia de se colocar como única salvação do Corinthians não termina bem”, afirmou.

O conselheiro concluiu lembrando que a eleição de Augusto Melo, que assumiu a presidência do Corinthians em janeiro de 2024 e sofreu o impeachment em agosto deste ano.

“A eleição do último presidente, que acabou impichado, é prova disso. Quando se tenta impor um projeto como a única saída, o resultado raramente é positivo”, concluiu.

SAFiel "respondeu" compliance do Corinthians

A SAFiel usou as redes sociais nesta terça-feira (11) para responder alguns pontos de atenção que teriam sido levantados pelo compliance do Corinthians acerca do projeto.

Em nota, algumas questões foram respondidas como a data recente de fundação da empresa, o valor de capital de apenas R$ 3 mil, e a participação do empresário Maurício Chamati, que participou da gestão de Augusto Melo no Comitê Independente de Finanças.

Ainda sobre a atuação dos idealizadores da SAFiel, a nota explica que nenhum deles "ocupa ou ocupou cargo executivo, deliberativo ou remunerado no Corinthians", descartando qualquer tipo de conflito de interesse.

Sobre a data de fundação e capital social, o projeto explicou que a data de constituição da empresa Invasão Fiel S.A., que legalmente representa a SAFiel, foi amplamente divulgada de forma transparente e pública. Já o valor inicial de R$ 3 mil "segue a prática usual de empresas e sociedades em fase pré-operacional".

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