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Amorim deixa o United entre críticas, resultados ruins e conflito interno

Equipe anunciou a demissão do comandante português nesta segunda-feira (5)

Lori Ewing, da Reuters
Ruben Amorim no United
Ruben Amorim, ex-técnico do Manchester United  • Divulgação/Manchester United
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O Manchester United anunciou a demissão do técnico português Ruben Amorim, encerrando mais um capítulo fracassado na história do clube pós-Alex Ferguson, caracterizado por atritos públicos, táticas inflexíveis e desempenho decepcionante.

Contratado em novembro de 2024 para substituir Erik ten Hag, Amorim frequentemente discutiu com comentaristas e insinuou uma luta de poder com dirigentes do clube, defendendo repetidamente sua estratégia defensiva após um desempenho inicial péssimo na liga, que melhorou apenas marginalmente nesta temporada.

O técnico, o mais recente em uma longa lista de treinadores que tentaram sem sucesso trazer de volta os tempos de glória de Ferguson, já havia demonstrado, nas semanas anteriores, insatisfação com o nível de interferência da diretoria.

A coletiva explosiva de domingo, após o empate por 1 a 1 contra o Leeds — na qual chegou a citar o comentarista Gary Neville — parece ter sido a gota d’água.

“Se as pessoas não conseguem lidar com os Gary Nevilles e as críticas sobre tudo, precisamos mudar o clube”, afirmou Amorim.

“Quero apenas dizer que vim aqui para ser o gerente do Manchester United, não apenas o treinador. E todos os departamentos — o de scout, o diretor esportivo — precisam fazer o seu trabalho”.

Neville respondeu comparando o caso ao de Enzo Maresca, ex-técnico do Chelsea, cujo desabafo críptico levou à sua saída no Dia de Ano Novo, sugerindo que Amorim jogava um jogo perigoso e sinalizando instabilidade na estrutura de poder de Old Trafford, afirmando que tais comentários “geralmente nunca são bons”.

Desde o início, Amorim manteve-se fiel ao seu sistema defensivo característico, com três zagueiros, em variações de 3-4-3 ou 3-4-2-1.

Flexibilidade tática

Dirigentes seniores, incluindo o diretor de futebol Jason Wilcox, teriam solicitado maior flexibilidade tática, mas Amorim manteve-se firme até dezembro, quando adotou brevemente a linha de quatro defensores, pressionado por resultados ruins, lesões de jogadores e ausências por causa da Copa das Nações Africanas.

Em comentário recente sobre a janela de transferências, ele afirmou que sua formação 3-4-3 não funcionaria sem que o clube gastasse “muito dinheiro”.

Muitos esperavam sua demissão após a temporada passada, na qual o United terminou em 15º lugar com 42 pontos — sua pior campanha em mais de 50 anos e a pior desde o rebaixamento de 1973–74.

A derrota feia para o Tottenham na final da Europa League, em maio, provocou outro desabafo, em que Amorim afirmou que deixaria o cargo “sem compensação” se a diretoria achasse que ele não era o treinador adequado.

"Pior United da história"

Suas coletivas eram marcadas por emoção crua e frescor em um campeonato dominado por respostas medidas. Após a derrota por 3-1 para o Brighton na temporada passada, chegou a afirmar que seu time era “talvez o pior da história do Manchester United”.

Apesar de o clube ter investido aproximadamente 250 milhões de libras (R$ 1,8 bilhão) para melhorar os resultados — tornando-o um dos maiores gastadores da Premier League —, os resultados não atingiram o nível esperado, incluindo a chocante derrota para o Grimsby Town, da League Two, na Copa da Liga em agosto, considerada uma das mais humilhantes de sua gestão.

Em março do ano passado, com o clube em dificuldades, o co-proprietário Jim Ratcliffe havia elogiado Amorim como “um jovem treinador excepcional, que acredito que ficará por muito tempo”.

Em outubro, disse que ele precisava de mais três anos para provar seu valor, comparando sua trajetória às dificuldades iniciais de Mikel Arteta no Arsenal.

No entanto, a coletiva de domingo indicou que a confiança havia diminuído. Amorim se recusou a esclarecer se ainda contava com apoio da diretoria, insistindo que era “o gerente, não o treinador”, apesar do cargo de técnico principal.

Ele deu a entender que pretendia permanecer por 18 meses — “ou até quando a diretoria decidir mudar” —, sugerindo um conflito de autoridade nos bastidores, possivelmente o ponto de ruptura que levou à sua demissão.

Na segunda-feira, uma fonte do United declarou que o clube “desenvolveu uma equipe de liderança especializada que permite operar nos mais altos níveis. Embora o treinador principal seja parte fundamental do nosso ecossistema, ele não está acima dele”.

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