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Copa de 2026 mantém “Jogo do Orgulho” apesar de protestos de Egito e Irã

Cidade sediará eventos do Orgulho LGBTQIA+ ; comeorações acontecerão fora do estádio

Andrew Hay, da Reuters
Taça da Copa do Mundo no sorteio em Washington
Taça da Copa do Mundo no sorteio em Washington  • Michael Regan - FIFA/FIFA via Getty Images
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Organizadores da Copa do Mundo 2026 em Seattle afirmaram nesta quarta-feira (10) que manterão a programação do Pride prevista para o lado externo do estádio durante a partida de junho entre Egito e Irã, apesar das objeções de dirigentes esportivos dos dois países, onde a homossexualidade é criminalizada.

O comitê da Copa em Seattle informou que utilizará o evento, batizado de “Jogo de Orgulho”, marcado para 26 de junho, como vitrine para o tradicional Pride Weekend — Semana do Orgulho — da cidade e para celebrações semelhantes em todo o estado de Washington em apoio aos direitos LGBTQ+.

A organização destacou que sua atuação se limita aos eventos externos ao Seattle Stadium, que tem capacidade para 72 mil torcedores e receberá o confronto entre Egito e Irã.

“SeattleFWC26 segue adiante com nossa programação comunitária fora do estádio durante o fim de semana do Pride e ao longo do torneio”, afirmou Hana Tadesse, vice-presidente de comunicações do comitê, em nota. “Não controlamos o que acontece no gramado ou dentro do estádio; isso é responsabilidade da Fifa”.

As manifestações de Egito e Irã evidenciam o conflito entre as regras da Copa, que promovem antidiscriminação, inclusão e neutralidade em temas políticos e sociais, e o compromisso do torneio em respeitar as culturas dos países participantes.

Na terça-feira (9), a Federação Egípcia de Futebol informou ter enviado uma carta à Fifa pedindo que a entidade impeça qualquer atividade relacionada ao Pride durante o jogo da seleção em Seattle, alegando que tais ações contrariam os valores culturais e religiosos dos dois países envolvidos.

Já Mehdi Taj, presidente da Federação Iraniana de Futebol, disse à agência local ISNA que apresentou uma objeção ao “Jogo do Orgulho”, classificando a iniciativa como um “ato irracional que apoia um determinado grupo”.

A designação da partida como “Pride Match” foi feita pelo comitê local de organização muito antes do sorteio que colocou as duas seleções frente a frente. A Fifa não respondeu ao pedido de comentário.

“Com centenas de milhares de visitantes e bilhões de espectadores ao redor do mundo, esta é uma oportunidade única para destacar e celebrar as comunidades LGBTQIA+ em Washington”, declarou o comitê em seu site.

Junho é o mês do orgulho LGBTQIA+ nos EUA

Junho é o Mês do Orgulho em todo os Estados Unidos, quando eventos celebram a comunidade LGBTQ+, seu ativismo e a revolta em um bar gay que, após uma batida policial em 28 de junho de 1969, impulsionou um movimento por direitos civis.

Mas, desde que reassumiu o cargo em janeiro, o presidente Donald Trump publicou ordens executivas restringindo direitos de pessoas trans, proibindo sua participação nas Forças Armadas e revogando políticas de antidiscriminação para a população LGBTQ+ como parte de uma campanha para derrubar programas de diversidade, equidade e inclusão.

No Egito, a Anistia Internacional destaca que autoridades costumam assediar e processar indivíduos por sua orientação sexual.

No Irã, segundo a Human Rights Watch, relações entre pessoas do mesmo sexo podem ser punidas com açoites e, no caso de homens, com a pena de morte.

A polêmica sobre o Pride Match lembra a controvérsia envolvendo as braçadeiras “OneLove” na Copa do Mundo de 2022 no Catar.

À época, a Fifa ameaçou aplicar cartões amarelos a jogadores que usassem o acessório em protesto contra as leis do país que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo, o que levou capitães de sete seleções europeias a desistirem do gesto.

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