Exclusivo: Vitinha diz que Portugal quer ganhar Copa por Diogo Jota

À CNN, meia do PSG comenta morte do amigo e projeta ano com a seleção e o clube

Aleks Klosok, Amanda Davies, da CNN
Compartilhar matéria

Quando Portugal iniciar sua campanha na Copa do Mundo, em Houston, Texas, em 17 de junho, dois nomes estarão na mente do meia Vitinha: Diogo Jota e André Silva.

As lembranças da morte súbita e trágica, há apenas seis meses, seguem muito presentes para o jogador de 25 anos, discreto e respeitoso, que era amigo próximo dos irmãos.

“É difícil falar sobre isso”, disse ele à CNN após vencer o prêmio de melhor meio-campista no recente Globe Soccer Awards, em Dubai.

“Ninguém quer passar por esse tipo de situação. Foi uma perda triste e trágica para todos.”

Dor que vira motivação

“Principalmente, eu imagino como deve ser para os pais, para a esposa, para os filhos… é nisso que mais penso quando penso nele”, completou.

Para o talentoso meio-campista, a memória duradoura dos irmãos será uma fonte de motivação pessoal e coletiva enquanto Portugal busca a glória inédita nos Estados Unidos.

“Nós sentimos isso e queremos vencer, não apenas porque é uma Copa do Mundo e é o sonho de todo mundo, mas por ele também.”

É um sonho que Vitinha espera realizar após a saída traumática na última Copa, no Catar, quando Portugal sofreu uma derrota surpreendente para o Marrocos nas quartas de final.

Portugal entre os candidatos ao título

Ele reconhece que, naquele dia, os Leões do Atlas “mereceram, foram melhores”, mas elogia a reação dele e dos companheiros desde então.

Essa recuperação foi simbolizada por uma vitória marcante sobre a Espanha na final da Nations League, conquistada em 2025.

E, ao falar sobre quais seleções têm chances reais de conquistar o maior título do futebol mundial, Vitinha não tem dúvidas de que Portugal está na disputa.

“Somos uma das melhores seleções que existem, então, claro que é realista”, afirmou com confiança.

Pés no chão e desafios físicos

“Temos que manter os pés no chão. Sabemos que não é fácil”, acrescentou. “Acho que podemos ir longe. Somos candidatos, mas não nos coloco como favoritos.”

Além da qualidade técnica, o calor elevado e o maior número de jogos de um torneio ampliado devem aumentar o grau de dificuldade.

Vitinha viveu isso de perto ao ter papel de destaque no Paris Saint-Germain que chegou à final do primeiro Mundial de Clubes da Fifa com 32 times, disputado nos Estados Unidos.

Experiência nos EUA

“Eu adorei estar lá, mas é realmente difícil com o calor e a carga de jogos que temos ao longo da temporada”, relatou. “Chegar lá e ter que vencer todos os jogos, dar 100% em cada duelo, em cada partida, em cada bola.”

“Chegamos com o maior objetivo, que é ganhar a Copa do Mundo.”

“A equipe mais bem preparada física e mentalmente é a que vai prosperar”, completou.

A influência de Luis Enrique

Prosperar é exatamente o que Vitinha tem feito sob o comando de Luis Enrique no PSG. Antes um jogador de rotação, desde a chegada do técnico espanhol, no verão de 2023, o meia se tornou peça central do time.

Ao ditar o ritmo e a direção do jogo, ele se estabeleceu como o grande organizador da equipe, em total sintonia com o treinador.

Na última temporada, Vitinha foi o jogador de linha mais utilizado entre as cinco principais ligas da Europa, com impressionantes 72 partidas.

Luis Enrique chegou ao clube e mudou muito para o PSG e para mim individualmente. Eu elevei meu nível e atingi outro patamar. Ele é um gênio tático e técnico, mas o mais importante é o lado humano, a forma como fala com você e te coloca de maneira natural
Vitinha, jogador do PSG e da Seleção Portuguesa

Essa abordagem coletiva ficou clara com o PSG se transformando em uma força dominante do futebol mundial em 2025.

Temporada histórica do PSG

Foram seis títulos no ano, com o principal deles sendo a inédita conquista da Champions League, encerrando uma longa espera do clube parisiense, que nunca havia sido campeão do torneio.

O trabalho silencioso de Vitinha ficou evidente ao completar mais passes do que qualquer outro jogador na campanha vitoriosa.

“Parece um filme o que fizemos no ano passado. Foi um dos melhores dias da minha vida”, disse sorrindo. “Eu sonhava com isso. Na noite anterior à final, mil cenários passaram pela minha cabeça.”

“Nunca pensei que fosse tão perfeito como foi, 5 a 0 (a final contra a Inter de Milão)”, afirmou.

As ambições do PSG

Mesmo assim, Vitinha, como seus companheiros, está longe de se acomodar.

Individualmente, ele marcou seu primeiro hat-trick da carreira em uma vitória por 5 a 3 sobre o Tottenham, em novembro, atuação que levou o técnico Thomas Frank a apontá-lo como candidato à Bola de Ouro.

Apesar do ano histórico, o português agora desafia o PSG a ir além e buscar ambições ainda maiores: “O que passou, passou. Temos que tirar as coisas boas disso”.

“Precisamos nos concentrar no futuro. Vai haver tempo para rever e aproveitar o passado, mas ficar preso a ele não ajuda agora”, disse Vitinha. “Temos muitos títulos para buscar, e eu e o time vamos com tudo.”

inglês
Acompanhe Esportes nas Redes Sociais