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    “Muitos que denunciaram, ficaram marcados”, diz Aranha sobre racismo no futebol

    Ex-goleiro afirmou que jogadores nem sempre tem “segurança” para denunciar crimes e manter apoio dos clubes

    Mário Lúcio Costa, conhecido como Aranha, atuou como goleiro do Santos entre 2011 e 2015
    Mário Lúcio Costa, conhecido como Aranha, atuou como goleiro do Santos entre 2011 e 2015 Foto: Ricardo Saibun/Santos FC

    Jairo Nascimentoda CNN São Paulo

    O ex-goleiro e escritor Mario Aranha disse, em entrevista à CNN, que jogadores que denunciam casos de racismo nem sempre contam com apoio dos clubes e podem ter a carreira marcada.

    “Duro é cobrar de um jogador que mora no Brasil, tem condições inferiores, é um assalariado. Muitos que denunciaram, depois ficaram marcados”, comentou. Após, pelo menos 10 casos denunciados, o Real Madrid abriu uma queixa crime por crime de ódio.

    Ele avalia que os casos de racismo contra Vinícius Júnior, na Espanha, são diferentes quando comparados com de outros atletas que, nem sempre, contam com apoio da torcida, governos, imprensa ou dos dirigentes dos clubes.

    Por isso, afirma que é preciso inteligência para lidar com toda a exposição causada.

    “O Vinicius Jr se encontra numa condição de poder se expor. Talvez seja a maior referência em relação a isso. Tudo que esperamos de outros atletas, não tivemos. O Aranha não tem esse alcance. Foi um jogador mediano, mas o Vini Jr é jogador da seleção brasileira. Ele tem que ter inteligência para superar esse jogo”.

    Ele cobra responsabilização coletiva dos envolvidos, pois “os agitadores, no geral, são figuras marcadas”.

    “O futebol tem uma origem extremamente racista. Não passaram tantos anos para viver uma zona de conforto. O que me espanta é ver o espanto das pessoas quando acontece alguma atitude racista no futebol, quando alguém não se posiciona. A origem é totalmente racista. O racista veio de dentro do futebol. Sempre existiu”, explica em referência à origem do esporte que proibia, no Brasil, atletas negros.

    A La Liga tem sido questionada pela omissão contra os casos de crime de ódio.

    Vinícius Jr, do Real Madrid, aponta racismo em jogo da La Liga. / 21/05/2023 REUTERS/Pablo Morano

    Aranha foi vítima de racismo no Brasil. Em 2014, o atleta defendia o Santos e ouviu insultos racistas de torcedores do Grêmio. Na época, sete pessoas foram indiciadas pelo crime de racismo e o Grêmio foi excluído da Copa do Brasil. Desde então, esta foi a punição mais severa para um clube entre tantos outros casos de racismo.

    Anos depois, eu vejo que o ato em si foi mais fácil de lidar. Fiz uma excelente partida, nós ganhamos o jogo. Só fiz a denúncia no final, tive essa frieza. Muitas vezes a gente não tem essa segurança pra fazer isso…dentro do clube, contratual. A gente precisa estar seguro para se defender e essa segurança no lado da vítima não tem. Isso é uma coisa cultural

    Mario Aranha, ex-goleiro

    Nesta terça (23), sete pessoas foram presas pelas autoridades espanholas acusadas de envolvimento nos casos de racismo contra Vini Jr.