CNN Esportes

O que acontece se o Irã não disputar a Copa do Mundo?

Após conflito com EUA e Israel, Fifa poderá substituir a seleção iraniana após possível boicote

Jairo Nascimento, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

O conflito entre EUA e Israel contra o Irã tem colocado a realização da Copa do Mundo na América do Norte em xeque.

"Com o que aconteceu hoje e com o ataque dos Estados Unidos, é improvável que possamos olhar para a Copa do Mundo com esperança, mas são os dirigentes do esporte que devem decidir sobre isso", disse o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj.

Parte do Grupo G, junto com Egito, Nova Zelândia e Bélgica, a participação da República Islâmica do Irã é cada vez mais incerta. Em dezembro de 2025, no momento do sorteio das seleções para a primeira fase, a delegação iraniana boicotou o evento devido à dificuldade de conseguir vistos para ir até o evento nos EUA.

O Irã, classificado para a Copa 2026, disputará suas três partidas em solo americano: contra a Nova Zelândia, em 15 de junho, em Los Angeles, contra a Bélgica, no dia 21, na mesma cidade, e, por fim, no dia 26, contra o Egito, em Seattle.

Mas, afinal, o que poderia acontecer após um possível boicote do Irã à Copa? A solução está nos regulamentos da Fifa.

Que venha o próximo…

De acordo com o regulamento da instituição, se o Irã deixar a disputa, os Emirados Árabes Unidos têm a chance de ocupar a vaga.

As classificatórias da copa da Ásia tem cinco fases. A primeira é disputada por times menos ranqueados. A segunda fase tem nove grupos e a terceira tem três. Os primeiros colocados da terceira fase conseguiram a vaga direta, o que foi o caso do Irã ao passar na primeira posição do Grupo A.

Restou aos Emirados Árabes Unidos avançaram para a quarta fase e, por fim, disputar a repescagem asiática, a quinta e última fase, contra o Iraque. Após um empate em 1 a 1 no primeiro jogo e 2 a 1 no segundo, os iraquianos avançaram. É, inclusive, neste ponto, que a seleção iraquiana também pode ser beneficiada.

O regulamento da Fifa prevê a substituição. Há, no mínimo, duas possibilidades na mesa. Os Emirados Árabes Unidos substituem o Irã por ter ficado logo atrás na posição geral, ou o Iraque fica com a vaga. Omã e Indonésia ficaram pelo caminho durante a quarta fase.

Por enquanto, os iraquianos estão garantidos na final da repescagem mundial e jogam, no México, no dia 1º de abril contra o vencedor de Bolívia x Suriname. Caso a solução seja a de beneficiar o Iraque, outra seleção do continente asiático assumiria a vaga na repescagem mundial.

A certeza é a incerteza

São possibilidades, mas o cenário é completamente aberto e incerto.

A Fifa já informou que está observando a situação geopolítica antes de tomar qualquer decisão ou posicionamento. Além do Oriente Médio, a entidade também observa a situação da segurança pública no México após a onda de ataques que aconteceram por conta da morte Nemésio Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho", fundador do cartel Jalisco Nova Geração.

Não há novidade em boicote a uma Copa do Mundo. Desde a década de 1930 no século passado, há vários episódios. Seleções da URSS, Inglaterra, um grupo de seleções africanas e até a Índia (que boicotou a Copa do Mundo de 1950, no Brasil, pela proibição para que atletas não pudessem jogar descalsos) já abandonaram a competições por diversos motivos e, na maioria das vezes, a ausência se deu por razões políticas. Até a própria Copa do Mundo deixou de acontecer por duas vezes, em 1942 e 1946, por conta da Segunda Guerra Mundial.

Acompanhe Esportes nas Redes Sociais