Jovens estão acompanhando menos futebol? Pesquisa responde

Resultados revelam queda no interesse digital, mas presença forte nos estádios

Manuella Dal Mas, da CNN
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Apesar de o futebol seguir como paixão nacional, os jovens brasileiros entre 18 e 24 anos são os que menos acompanham o esporte no dia a dia. Dados de uma pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o instituto de pesquisa Opinion Box revelam que essa faixa etária é a única em que menos de 70% afirma acompanhar futebol com frequência.

Convidado do CNN Esportes S/A deste domingo (13), Felipe Schepers, cofundador do Opinion Box e especialista em pesquisa, detalhou o que o estudo conta sobre a relação dos brasileiros com esporte.

 

A pesquisa ouviu cerca de três mil pessoas em todas as regiões do país, com recorte por gênero, faixa etária e classe social.

Ao todo, 75% dos brasileiros dizem assistir a jogos ou consumir notícias sobre futebol.

Quando perguntados sobre qual seria o esporte preferido, caso tivessem que escolher apenas um, 52% escolheram o futebol. Na sequência, aparecem o vôlei, com 11% da preferência, e a ginástica, que conquistou 6% dos entrevistados, embalada pelos recentes feitos de Rebeca Andrade nas Olimpíadas de Paris.

Jovens nos estádios: menos tela, mais arquibancada

Curiosamente, o grupo de 18 a 24 anos também é o que mais tem frequentado estádios, segundo o mesmo levantamento. Ou seja, se por um lado os jovens consomem menos futebol em casa ou no celular, por outro, buscam cada vez mais a experiência física e social de assistir a uma partida ao vivo.

Tem dois dados nessa pesquisa que conversam muito bem. Um é esse: quando a gente fala do acompanhar o futebol, a faixa etária de 18 a 24 é a que tem menos (porcentagem de pessoas que acompanham). Porém, quando a gente vai falar de ida ao estádio, o público que mais tem ido ao estádio é o de 18 a 24 anos.
Felipe Schepers, cofundador da Opinion Box

Esse movimento de reaproximação dos jovens com o futebol passa pela transformação dos estádios brasileiros após a Copa de 2014, com arenas mais modernas e infraestrutura atrativa.

Futebol para todos, mas com custo alto

Quando questionado sobre o impacto da renda na participação, Felipe informou que dinheiro não é um impeditivo para o interesse. A pesquisa mostra que o futebol desperta atenção em todas as classes, com torcedores com diferentes rendas consumindo o esporte com frequência parecida.

A diferença está no bolso: enquanto alguns estão dispostos a pagar mais por experiências exclusivas, a maioria ainda se vê limitada pelos altos preços.

Pela pesquisa, a gente vê que o interesse em ir ao estádio é parecida para todo mundo, independentemente da renda, da classe, da faixa etária ou do gênero. O que chama a atenção é que 61% falam que se os ingressos fossem mais acessíveis, iriam mais. Já 32% falam que topariam pagar mais para ter experiências mais exclusivas.
Felipe Schepers, cofundador da Opinion Box

Isso indica uma janela de oportunidade para os clubes: criar estratégias que equilibrem a inclusão dos torcedores de baixa renda e o atendimento a públicos dispostos a gastar mais por conforto e exclusividade.

A Serasa, que realizou o estudo com base em seu pilar de educação financeira, destaca que entender esses comportamentos é essencial para planejar não só o consumo responsável, mas também o futuro do futebol no país.

CNN Esportes S/A

Apresentado por João Vitor Xavier, o CNN Esportes S/A  aborda os bastidores de um mercado que movimenta bilhões e é um dos mais lucrativos do mundo: o esporte.

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