Justiça do Rio revoga decisão que determinava intervenção na CBF
Rodolfo Landim, mandatário do Flamengo e Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol já tinham aceitado a nomeação para o cargo
Após uma reviravolta, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) revogou, nesta segunda-feira (02), a decisão que determinava uma intervenção na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O despacho foi feito pelo desembargador Luiz de Mello Serra, da 19ª Câmara Cível após um recurso impetrado pela entidade.
O efeito suspensivo momentos após uma sentença de primeira instância autorizar que os interventores, Rodolfo Landim, mandatário do Flamengo, e Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, assumissem o comando da CBF de forma imediata. Ambos já tinham aceitado a nomeação para o cargo.
Os dois interventores teriam a tarefa de organizar novas eleições presidenciais, após uma decisão do TJ-RJ anular a Assembleia Geral da entidade e, consequentemente, invalidar a eleição de Rogério Caboclo para a presidência, em abril de 2018. Landim e Bastos ficariam no comando por 30 dias.
Responsável pelo pedido de intervenção na CBF, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) tem 15 dias para recorrer da decisão. Procurado, o órgão ainda não se manifestou como vai proceder. O processo também será analisado por outros pares do TJ-RJ.
Procurados, Rodolfo Landim e Reinaldo Carneiro Bastos disseram à CNN que não vão se manifestar. A CBF não se pronunciou até o momento.
Polêmica com Reinaldo Carneiro Bastos
Como a CNN informou no dia 29 de julho, um dos nomeados como interventor da CBF, Reinaldo Carneiro Bastos, recebeu R$ 1,08 milhão da entidade por prestar um trabalho de consultoria entre junho de 2020 e julho de 2021. A CNN teve acesso ao contrato e às notas fiscais emitidas pela CBF que mostram que os pagamentos à consultoria aconteciam mensalmente. Os valores giravam entre R$ 50 e R$ 90 mil. Os contratos não especificam que tipo de consultoria seria essa.
Segundo os documentos, Bastos prestou serviço à CBF até 20 de julho, seis dias antes do Presidente da Federação Paulista de Futebol ser nomeado pela justiça interventor da CBF.
Em nota, Bastos afirmou que a consultoria era voltada ao desenvolvimento de competições, planejamento, arbitragem e relacionamento, e foi aprovada por todas as instâncias necessárias da CBF, inclusive as diretorias jurídica, financeira e a presidência, então ocupada por Rogério Caboclo. Questionada sobre esta denúncia, a confederação informou que os dados são sigilosos e que dizem respeito somente às partes.