Protestos de jogadores a autoridades: tom político marca Copa do Mundo no Catar

Um dos mais repercutidos foi a foto mostrando jogadores do time da Alemanha cobrindo a boca com as mãos, uma referência à censura

Mariana Janjácomo, da CNN, em São Paulo
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Dentro e fora de campo, delegações dos países e público aproveitam os olhos do mundo para protestar contra violações de direitos humanos

A braçadeira “One Love” (“Um Amor”, em inglês), com um coração e as cores do arco-íris, se tornou o símbolo do tom político que dominou a Copa do Mundo de 2022.

Capitães de seleções da Europa usariam o objeto em campo para representar a inclusão e a diversidade, mas foram impedidos por uma regra da Fifa.

Mesmo assim, as delegações dos países encontraram uma forma de driblar a determinação e fazer um protesto velado contra a homofobia.

Horas de antes de o capitão do time da Inglaterra, Harry Kane, entrar com a braçadeira em campo na partida contra o Irã na segunda-feira (21), a Fifa determinou que os jogadores que usassem o objeto levariam um cartão amarelo.

As seleções respeitaram a regra, mas autoridades foram vistas durante jogos usando a braçadeira.

A ministra de relações exteriores da Bélgica, Hadja Lahbib, chegou a conversar com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, usando a braçadeira, no jogo entre Bélgica e Canadá na quarta-feira (23).

No mesmo dia, a ministra do interior da Alemanha, Nancy Faeser, fez o mesmo e usou a braçadeira durante a partida entre as seleções alemã e japonesa, com Infantino sentado próximo a ela.

Além destes gestos das autoridades, teve enorme repercussão pelo mundo a foto mostrando jogadores do time da Alemanha cobrindo a boca com as mãos, uma referência à censura.

O retrato foi feito antes deste mesmo jogo contra o Japão, na quarta-feira.

Protestos sobre o Irã

A situação do Irã também é alvo de protestos no Qatar. Jogadores da seleção se recusaram a cantar o hino nacional no jogo de estreia no campeonato, na segunda-feira (21).

O técnico da equipe, Carlos Queiroz, já tinha afirmado que os jogadores têm o direito de protestar, desde que não desrespeitem as regras estabelecidas pela Fifa.

O país vive uma onda de protestos desde a morte de Mahsa Amini, jovem de 22 anos que estava sob custódia da polícia de costumes e moralidade do Irã por não usar o véu de forma adequada.

As manifestações estão sendo duramente reprimidas no país, o que despertou a atenção de organizações de direitos humanos em todo o mundo, e colocou o foco nas ações dos jogadores iranianos no Qatar.

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