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    Punido, Sport sobe o tom contra decisão do STJD após atentado

    Em nota oficial, clube pernambucano classificou a punição imposta pelo órgão como "injusta"

    Arena de Pernambuco, em Recife
    Arena de Pernambuco, em Recife Paulo Paiva/Sport Club do Recife

    Nuno Krauseda Itatiaia

    O Sport fez duras críticas à Segunda Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) nesta terça-feira (12). Após o atentado contra o ônibus do Fortaleza, o clube foi punido com oito jogos sem torcida como mandante em campeonatos organizados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Além disso, foi obrigado a pagar uma multa de R$80 mil.

    Em nota publicada no site oficial do clube, a vice-presidência jurídica o Rubro-Negro promete recorrer do que chamou de “decisão descabida e injusta”.

    “Não se pode novamente tratar de um tema tão complexo, que hoje é uma chaga nacional, de maneira tão rasa. Não é possível ir pelo caminho de decisões comprovadamente ineficazes só para criar uma falsa sensação de justiça que nada reflete na realidade e que em nada resulta na redução da violência. É só mais uma cortina de fumaça”, diz o texto.

    O ônibus do Fortaleza foi atingido por pedras e uma bomba caseira na noite do dia 21 de fevereiro. O elenco tinha acabado de empatar com o Sport na Arena de Pernambuco, em jogo válido pela Copa do Nordeste. Seis jogadores ficaram feridos.

    “Não punir esses indivíduos, e sim os clubes, é um caminho desleixado para um problema tão sério. Estamos vivendo um problema social e não desportivo. Uma crise de segurança pública, de norte a sul, rodada após rodada. É preciso entender e levar a sério a complexidade do tema. Cobrar atitude dos órgãos responsáveis. Afinal, nenhum clube do Brasil vai resolver esse grave problema sozinho”, diz o Sport.

    O presidente rubro-negro, Yuri Romão, também se posicionou nas redes sociais, por meio de vídeo. “Não é possível que, após 20 dias do ocorrido, ainda não temos ninguém punido. Os verdadeiros criminosos continuam soltos e, neste momento, rindo. Rindo do STJD, rindo desta direção”, disse.

    Posição da Polícia Civil

    Em contato com a Itatiaia, a Polícia Civil afirmou, nesta segunda-feira (11), que o caso segue em investigação pela Delegacia de Polícia de Repressão à Intolerância Esportiva. “Todas as diligências necessárias para o esclarecimento do fato estão sendo realizadas, tais como tomada de depoimentos e perícias técnicas. As investigações seguirão até o esclarecimento completo dos fatos”, diz nota enviada pela corporação.

    Relembre decisão

    Os auditores do STJD entenderam que o clube não prestou a segurança necessária para a organização da partida e também não identificou e puniu administrativamente as pessoas envolvidas no ato, há relato de mais de 80 participantes. A segunda comissão também entendeu que o Sport tem sido reincidente em casos de violência de seus torcedores, sem de fato tomar atitudes que ajudem a evitar isso.

    Desde 23 de fevereiro, por decisão liminar do presidente do tribunal, José Perdiz, o Sport não pode ter torcedores em seus jogos nacionais como mandante ou visitante. O clube já não teve torcida no Amapá, contra o Trem, pela Copa do Brasil, e no Piauí, frente ao Altos, pelo Nordestão.

    A denúncia da procuradoria foi feita com base no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD):

    Deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir:

    • I – desordens em sua praça de desporto;
    • § 1º Quando a desordem, invasão ou lançamento de objeto for de elevada gravidade ou causar prejuízo ao andamento do evento desportivo, a entidade de prática poderá ser punida com a perda do mando de campo de uma a dez partidas, provas ou equivalentes, quando participante da competição oficial

    Veja a nota do Sport na íntegra

    “O Sport Club do Recife se posiciona contrário a punição imposta pela Segunda Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), na manhã desta terça-feira (12). A vice-presidência jurídica do Rubro-negro vai recorrer dessa decisão descabida e injusta.

    Não se pode novamente tratar de um tema tão complexo, que hoje é uma chaga nacional, de maneira tão rasa. Não é possível ir pelo caminho de decisões comprovadamente ineficazes só para criar uma falsa sensação de justiça que nada reflete na realidade e que em nada resulta na redução da violência. É só mais uma cortina de fumaça.

    Pelo contrário. Esse tipo de punição coletiva, na verdade, atinge milhões de torcedores inocentes e instituições com centenas de trabalhadores, profissionais e prestadores de serviço, deixando justamente o caminho livre para os verdadeiros criminosos cometerem atos de covardia e violência, como aconteceu no dia 22 de fevereiro. Criminosos que continuam soltos por aí, sem nenhuma responsabilidade dos atos e que seguem aterrorizando a todos que vivem o futebol brasileiro, independente de time, cidade ou Estado. O Sport não pode ser responsabilizado por isso!

    Punir uma instituição que não tem nenhuma relação com a torcida organizada, que cumpriu com todas as orientações de segurança e que não tem nenhum poder de Estado para coibir bandidos pela cidade não é fazer justiça. É querer mostrar serviço sem atentar para o verdadeiro problema. A punição, além de não resolver, acoberta e tira o foco e a pressão de se investigar os culpados e as organizações criminosas por trás dos atos.

    Não punir esses indivíduos, e sim os clubes, é um caminho desleixado para um problema tão sério. Estamos vivendo um problema social e não desportivo. Uma crise de segurança pública, de norte a sul, rodada após rodada. É preciso entender e levar a sério a complexidade do tema. Cobrar atitude dos órgãos responsáveis. Afinal, nenhum clube do Brasil vai resolver esse grave problema sozinho.

    Só com comprometimento total do poder público, responsabilidade, rigidez e cooperação dos serviços de inteligência é que vamos avançar”


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    Este conteúdo foi criado originalmente em Itatiaia.

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