
Sálvio vê VAR como "muleta" e critica falta de personalidade de árbitros
Em entrevista ao CNN Esportes S/A, o comentarista defendeu uso técnico da ferramenta e cobrou mudanças no protocolo
Durante o CNN Esportes S/A deste domingo (2), o ex-árbitro e comentarista Sálvio Spínola avaliou o uso do árbitro de vídeo no futebol brasileiro e afirmou que o VAR tem sido utilizado de forma equivocada.
Segundo ele, a ferramenta deve corrigir apenas erros que o olho humano não consegue enxergar.
Spínola criticou a forma como a tecnologia tem sido utilizada no país, apontando falta de autonomia dos árbitros de campo.
O árbitro não tem a personalidade de tomar a decisão. É uma muleta, não pode ser. O VAR tem que ter personalidade. (...) O árbitro tem que decidir. Ele não pode mostrar para o jogador que ele tá com dúvida.
O ex-árbitro defendeu que o VAR não pode servir como correção de falhas de formação dos profissionais.
"A função da tecnologia não é apitar o jogo. A função da tecnologia não é corrigir aquilo que nós falamos no início: a deficiência do árbitro que é mal formado. Não é para corrigir o ato ruim. É para corrigir o que o olho humano não consegue ver. E aqui no futebol brasileiro brasileiro, em algumas outras ligas também, eles colocam o VAR acima do árbitro de campo. O árbitro de campo é mais importante do que o VAR", afirmou.
Brasil x Europa
O comentarista também explicou o motivo de o VAR ser mais demorado no Brasil em comparação com as grandes ligas europeias.
"Na Europa, ninguém vende imagem, ninguém vende direitos de transmissão. Na Europa vende a imagem. Aqui vende entende direitos de transmissão", avaliou.
Sálvio defendeu que o país adote uma estrutura de filmagem própria para a arbitragem, o que, segundo ele, reduziria o número de lances inconclusivos.
O futebol brasileiro é o que você mais escuta falar: 'não tomou a decisão porque a imagem é inconclusiva'. Isso deveria ser uma vergonha para o VAR. Como que a imagem pode ser inconclusiva? Quantas vezes você escuta falar 'imagem inconclusiva'?
Mudança de protocolo
Sálvio participou da reunião da International Board em 2016, quando o uso do VAR foi aprovado. Ele explicou que o recurso surgiu para dar suporte à arbitragem e não para interferir em decisões técnicas.
“O VAR, a tecnologia, precisa. Acho que o futebol brasileiro quis implantar além da necessidade. Poderia ter começado, por exemplo, só com impedimento. Começou querendo apitar o jogo. Como é hoje, a função da tecnologia não é apitar o jogo”, ressaltou.
Segundo ele, o protocolo da ferramenta precisaria ser revisto para evitar excessos de interferência e lentidão nas partidas.
Ou usa a tecnologia para corrigir o que o ser humano não consegue, (ou) se for para apitar o jogo, tem que mudar o protocolo do VAR. Não foi isso que foi aprovado lá em 2016 no País de Gales.
CNN Esportes S/A
Com Sálvio Spínola, ex-árbitro e comentarista de arbitragem, o CNN Esportes S/A chega à 115ª edição. Apresentado por João Vitor Xavier, o programa aborda os bastidores de um mercado que movimenta bilhões e é um dos mais lucrativos do mundo: o esporte.
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