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Seleção Brasileira: Premier League domina convocações no ciclo pós-Copa

Entre 2023 e 2025, liga inglesa concentrou maior número de jogadores chamados; Flamengo e Palmeiras lideram entre os clubes nacionais

Gabriel Teles, da CNN
João Pedro em treino da Seleção Brasileira
João Pedro em treino da Seleção Brasileira  • Rafael Ribeiro/CBF
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O ciclo da Seleção Brasileira após a Copa do Mundo do Catar tem um protagonista claro: a Premier League. Entre janeiro de 2023 e agosto de 2025, foram 106 convocações de atletas que atuam ou atuaram na liga inglesa receberam chance de vestir a camisa verde e amarela, número que supera qualquer outra competição no período.

No Brasil, Flamengo e Palmeiras puxaram a fila dos clubes mais presentes nas listas, com nove e seis nomes, respectivamente. Fora do país, o Real Madrid aparece em destaque, com quatro convocados.

Renovação e jovens protagonistas

Foram 283 convocações ao longo de três anos, envolvendo 74 jogadores diferentes, 38 deles estreantes. A lista de novidades inclui promessas como Endrick, Vitor Roque, Estevão e João Pedro, que começaram a ocupar espaço no elenco. Endrick, por exemplo, viveu impacto imediato: marcou gols contra Inglaterra e Espanha em amistosos e foi incluído por Dorival Júnior na Copa América de 2024.

Apesar da renovação, nomes consolidados se mantiveram. Marquinhos foi o único a aparecer em todas as 12 listas desde o fim da Copa, enquanto Vinicius Júnior só ficou fora da mais recente, divulgada nesta segunda-feira (25).

Quatro técnicos e a mesma tendência

Desde a queda para a Croácia no Mundial, a Seleção passou por quatro treinadores. Ramon Menezes abriu o ciclo, apostando em 14 estreantes, a maioria vinda do futebol nacional. Fernando Diniz ampliou o espaço para jogadores da Premier League, convocando 28 atletas em apenas três listas.

Dorival Júnior, que comandou o Brasil em cinco convocações, incluindo a Copa América de 2024, manteve o caminho: 44 atletas chamados da liga inglesa e 31 do Brasileirão. Já Carlo Ancelotti, em início de trabalho, não mudou a lógica, pois, em duas listas, chamou 14 nomes da Premier League e 11 do futebol brasileiro.

Mercado e realidade internacional

A concentração de jogadores na Inglaterra reflete não apenas a força da liga, mas também o mercado global. “A maioria absoluta dos melhores de cada país está na Premier League. Os demais, querem seguir para lá. Para formar uma seleção competitiva, você precisa enfrentar os melhores semanalmente. Não dá pra ignorar isso”, observa Thiago Freitas, executivo da Roc Nation, empresa que gerencia carreiras de Vinicius Jr., Endrick, Paquetá e Martinelli.

Para Cláudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management no Brasil, a Seleção apenas acompanha um movimento que já acontece em escala mundial. “A Premier League concentra hoje alguns dos principais jogadores do mundo, e isso se reflete nas convocações. O Brasil vive um ciclo de transição, em que mesclar jovens talentos e atletas consolidados virou regra para manter competitividade”, analisa.

Olho na Copa do Mundo

Com quatro convocações restantes antes da lista final para 2026, Ancelotti tem mantido atenção especial tanto ao calendário europeu quanto ao futebol brasileiro. “Na Seleção, é preciso estar 100%. A competição pelas vagas é muito grande, se o jogador não estiver bem fisicamente, não tenho problema em chamar outro”, disse o treinador após a última convocação.

Os números do ciclo

Clubes com mais convocados

  • Flamengo: 9
  • Palmeiras: 6
  • Real Madrid: 4
  • Zenit: 4
  • Athletico-PR: 3
  • Botafogo: 3
  • São Paulo: 3
  • Arsenal: 3
  • Manchester United: 3

Jogadores mais convocados

  • Marquinhos (PSG): 12
  • Vinicius Jr. (Real Madrid): 11
  • Bruno Guimarães (Newcastle): 11
  • Ederson (Manchester City): 9
  • Danilo (Juventus/Flamengo): 9
  • Rodrygo (Real Madrid): 9
  • Alisson (Liverpool): 8
  • Gabriel Magalhães (Arsenal): 8
  • Bento (Athletico/Al-Nassr): 7
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