O que sabemos sobre a luta do UFC na Casa Branca
Projeto anunciado por Donald Trump ganha forma com arena montada e data definida para 14 de junho

Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou pela primeira vez a ideia de realizar uma luta do UFC no gramado sul da Casa Branca, em julho do ano passado, muitas pessoas acreditaram que se tratava de uma brincadeira.
“Vamos ter uma luta do UFC — imaginem isso — nos jardins da Casa Branca”, declarou Trump durante um evento em Iowa, ao anunciar atrações especiais para celebrar o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos.
Cerca de um ano depois, o projeto está se tornando realidade.
Equipes de construção estão montando uma arena cercada por grades no Gramado Sul da Casa Branca para o evento marcado para 14 de junho. O local agora é dominado por uma gigantesca estrutura de iluminação em arco, chamada pelo Ultimate Fighting Championship (UFC) de “The Claw” (“A Garra” em português).
Quando os lutadores entrarem no octógono, mais de 90 mil pessoas deverão ocupar os arredores da Casa Branca para acompanhar os combates.
Estrutura
A construção da estrutura “The Claw” passou a chamar atenção no fim de maio, quando começou a ser vista acima da sala de imprensa da Casa Branca. Hoje, o equipamento é praticamente impossível de ignorar, mesmo a vários quarteirões de distância.
O presidente do UFC, Dana White, afirmou no programa “The Jim Rome Show” que a organização encontrou na Bélgica uma empresa capaz de fabricar a estrutura.
“É uma grade de iluminação que parece quase uma nave espacial e fica sobre o octógono”, explicou White, referindo-se à tradicional arena octogonal utilizada pelo UFC.
“Ela foi enviada da Bélgica para a Filadélfia, montada e testada lá. Depois foi desmontada, colocada em caminhões e transportada para Washington.”
A preparação para o evento
Diversas atividades estão programadas para os dias que antecedem a luta, que acontecerá no Dia da Bandeira dos Estados Unidos e também no aniversário de 80 anos de Trump.
A programação inclui encontros com atletas atuais e ex-lutadores do UFC, um show da banda Zac Brown Band e a pesagem cerimonial dos atletas. As atividades culminarão em uma grande reunião para assistir ao evento na área conhecida como Ellipse, próxima à Casa Branca.
Quem vai lutar?
O card principal terá como destaque o duelo entre o norte-americano Justin Gaethje e o georgiano Ilia Topuria pelo cinturão dos leves.
Outro combate de destaque colocará o brasileiro Alex Pereira diante do francês Ciryl Gane pela disputa do título interino dos pesos-pesados.
Todas as lutas estão listadas no site oficial do UFC, com informações detalhadas sobre os atletas. O card do UFC Freedom 250 contará com oito lutadores norte-americanos.
Ingressos
Todos os eventos serão gratuitos, mas exigirão ingresso.
O prazo para solicitar entradas para o “UFC Freedom 250 Fan Fest” terminou em 22 de maio, segundo um e-mail enviado pelo UFC aos fãs.
Um funcionário da Casa Branca informou à CNN no mês passado que a procura pelos ingressos é intensa. Um terço das entradas será destinado a militares e seus familiares, outro terço a funcionários da Casa Branca e suas famílias, enquanto o restante ficará reservado para convidados VIP.
Além disso, o UFC distribuirá 200 ingressos para a área do Gramado Sul. Em entrevista à Fox News, Dana White afirmou que cerca de 4.300 pessoas estarão presentes na área principal da luta e que “a maioria será composta por militares”.
Líderes do Pentágono também estão elaborando listas de militares da ativa que poderão participar do evento. No entanto, os ingressos serão concedidos apenas àqueles que cumprirem os padrões militares de composição corporal, segundo memorandos analisados pela CNN e fontes familiarizadas com o processo.
Outros cerca de 85 mil ingressos foram disponibilizados ao público para acompanhar a transmissão do evento na Ellipse.
Em entrevista recente à revista Time, Dana White revelou ter convidado diversas celebridades e atletas, incluindo Tom Brady, Dwayne “The Rock” Johnson, Jared Leto, Guy Ritchie, Adam Sandler, Mario Lopez e Jason Statham.
Quem paga pelo evento?
Diante das perguntas nas redes sociais sobre quem arcaria com os custos, a Casa Branca respondeu rapidamente na plataforma X: “UFC”.
Dana White já havia declarado ao Sports Business Journal, em janeiro, que a organização assumiria todas as despesas do evento.
“Estamos pagando tudo”, afirmou, destacando que a estrutura de iluminação representa uma parte significativa dos custos.
Mark Shapiro, presidente do TKO Holdings Group, empresa proprietária do UFC, afirmou ao Sports Business Journal que, apesar do custo estimado em US$ 60 milhões, o evento representa uma grande oportunidade de exposição para a marca devido à atenção midiática gerada.
O que acontece se chover?
Outro funcionário da Casa Branca afirmou que as condições climáticas são uma preocupação importante, já que o evento será realizado ao ar livre.
A expectativa, porém, é de que a previsão seja favorável.
Em entrevista à Fox News, Dana White admitiu que não gosta de promover lutas em ambientes externos devido à imprevisibilidade do clima. Ainda assim, afirmou que a organização trabalhará em conjunto com as Forças Armadas dos Estados Unidos para monitorar as condições meteorológicas em tempo real.
“Se chover, vamos realizar o evento. Se nevar, também. A única coisa que pode nos impedir são os raios”, disse White. “Estamos trabalhando com os militares, que conseguem prever o clima com dez dias de antecedência. Eles nos atualizarão a cada duas horas a partir de dez dias antes e, na última semana, a cada hora.”
Segundo ele, caso haja risco de tempestades elétricas, o horário poderá ser alterado em até duas horas para mais cedo ou mais tarde.
White também afirmou à Fox que o único evento anterior do UFC realizado ao ar livre ocorreu em Abu Dhabi, em 2010.
Críticas ao evento
A decisão de realizar uma luta do UFC na Casa Branca recebeu críticas de alguns setores políticos.
O gabinete do governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, publicou no X: “Senhor presidente, nós só queremos preços menores para a gasolina”.
A senadora democrata Elizabeth Warren compartilhou uma imagem das obras de preparação e escreveu: “Talvez seja difícil perceber por esta foto da Casa Branca hoje, mas Donald Trump está muito focado em reduzir os custos”.
O apresentador de podcasts Joe Rogan, comentarista do UFC, também classificou a iniciativa como “uma espécie de espetáculo” e um “pesadelo de segurança”, embora tenha confirmado presença no evento.
“Eu estarei lá, mas não estou entusiasmado”, afirmou Rogan. “Simplesmente não me parece uma ideia muito inteligente.”
Em entrevista à revista Time, Trump respondeu às críticas do comentarista.
“No começo pensei: ‘Isso não foi muito gentil’. Depois percebi que é um espetáculo mesmo. A vida é um espetáculo, se você pensar bem. Mas é um bom espetáculo. É algo que nunca mais vai acontecer.”
Rogan também declarou anteriormente em seu podcast que realizar uma luta do UFC durante o conflito envolvendo o Irã seria algo “estranho”.
“Vai haver segurança máxima, muito estresse, e será estranho ter uma luta na Casa Branca em meio a uma guerra”, afirmou.


