Bindilatti se despede em Milão-Cortina e doa capacete ao museu Olímpico

Recordista brasileiro encerra carreira com melhor resultado do país no bobsled

Anna Carolina Gomes, da CNN Brasil
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A delegação brasileira finalizou sua jornada nos Jogos de Inverno de 2026 celebrando marcas inéditas na neve e no gelo. Porém, o desfile de encerramento na Arena de Verona representou um marco ainda maior: a reverência do Comitê Olímpico do Brasil (COB) a Edson Bindilatti, que carregou o a bandeira nacional em sua despedida oficial das competições.

No ápice de sua carreira olímpica, o veterano conduziu o trenó de 4-man ao 19º lugar, o melhor posicionamento da história do país. Aos 46 anos, ele confirmou que sua sexta Olimpíada foi o capítulo final.

"Sinto melancolia por amar tanto o bobsled, após 26 anos de dedicação, mas saio grato. Faria tudo outra vez, mas entendo que o ciclo no alto rendimento precisa terminar, e me preparei para este desfecho", desabafou o atleta.

Presente em todas as edições em que o Brasil classificou o bobsled, desde a estreia em Salt Lake City 2002, Bindilatti atuou em diversas funções, de pusher a piloto, tornando-se um símbolo de persistência.

"Não há barreiras. Se houver vontade real, o resultado vem. Se eu conquistei esse 19º lugar aos 46 anos, qualquer um pode realizar seus sonhos se acreditar", afirmou.

O Brasil também brilhou no telão da arena durante a retrospectiva dos grandes momentos, que destacou o ouro histórico de Lucas Pinheiro Braathen no esqui alpino, a primeira medalha de inverno de toda a América do Sul.

Edson Bindilatti

Pela terceira vez em sua trajetória, Edson Bindilatti teve a honra de empunhar a bandeira do Brasil. Após liderar as delegações nas aberturas de Pyeongchang 2018 e Pequim 2022, o veterano encerrou seu ciclo olímpico como protagonista na Cerimônia de Encerramento em solo italiano.

A relevância do piloto transcende fronteiras: após a final do 4-man em 22 de fevereiro, seu capacete foi doado ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e agora faz parte do acervo do Museu Olímpico em Lausanne, na Suíça.

“Ter esse item eternizado no museu é algo sensacional. Sinto um orgulho imenso de ver a nossa história e o bobsled brasileiro representados lá”, celebrou Bindilatti.
Para ele, o esporte foi a base de sua formação humana e educação ao longo de décadas.

O evento de encerramento também marcou a transição oficial do ciclo olímpico. A bandeira foi entregue por Kirsty Coventry (COI) às autoridades da França, que receberá os Jogos de Inverno de 2030 nos Alpes Franceses. Será um retorno histórico ao país que sediou a edição inaugural em 1924, marcando a quarta vez que o território francês abriga o evento.

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