"Competir com russos é inaceitável", questiona atleta ucraniana nos Jogos

Sofiia Shkatula saiu em defesa do ucraniano que foi desclassificado em Milão-Cortina após o uso de capacete onde homenageava os compatriotas mortos na guerra com a Rússia

Leonardo Martins, da CNN Brasil
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A desclassificação do ucraniano Vladyslav Heraskevych na prova de skeleton, nesta quinta-feira (12), segue repercutindo nos Jogos Olímpicos de Inverno em Milão e Cortina, na Itália.

Sofiia Shkatula, atleta de esqui cross-country e compatriota de Heraskevych, mostrou indignação com a decisão da Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton (IBSF), e questionou a presença dos russos na competição.

"Enquanto ele está desclassificado, os atletas russos podem participar da corrida. Eles recebem apoio. Isso é simplesmente injusto. Normalmente, eles não teriam permissão para competir contra nós aqui”, declarou ao jornal alemão "Bild".

"A Rússia representa a guerra e o terrorismo. Mataram crianças, adultos, bombardearam as nossas casas e destruíram a minha. Agora, ter de competir contra os seus atletas é simplesmente inaceitável", acrescentou.

Apesar da revolta, Sofiia Shkatula descarta qualquer boicote por parte dos atletas da Ucrânia em Milão-Cortina 2026.

"Um boicote após a decisão do COI nunca foi uma opção para nós. Temos que mostrar ao mundo que somos fortes e que venceremos no final", finalizou.

Rússia "neutra" na Olimpíada

Antes dos Jogos, 13 atletas nascidos na Rússia e 7 de Belarus foram autorizados pelo COI a competir como Atletas Individuais Neutros (AINs).

A participação deles é baseada no cumprimento de diretrizes rigorosas enviadas pelo órgão olímpico, que inclui a assinatura de um formulário de Condições de Participação que "contém um compromisso de respeitar a Carta Olímpica, incluindo a missão de paz do Movimento Olímpico."

Os russo e e bielorrussos também precisaram provar que não estão apoiando ativamente a guerra na Ucrânia.

Desclassificação após homenagem aos mortos

O ucraniano Vladyslav Heraskevych foi desclassificado da competição olímpica de skeleton nesta quinta-feira (12) por causa de seu "capacete da lembrança", que retrata atletas mortos desde a invasão russa.

O atleta de 27 anos, que vinha treinando na Itália com um capacete estampado com os nomes de dezenas de compatriotas mortos, foi impedido de competir e inicialmente informado de que teria sua credencial cassada minutos antes do início da competição no local das provas.

O COI, no entanto, afirmou posteriormente que Heraskevych foi autorizado a manter suas credenciais e permanecer nos Jogos de Milão-Cortina depois que a presidente Kirsty Coventry pediu à Comissão Disciplinar que "reconsiderasse a retirada" da credencial do atleta.

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