'Estratégia era fazer os 200m livre da minha vida', diz Scheffer sobre bronze
Nadador brasileiro, que chegou à final com o 8º melhor tempo e acabou em 3º, destacou ainda a 'energia surreal' de competir com os melhores atletas do mundo
Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (28), o nadador Fernando Scheffer, que levou a medalha de bronze na disputa dos 200m livre na natação nas Olimpíadas de 2020, contou que sua estratégia para competir era fazer o seu melhor, sem pensar em medalha.
"A gente vinha treinando muito bem, durante o aquecimento eu estava muito bem, e a cada queda na água eu me sentia melhor. Durante a prova, em nenhum momento pensei em medalha, em colocação, no tempo. A minha estratégia era fazer o melhor 200m livre da minha vida e pensar puramente na minha performance. E acho que deu super certo, e o que veio disso foi consequência”, falou o atleta.
Scheffer passou à final com o 8º tempo e tinha uma inspiração clara num ícone da natação brasileira: em 1996, Gustavo Borges, até então o único brasileiro a ter sido finalista desta prova, tinha o sétimo melhor tempo, mas cresceu na hora decisiva e saiu com a prata.
Durante a entrevista, o nadador também falou sobre o nervosismo e a ansiedade de estar nos Jogos.
“É tudo muito grandioso, a energia é surreal, são os melhores atletas do mundo inteiro. É uma coisa extremamente especial e saber lidar com o nervosismo e a tensão faz parte da competição e do nosso resultado", disse.
"Quando a gente se percebe e entende que também fazemos parte dos grandes nadadores do planeta, passamos a confiar mais na gente.”

Inteligência emocional
Na edição desta quarta-feira (28) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou os impactos da pressão em atletas olímpicos.
Estrela norte-americana da ginástica artística, Simone Biles desistiu de competir na final do individual geral da ginástica, nas Olimpíadas. Após avaliação médica, a atleta de 24 anos decidiu focar na saúde mental.
Biles já tinha desistido de competir na final por equipes, após um desempenho abaixo do esperado na prova de salto. A ginasta afirmou que não queria continuar e preferiu se resguardar.
O médico comentou a pressão psicológica para a saúde mental dos atletas, que se cobram constantemente por performances excelentes.
"Um atleta profissional de alta performance precisa sempre trabalhar com dois tipos de inteligências: uma corporal sinestésica, que é a habilidade de conseguir orquestrar movimentos físicos coordenados, e a inteligência emocional", explicou Gomes.
Segundo o neurocirurgião, a necessidade de conciliar os preparos do treino e gerenciar desconfortos durante as provas são essenciais para atletas conseguirem lidar com a frustração de resultados abaixo do esperado.
"A questão de ser difícil ter sempre um excelente desempenho pode provocar alterações na saúde mental e, por isso, muitas vezes acaba sendo difícil [para os profissionais esportivos]", avaliou.
"Em algum momento, a pessoa chega a confundir no psicológico o que ela faz com o valor que ela tem para si mesma e para os outros. É como se a autoestima dela dependesse totalmente do bom desempenho – se ela não tem um desempenho, no mínimo, excelente, ela não vale nada", explicou Fernando Gomes.