Estreante, Bruna Moura superou grave acidente para chegar à Olimpíada
Brasileira representou o país no esqui cross-country e terminou na 74ª colocação

No dia 27 de janeiro de 2022, o caminho de Bruna Moura rumo aos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022 foi interrompido por um grave acidente de carro, que a afastou da competição e lançou incertezas sobre a continuidade de sua carreira.
O veículo em que a atleta estava colidiu com um caminhão. O motorista, que conduzia uma van da Áustria para a Alemanha, morreu no local.
Bruna se recuperava da Covid-19 e seguia viagem para realizar um teste RT-PCR, exigido para embarcar rumo à China. Ela sofreu fraturas no braço, nos pés e nas costelas e foi levada de helicóptero para Bolzano, na Itália, onde ficou hospitalizada.
À época, a paulista acabou substituída por Eduarda Ribera na delegação brasileira em Pequim.
Estreia olímpica
Quatro anos depois do acidente, aos 31 anos, Bruna finalmente fez sua estreia olímpica nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026, na disputa do sprint livre do esqui cross-country.
Mesmo sem avançar às quartas de final, Bruna classificou a prova como a mais importante de sua vida.
“Eu finalmente posso dizer que sou uma atleta olímpica. Estou muito feliz. Sei que não fui a melhor brasileira, parabéns para a Duda. Mas, sinceramente, não importa. Desculpa se não consegui colocar o Brasil no topo do ranking das nações ‘menores’, como eu gostaria, mas essa foi a prova da minha vida. Esperei tanto por isso, lutei tanto por isso. Foi um caminho tão difícil… e realizar isso agora me deixa muito feliz”, disse em entrevista ao SporTV, nesta terça-feira (10).
Longa jornada
O acidente, porém, não foi o único obstáculo enfrentado pela atleta de Caraguatatuba, no litoral de São Paulo. Em 2011, Bruna foi diagnosticada com comunicação interatrial (CIA), uma condição cardíaca congênita.
Dois anos depois, Jaqueline Mourão, atleta com oito participações olímpicas, ajudou Bruna a ingressar em uma pesquisa que custeou a cirurgia.
“Depois do diagnóstico, entrei em depressão. Não conseguia nem olhar ciclistas treinando na rua, virava a cara. Ouvir do médico que eu não poderia praticar esporte, sob o risco de morte súbita, tirou o meu chão”, relembrou Bruna, em entrevista ao Olympics.
Anos mais tarde, a atleta sofreu outro baque com a morte da avó, o que agravou o quadro depressivo.
“Eu não queria fazer nada. Não tinha forças. Não conseguia sair de casa”, contou. A dor, no entanto, acabou se transformando em motivação.
“Eu precisava voltar ao esporte, porque minha vó tinha muito orgulho de mim. Ela sabia o quanto eu queria essa vaga”, completou.
Nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026, Bruna Moura ainda disputará outras duas provas pelo Brasil no esqui cross-country: o sprint por equipes e a prova dos 10 km.




