
Milão-Cortina ajusta últimos ensaios para abertura da Olimpíada de Inverno
Cerimônia inédita será dividida entre arenas urbanas e estações de esqui
A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 entra na fase final de preparação. Ensaios ocorrem em uma estrutura temporária ao lado do estádio San Siro, em Milão, com a participação de centenas de bailarinos e voluntários.
Mais de 1.300 artistas, sendo cerca de 1.200 voluntários de 27 países, se preparam há meses. Faltando uma semana para o evento, marcado para 6 de fevereiro, os ensaios passam do espaço provisório para o interior do estádio.
O espetáculo não ficará restrito a Milão. Cortina d’Ampezzo, Livigno e Predazzo também farão parte da cerimônia, no que os organizadores chamam de primeira “cerimônia distribuída” da história olímpica.
O diretor criativo Marco Balich afirmou que o conceito do show é inspirado na ideia grega de “harmonia”, que une cidade e montanha, homem e natureza, além das diferentes culturas do evento.
“Vinte anos depois de Turim, é um país diferente e um mundo diferente”, disse Balich. “Hoje, queremos mostrar que a Itália, embora pequena, influenciou hábitos globais por meio do design, da moda e da comida.”
A cerimônia também buscará renovar mensagens de paz e valores humanos compartilhados. Segundo Balich, o palco olímpico será usado para reconhecer esse legado histórico e cultural do país.
Identidade italiana
O espetáculo vai destacar a história e a identidade italianas em linguagem contemporânea.
“A cerimônia também deve fazer as pessoas sorrirem”, disse Maria Laura Iascone, diretora de Cerimônias da Fundação Milano Cortina.
Os figurinos terão papel central. O designer Massimo Cantini Parrini coordenou a criação de mais de 1.400 peças desde agosto. “Levamos a ‘italianidade’ o mais longe possível”, afirmou, citando referências históricas.
Haverá ainda uma homenagem ao estilista Giorgio Armani, morto em 2025, e referências a figuras como Leonardo da Vinci e Cristóvão Colombo. Segundo Iascone, tudo será tratado “de forma leve e elegante, sem intenção de provocar”.
Apresentações de peso
A música será um dos destaques, com Andrea Bocelli, Mariah Carey, Laura Pausini e o rapper Ghali. Entre as autoridades presentes estarão o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio.
O presidente da Itália, Sergio Mattarella, receberá uma homenagem especial. Alguns momentos da cerimônia seguem sob sigilo, segundo os organizadores.
Balich disse que manter a atenção do público por duas horas e meia é um desafio. A resposta, segundo ele, está na “emoção feita na Itália”. “Se isso impede as pessoas de olhar o celular? Impossível dizer.”
O protocolo do COI será mantido, incluindo o desfile das delegações e a celebração da paz. As equipes desfilarão em ordem alfabética, divididas entre os quatro locais para reduzir deslocamentos.
Pela primeira vez, duas piras olímpicas serão acesas simultaneamente: uma no Arco della Pace, em Milão, e outra na Piazza Dibona, em Cortina. “Será um espetáculo dentro do espetáculo”, disse Iascone.
A cerimônia também deve marcar a despedida histórica do San Siro, que será desativado após a construção de um novo estádio. “Nesta noite, o estádio não ecoará cantos de futebol, mas a emoção do espírito olímpico”, afirmou a diretora.


