Seleção dos EUA vira a página e mira ouro após trauma olímpico no hóquei

Lesão histórica inspira mudança de postura da equipe feminina nos Jogos Olímpicos de Inverno

Amy Tennery, da Reuters
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Os Estados Unidos tentam apagar a lembrança da grave lesão que transformou o sonho olímpico em um pesadelo há quatro anos, adotando a mentalidade do “próximo a assumir” para atravessar a pressão dos Jogos.

Uma das maiores jogadoras da história a vestir a camisa americana, a integrante do Hall da Fama Brianna Decker deixou o gelo de maca poucos minutos após o início da estreia dos EUA nos Jogos de Pequim, em 2022, depois de colidir com uma adversária atrás do gol.

Os piores temores dos torcedores se confirmaram quando a atacante, campeã olímpica, foi descartada para o restante do torneio. A seleção norte-americana não conseguiu retomar seu melhor nível, com um desempenho irregular no power play comprometendo a campanha.

As então campeãs olímpicas acabaram derrotadas de forma amarga pelas rivais canadenses na final do ouro, e Decker se aposentou do esporte um ano depois.

“Nós atravessamos o torneio lidando com uma perda enorme de talento para a nossa equipe. Isso foi realmente difícil”, afirmou Hilary Knight, que disputará sua quinta Olimpíada, agora em Milão.

“Isso nos ensinou essa mentalidade de que o próximo precisa assumir. É preciso corresponder ao momento, preencher espaços, ser adaptável e jogar o torneio de acordo com o ritmo que ele apresenta”.

Manter-se fisicamente apta é, por si só, um desafio. A crescente popularidade e o aumento do nível do hóquei feminino levaram à ampliação do torneio, com as atletas passando mais tempo no gelo.

Lesões nos Jogos

Em 2022, dez seleções participaram da competição, contra oito em 2018. O Canadá, campeão olímpico em Pequim, disputou sete partidas, enquanto os Estados Unidos jogaram cinco jogos quando conquistaram o ouro em 2018.

Cerca de 30% dos atletas norte-americanos, considerando todas as modalidades, encerram os Jogos lesionados ou doentes, segundo o diretor médico do Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA (USOPC), Jonathan Finnoff. De acordo com ele, o USOPC levará 15 pallets de suprimentos médicos para a Itália.

Angela Ruggiero, que conduziu os EUA ao ouro em 1998 e disputou quatro Olimpíadas, destacou a importância da preparação mental para lidar com imprevistos.

“No momento em que você perde uma jogadora como a Decker, todo mundo sabe que isso tem um impacto enorme no time. Mas, ao mesmo tempo, é tudo um jogo mental. Você precisa entrar pensando que qualquer uma pode fazer isso, qualquer uma pode jogar, qualquer uma pode receber o chamado”, disse à Reuters.

“A química é uma parte fundamental. Não dá para minimizar o impacto que uma jogadora assim teve no time. Você gostaria de acreditar que dá para se ajustar rapidamente, mas é difícil”.

Caroline Harvey, a atleta mais jovem do elenco dos EUA em 2022, afirmou que a seleção já deixou Pequim para trás.

“Nós perdemos, ficamos abaixo do esperado, mas desta vez vai ser diferente e queremos trazer o ouro de volta para os Estados Unidos”, concluiu.

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