Exame antidoping: entenda como é feito e quais são as consequências

Descubra a importância do exame antidoping no esporte, saiba como ele funciona, as substâncias detectadas e as consequências para atletas que violam as regras

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Os bastidores do esporte de alto rendimento são cercados de desafios, expectativas e, por vezes, polêmicas que vão além das competições em si.

A busca pelo aprimoramento físico e pelo desempenho ideal leva atletas e equipes a explorarem os limites do corpo humano, mas para garantir que os jogos continuem justos, há uma ferramenta para isso: o exame antidoping.

Ele parte da premissa de fair play, na qual a honestidade precisa fazer parte da competição.

Além de ser uma prática rigorosa, precisa e punitiva, o antidoping — e os resultados obtidos — pode ter um impacto significativo na carreira dos atletas e na reputação de suas equipes.

A seguir, entenda mais sobre esse exame e como ele funciona.

O que é o exame antidoping?

O exame antidoping é uma avaliação realizada em atletas para identificar a presença de substâncias ou métodos proibidos que possam melhorar o desempenho esportivo de forma artificial.

Esses testes são aplicados tanto durante as competições — a exemplo das olimpíadas — como fora delas, com o objetivo de assegurar a integridade e a igualdade no esporte.

Os exames podem ser conduzidos de forma aleatória, seguindo critérios estabelecidos pelas entidades reguladoras, ou em casos específicos quando há suspeita de violação das normas antidoping.

O objetivo do teste antidoping é assegurar que todos os competidores estejam em igualdade de condições e que o desempenho seja resultado do treinamento e habilidade, e não do uso indevido de substâncias que possam melhorar o desempenho artificialmente.

Significado de doping

Doping é o termo utilizado para descrever a prática ilegal de usar substâncias ou métodos proibidos para melhorar o desempenho esportivo.

Ele acontece por meio da ingestão, injeção ou uso de outras formas de administração de substâncias proibidas.

Além de comprometer a igualdade e a integridade do esporte, o doping também pode colocar em risco a saúde dos atletas, uma vez que muitas das substâncias utilizadas têm efeitos colaterais graves e podem causar danos irreversíveis.

Porque existe o exame antidoping?

Os exames antidoping desempenham um papel crucial na manutenção da integridade e do espírito esportivo no mundo dos esportes.

Segundo a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), o teste antidoping se baseia em três princípios:

  • igualdade: promover mesmas condições na competição, afinal, ao assegurar que todos os competidores estão sem o uso de substâncias ou métodos proibidos, os resultados das competições são baseados no talento, esforço e dedicação;
  • saúde: proteger a saúde física e psicoemocional dos atletas, uma vez que substâncias proibidas pode trazer consequências graves e duradouras para o corpo e a mente dos esportistas;
  • ética: garantir o comportamento ético de todos os participantes (dos atletas aos patrocinadores do evento), contribuindo para a preservação da imagem e da reputação do esporte como um todo — aqui, o fair play é visto como uma filosofia.

Como funciona o exame antidoping?

Seja para garantir a igualdade entre competidores ou proteger a saúde dos atletas, esse exame é uma prática padrão do mundo esportivo. Mas como é feito o exame antidoping?

O teste antidoping geralmente começa com a coleta de amostras biológicas dos atletas, que podem ser de sangue ou urina.

A escolha do tipo de amostra a ser coletada depende das substâncias que estão sendo testadas e das diretrizes estabelecidas pelas organizações esportivas responsáveis.

Essas amostras devem ser analisadas em laboratórios credenciados pela Agência Mundial Antidoping (WADA, na sigla em inglês). O Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD) é o único certificado pela agência na América do Sul.

Caso a amostra utilizada seja urina, uma análise acontece em busca de substâncias, metabólitos ou marcadores listados como proibidos pela WADA-AMA. A coleta da amostra é feita por um ou uma Oficial de Controle de Doping (DCO).

Já no caso da amostra ser sangue, a análise é focada em agentes que afetam a produção de células vermelhas do sangue, como os ESAs, além do hormônio de crescimento (GH) e do passaporte biológico do atleta.

A coleta da amostra é feita por um ou uma Oficial de Controle de Doping de Sangue (BCO).

Após a coleta, as amostras são enviadas para laboratórios credenciados pela Agência Mundial Antidopagem (WADA), onde se analisa cuidadosamente em busca de substâncias e métodos proibidos.

Se um resultado positivo for confirmado, o atleta e a entidade responsável recebem uma notificação e o caso vai para as instâncias competentes, que determinarão as possíveis sanções e consequências.

Como funciona o exame antidoping para menores de idade?

Embora os menores de idade também estejam sujeitos às regras antidoping, as organizações esportivas e os órgãos responsáveis reconhecem a necessidade de proteger o bem-estar desses jovens atletas.

Por isso, o processo do exame para menores de idade segue diretrizes específicas, assegurando que os direitos e a integridade dos jovens sejam respeitados.

O procedimento para a realização do exame antidoping em menores de idade é semelhante ao dos adultos, envolvendo a coleta de amostras de urina ou sangue e a análise em laboratórios credenciados.

No entanto, é preciso obter o consentimento do menor de idade e de seus responsáveis legais antes de sua realização. A ausência desse consentimento pode invalidar os resultados do teste.

Durante a coleta, o menor de idade deve ser acompanhado por um responsável legal ou por um representante designado por ele — esta delegação costuma acontecer no momento da filiação do atleta menor ou no início da temporada.

Esse acompanhante deve estar presente em todas as etapas do processo, garantindo a segurança e o conforto do jovem atleta. A notificação também deve ser feita a um adulto responsável.

Quem precisa fazer testes antidoping?

Qualquer atleta que faz parte do campeonato pode ser convidado a fazer o teste, pois ele ocorre de forma aleatória.

O que pode ser pego no antidoping?

O movimento antidoping no esporte abrange uma ampla gama de substâncias e métodos proibidos. Mas o que pode ser pego no antidoping?

A Agência Mundial Antidopagem (WADA) publica anualmente a lista de substâncias e métodos proibidos, que é dividida em várias categorias. Essa é a lista de substâncias proibidas pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ACBD) de 2022.

Algumas das principais incluem:

  • estimulantes: substâncias que agem no sistema nervoso central, melhorando o estado de alerta e a capacidade de concentração do atleta. Entre os estimulantes mais conhecidos estão a anfetamina e a cocaína. O uso de estimulantes é proibido devido aos riscos à saúde, como a possibilidade de dependência e problemas cardiovasculares;
  • anabolizantes: substâncias que aumentam a massa muscular e a força do atleta, como os esteróides. O uso de anabolizantes é proibido devido aos efeitos adversos à saúde, como problemas hepáticos, cardiovasculares e alterações hormonais;
  • diuréticos e agentes mascarantes: substâncias que aumentam a produção de urina, podendo alterar a concentração de outras substâncias no organismo e dificultar a detecção de proibidos. O uso desses compostos é proibido porque pode encobrir a presença de outras substâncias ilícitas e, ainda, causar desidratação e desequilíbrios eletrolíticos;
  • betabloqueadores: substâncias que reduzem a pressão arterial e a frequência cardíaca, podendo melhorar a precisão e a estabilidade em algumas modalidades esportivas. O uso de betabloqueadores é proibido devido à possibilidade de proporcionar vantagem competitiva injusta e aos riscos à saúde, como hipotensão e bradicardia;
  • hormônios peptídicos e substâncias relacionadas: compostos que podem melhorar a recuperação, o crescimento muscular e a produção de energia no organismo, como a eritropoietina (EPO) e o hormônio do crescimento (GH). Essas substâncias são proibidas devido aos riscos à saúde, como aumento do risco de trombose e problemas cardíacos.

Essas são apenas algumas das categorias de substâncias e métodos proibidos a título de exemplo.

Vale lembrar que como a lista é constantemente atualizada, os atletas devem estar sempre informados para evitar o uso inadvertido de novas substâncias e métodos banidos.

Quais são as consequências para os atletas pegos no exame antidoping?

A descoberta de um resultado positivo no antidoping pode trazer consequências significativas para a carreira de um atleta.

Caso se encontre a presença de alguma substância proibida, o atleta pode ser sancionado e até mesmo banido do esporte, dependendo da gravidade da infração. Por exemplo, a intenção do atleta e o tipo de substância influencia diretamente nisso.

A seguir, entenda algumas das principais consequências.

Suspensão temporária ou definitiva

Uma das principais consequências para os atletas que são pegos neste exame é a suspensão temporária ou, em casos mais graves, a suspensão definitiva da prática esportiva.

O período de suspensão varia de acordo com a gravidade da infração e as circunstâncias específicas do caso.

Perda de títulos e medalhas

Quando um atleta é pego no exame antidoping, ele pode ser obrigado a devolver títulos, medalhas e prêmios conquistados durante o período em que fez uso de substâncias ou métodos proibidos.

Essa medida visa garantir a justiça e a igualdade de condições entre os competidores.

Danos à imagem e reputação

O resultado positivo no exame pode causar danos irreparáveis à imagem e à reputação do atleta, prejudicando suas oportunidades futuras de patrocínio e afetando sua relação com a mídia, a torcida e outros atletas.

Obrigações educativas

Em alguns casos, os atletas que são pegos podem ser obrigados a participar de programas educativos sobre antidoping, com o objetivo de conscientizá-los sobre os riscos do uso de substâncias e métodos proibidos.

Reabilitação e acompanhamento médico

Dependendo da substância ou método proibido utilizado, o atleta pode precisar passar por um programa de reabilitação e acompanhamento médico para tratar possíveis problemas de saúde decorrentes do uso de substâncias proibidas.

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