Entenda o que é impedimento no futebol

Cobrança considera posicionamento e influência do jogador para definir a irregularidade; entenda como funciona

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O impedimento é uma das regras que desperta mais dúvidas no futebol, tanto para os torcedores como para os árbitros em campo.

As movimentações dos jogadores acontecem em frações de segundos e pode ser complexo julgar alguns lances com agilidade, o que pode levar a erros de arbitragem.

Para facilitar a interpretação das jogadas, mecanismos como a arbitragem de vídeo, o VAR, foram criados com o objetivo de auxiliar os árbitros e garantir maior transparência nas marcações.

No Campeonato Brasileiro de 2023, por exemplo, a CBF anunciou a decisão do favorecimento ao ataque nos casos de posicionamento em que a linha do atacante (analisada pela VAR) ficar sobreposta à linha do zagueiro.

Nesta temporada, os árbitros também devem comunicar a sua decisão ao estádio, em áudio e vídeo, após a revisão do VAR.

O que é impedimento no futebol?

Quando um impedimento é marcado no futebol, significa que o jogador não está apto a dar andamento na jogada. O motivo para isso é o seu posicionamento em campo no momento do lance.

No entanto, mesmo que um jogador esteja na posição de impedimento, a punição é marcada apenas quando esse atleta tem alguma influência no lance em curso.

Ou seja, se um jogador está com a bola e não envolve o companheiro com posicionamento irregular na jogada, a partida pode prosseguir.

Para definir quando marcar ou não essa regra do futebol, a arbitragem deve considerar esses fatores, assim como os requisitos da norma propriamente dita.

Qual é a regra de impedimento?

Entre as regras do futebol, a do impedimento é a de número 11. A norma foi criada em 1863 pela Football Association, com o objetivo de evitar um posicionamento muito próximo à área adversária, o que poderia facilitar o contra-ataque.

Sem essa norma, um jogador ofensivo poderia avançar para o gol adversário mesmo quando o jogo está acontecendo do outro lado do campo.

Isso aumentava as chances de atletas ficarem no aguardo de um passe nessa posição mais estratégica, próxima ao gol.

A ideia foi, portanto, garantir dinamicidade a partida, incentivando a competitividade, as jogadas estratégicas e as habilidades dos jogadores.

Segundo a regra, as duas condições principais para aplicar a punição ao jogador são o posicionamento e a interferência no lance em andamento.

Ao longo dos anos, a regra passou por reformulações até chegar ao modelo utilizado nas partidas atualmente.

A última alteração aconteceu em 2005, quando ficou determinado que apenas as partes do corpo que podem tocar a bola (pés, corpo e cabeça) contam para aplicação da infração.

Sendo assim, toques de mãos e braços não configuram um jogador impedido.

Hoje, a norma é prevista pelo regulamento do Conselho da Associação Internacional de Futebol da Fifa.

Quando deve ou não ser marcado?

A marcação dessa regra pode ser complexa, pois não considera apenas o posicionamento irregular do jogador, mas também o contexto do lance e o envolvimento do atleta impedido neste momento da partida.

Essa irregularidade deve acontecer quando o jogador em posição equivocada interfere no andamento do lançamento de alguma forma.

De maneira geral, as possíveis situações de interferência, que levam a arbitragem a paralisar o jogo e marcar a infração, são:

  • o jogador pode obter vantagem de seu posicionamento irregular contra o adversário;
  • o jogador atrapalha o adversário de alguma forma, impedindo a sua movimentação, por exemplo;
  • o jogador impedido participa ativamente da jogada, ao tocar a bola (mesmo que involuntariamente), por exemplo.

Ou seja, a arbitragem pode interpretar como impedido um jogador que tem influência direta ou indiretamente da jogada.

Um exemplo em que a penalidade pode ser marcada a partir da interferência indireta do jogador é quando ele não toca na bola, mas está bloqueando o campo de visão do goleiro quando ocorre um chute de fora da área.

Essa interpretação também pode ser aplicada caso o atleta impeça o adversário de jogar, mesmo sem tocar a bola, como ao bloquear o oponente com o corpo.

Outro momento em que a aplicação pode ser válida é quando o jogador está posicionado atrás do goleiro ao receber a bola.

Por outro lado, existem ocasiões em que a infração não deve ser marcada. Os casos acontecem quando o jogador recebe a bola de três tipos de cobrança:

  • escanteio;
  • tiro de meta;
  • arremesso lateral.

Além disso, vale ressaltar que a regra 11 do futebol não considera toques na bola por partes do corpo que, pelas diretrizes do esporte, não podem tocá-la, como as mãos e os braços.

Também não é considerada posição irregular quando o jogador está alinhado com o penúltimo ou com os dois últimos adversários.

Posições de impedimento

A regra define as posições a serem consideradas irregulares, que podem garantir vantagem ao atacante contra o time oponente.

O jogador precisa estar na metade do campo de ataque para que a infração seja aplicada, com exceção da linha de meio de campo.

Neste contexto, os posicionamentos irregulares são os seguintes:

  • jogador mais próximo da linha de fundo do que a bola;
  • nenhum ou apenas um atleta adversário está mais próximo da linha de fundo do que o atacante.

Essas posições consideram todas as partes do corpo que podem tocar a bola. Portanto, se um jogador recebe o passe de cabeça, mas tem um pé posicionado de maneira irregular, por exemplo, o lance pode ser anulado.

Nos casos em que o time adversário é favorecido, o árbitro pode dar seguimento ao lance. Isso acontece, por exemplo, quando o time da defesa consegue retomar a posse de bola.

Quais são as punições para um impedimento?

Ao identificar a irregularidade, que é considerada uma falta leve, o árbitro deve conceder um tiro livre indireto para o time adversário. A cobrança é feita no local onde o atleta estava no momento em que a infração foi marcada.

Quando a penalidade é marcada dentro da grande área, o time favorecido pode cobrar em qualquer local, desde que dentro da área.

O julgamento é minucioso, por isso o uso da tecnologia com o VAR, utilizado pela primeira vez em 2016, tende a servir como um suporte ao time de arbitragem.

Antes das mudanças para o Campeonato Brasileiro, a Fifa havia anunciado o impedimento semiautomático para a Copa do Mundo de 2022.

A tecnologia foi aplicada com o objetivo de agilizar a checagem do árbitro assistente de vídeo e, dessa forma, manter a bola rolando por mais tempo.

Por meio de múltiplos sensores espalhados pelo campo e na bola, o sistema permite detectar com precisão o ponto do chute, além de apresentar de forma automática a posição do jogador em relação a linha considerada para a infração.

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