
Premiê da Espanha quer exclusão de Israel de competições esportivas
Declarações aconteceram após o cancelamento da Volta da Espanha, em meio a protestos pró-Palestina

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou nesta segunda-feira (15) que Israel e Rússia deveriam ser banidos de competições esportivas internacionais até que cessem os “atos bárbaros” cometidos por ambos os países, em referência às guerras na Ucrânia e em Gaza.
A declaração veio um dia após protestos pró-Palestina interromperem a última etapa da Volta da Espanha (La Vuelta), em Madri, forçando o cancelamento da cerimônia de pódio e encerrando de forma caótica uma das principais competições de ciclismo do calendário europeu.
"Israel não pode continuar a usar plataformas internacionais para limpar sua imagem", disse Sánchez.
Protestos interrompem La Vuelta
A prova foi interrompida na tarde de domingo (14), quando os ciclistas se aproximavam do centro da capital espanhola. Manifestantes pró-Palestina bloquearam o percurso em diversos pontos, derrubando barreiras metálicas e desafiando a ação policial. Os confrontos resultaram em dois manifestantes presos e 22 policiais feridos, segundo o governo da Espanha.
A equipe organizadora confirmou o fim antecipado da corrida. "A corrida terminou", disse um porta-voz, informando também o cancelamento da cerimônia oficial. O dinamarquês Jonas Vingegaard foi declarado vencedor, celebrando discretamente no banco traseiro do carro da sua equipe.
Mais de mil policiais foram mobilizados em Madri para garantir a segurança na etapa final da corrida, o maior contingente desde a realização da Cúpula da OTAN na cidade, em 2022.
A etapa final da Volta a Espanha foi cancelada domingo, depois de grandes protestos pró-Palestina em Madrid inviabilizarem a linha de chegada e o pódio preparado pra premiação.
Há semanas, manifestantes espanhóis têm criticado o torneio pela presença de uma equipe israelense. pic.twitter.com/p6ZtENaDs6
— Copa Além da Copa (@copaalemdacopa) September 16, 2025
Reações políticas
Pedro Sánchez disse admirar “o povo espanhol que se mobiliza por causas justas como a da Palestina” e elogiou os protestos realizados durante a prova. A fala do premiê provocou reações imediatas.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, criticou duramente Sánchez em uma postagem na rede X (antigo Twitter). “Ele e seu governo são uma vergonha para a Espanha”, escreveu. “Hoje ele incentivou os manifestantes a irem às ruas. A turba pró-Palestina ouviu as mensagens de incitação — e arruinou a corrida La Vuelta.”
As manifestações miraram especificamente a equipe Israel-Premier Tech, que participava da competição. Houve relatos de ciclistas ameaçando abandonar a prova nos últimos dias por questões de segurança, após bloqueios em etapas anteriores e quedas causadas por interrupções nas rotas.
Conflito em Gaza impacta esporte
O conflito entre Israel e o grupo Hamas, que já dura quase dois anos, tem provocado manifestações em várias partes do mundo e impactado eventos esportivos. Na última semana, sete enxadristas israelenses se retiraram de um torneio na Espanha após serem informados de que não poderiam competir sob a bandeira de Israel — os organizadores declararam solidariedade ao povo palestino.
Desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 — que deixou 1.200 mortos e resultou no sequestro de 251 pessoas, segundo dados israelenses —, as forças armadas de Israel têm conduzido operações intensas em Gaza. Segundo autoridades locais, mais de 64 mil palestinos foram mortos desde então.
Tensão política interna
As declarações de Sánchez também geraram críticas dentro da Espanha. O prefeito de Madri, José Luis Martínez-Almeida, afirmou que o primeiro-ministro foi “diretamente responsável” pela violência, ao incentivar os protestos com seus comentários. “Hoje é o dia mais triste desde que me tornei prefeito desta grande cidade”, declarou.
Já o líder do partido de extrema-direita Vox, Santiago Abascal, atacou duramente Sánchez. “O psicopata levou suas milícias às ruas. Ele não se importa com Gaza, não se importa com a Espanha, não se importa com nada. Mas quer violência nas ruas para se manter no poder”, escreveu nas redes sociais.
A ministra da Saúde, Mónica García, por outro lado, elogiou os manifestantes e chamou a Espanha de “farol global na defesa dos direitos humanos”. “O povo de Madri se une a dezenas de protestos em todo o país e interrompe pacificamente o fim de uma corrida que nunca deveria ter sido usada para limpar a imagem de um genocídio”, afirmou em publicação na rede Bluesky.
Esta é a primeira vez desde 1978 que uma das três grandes voltas do ciclismo mundial tem sua etapa final cancelada por protestos políticos. Naquele ano, a Vuelta também foi interrompida por separatistas bascos em San Sebastián.


