Sawe ignora polêmica sobre “super tênis” após alcançar recorde em maratona
Queniano quebra a barreira das duas horas com ajuda de “super tênis” e reacende debate sobre tecnologia no esporte
O queniano Sabastian Sawe fez história ao se tornar o primeiro homem a completar uma maratona oficial em menos de duas horas, vencendo a London Marathon com o tempo de 1h59min30s.
Após o feito, ele descartou críticas de que seus tênis representariam uma forma de “doping mecânico”.
Aos 31 anos, Sawe superou uma das marcas mais simbólicas do atletismo e ainda bateu o recorde mundial anterior (2h00min35s), que pertencia ao falecido Kelvin Kiptum desde 2023.
Correndo com o modelo Adizero Adios Pro Evo 3, o atleta destacou o conforto e a leveza do calçado como diferenciais. Ainda assim, foi direto ao responder às críticas: o tênis é aprovado pelas regras e, para ele, não há dúvidas sobre sua legitimidade.
A prova masculina foi mais um capítulo na crescente discussão sobre a influência da tecnologia no atletismo. Nos últimos anos, a evolução dos chamados “super tênis” tem redefinido os limites da modalidade.
Na disputa feminina, a etíope Tigst Assefa também brilhou ao vencer e quebrar seu próprio recorde mundial em provas exclusivas (sem marcapassos masculinos), com o tempo de 2h15min41s, usando o mesmo modelo.
Já o recorde mundial absoluto feminino segue com a queniana Ruth Chepng'etich, que marcou 2h09min56s em Chicago, em 2024. No entanto, sua trajetória recente gerou controvérsia após uma suspensão por doping em 2025, o que levantou dúvidas entre fãs sobre a credibilidade de resultados no esporte.
Por décadas, correr uma maratona abaixo de duas horas era considerado um limite fisiológico praticamente inatingível. Os recordes evoluíam lentamente, muitas vezes por segundos. Porém, nos últimos anos, passaram a cair de forma acelerada.
O ponto de virada veio com a introdução de calçados tecnológicos da Nike, que inspiraram uma corrida entre marcas. Estudos independentes apontam ganhos de 2% a 4% na economia de corrida, o suficiente para transformar resultados em uma prova de 42,195 km.
Tecnologia no atletismo
A World Athletics tentou conter o avanço em 2020, impondo limites à espessura do solado e ao número de placas de carbono, sem proibir a tecnologia.
Mesmo assim, a prova de Londres mostrou o quanto o esporte mudou. O etíope Yomif Kejelcha terminou em segundo lugar com 1h59min41s, tornando-se o “segundo homem” a quebrar a barreira, apenas 11 segundos atrás de Sawe, em sua estreia na maratona.
Defensores da nova era destacam que a inovação sempre fez parte do atletismo. Críticos, por outro lado, argumentam que os tênis atuais interferem diretamente na mecânica do corpo, dificultando comparações com gerações anteriores.


