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    Senhor das camisas tem coleção única com o manto dos 211 países filiados à Fifa

    O primeiro uniforme de outra seleção que teve foi o usado pela França na Copa de 1986

    O jornalista Pablo Aro Geraldes coleciona camisas de time há 35 anos
    O jornalista Pablo Aro Geraldes coleciona camisas de time há 35 anos Instagram

    Elcio Padovez, especial para AE, do Estadão Conteúdo

    O jornalista argentino Pablo Aro Geraldes é uma daquelas pessoas fanáticas por camisas de futebol. Mas ele vai além, muito além. É daqueles que amam tanto os mantos que decidiu fazer da paixão de infância um estilo de vida. Hoje, é uma das pouquíssimas pessoas no mundo a reunir as camisas das 211 seleções associadas à Fifa.

    Pablo se encantou ainda criança com o universo dos mantos. E não só os da Argentina, que ele ganhava dos pais. Se interessava pelas de outros países, e isso o fez ter, ao longo de 35 anos como colecionador, um acervo único.

    Ele conta que o primeiro uniforme de outra seleção que teve foi o usado pela França na Copa de 1986. “Sempre amei aquela camisa azul com o galo dourado. Depois, consegui a da Holanda na Euro de 1988, a da Alemanha da Copa de 1990 e, a partir daí, pensei comigo: será que não posso ter todas as camisas de seleções?”

    Falar isso em 2022 parece fácil, com todo o aparato tecnológico à disposição e facilidades de encontrar uniformes pela internet, seja em sites de vendas online ou em grupos. Agora, imagine começar uma coleção dessas no fim dos anos 1980! A única maneira para tentar acessar itens mais difíceis era enviando cartas, como Pablo costumava fazer para revistas de futebol de vários países e federações.

    Internet boleira

    O acesso à internet, nos anos 90, ajudou o jornalista a conseguir mais contatos em busca de novos itens para a coleção. Pablo também pontua que as três principais fornecedoras de material esportivo, a adidas, Nike e Puma, produziam as camisas de seleções como México e Espanha, e não havia dificuldade em comprá-las.

    A dureza, segundo ele, era acessar os mantos que vestiam países da Ásia, África, Oceania e até mesmo, pequenos países europeus, como País de Gales, e do Caribe.

    Por trabalhar no segmento esportivo, o colecionador conseguiu ampliar a rede de contatos com federações de futebol, outros colecionadores e jogadores, que puderam ajudá-lo em intercâmbios e a conseguir novas camisas, algumas bastante raras e difíceis de encontrar até no país de origem.

    “As que deram trabalho para encontrar foram a de Mianmar, Burundi, Liechtenstein e das Ilhas Virgens Britânicas. E só em 2018, no ano em que trabalhei na Copa da Rússia ao lado de Diego Maradona como produtor dele em um programa de TV, consegui a camisa número 211 da coleção: a do Azerbaijão”, conta.

    Fora a coleção dos membros da Fifa, Pablo ainda possui cerca de 50 camisas de outras seleções curiosas, como as da Groenlândia, Chipre do Norte, apenas reconhecido pela Turquia, Curdistão, Lapônia e Catalunha.

    / Instagram

    Ele conta que comprou a maioria, mas que também gosta de trocar e muitas vezes, ganha como presente de amigos. “Todo mundo sabe do meu amor por camisas de futebol. Então, quando querem me dar um presente, sempre escolhem de alguma seleção.”

    Pablo está no Catar a trabalho, produzindo o programa Zurda Infinitiva, uma homenagem ao programa De Zurda (de canhota), que ele fez junto com Maradona tanto na Copa do Brasil quanto da Rússia.

    E, para o projeto da Telesur, pensou no nome de Juan Pablo Sorín por ser uma figura carismática no meio do futebol, além de ter sido o capitão da seleção argentina e conquistado o mundial juvenil, em 1995, coincidentemente em terras catarianas.

    ‘Caça’ nas folgas

    Nos momentos em que não está produzindo e atrás da cobertura da Argentina, que decide neste domingo o título com a França, o jornalista tenta fazer trocas com algumas camisas argentinas e de outros países latinos que participaram do torneio, e que trouxe na mala. Também circula por Doha atrás de mais itens para a coleção, que ganhou durante a Copa mais modelos do Senegal, Irã, Arábia Saudita e Catar.

    O fato de ter trazido algumas camisas curiosas da coleção também espantou alguns dos imigrantes que vivem no Catar, especialmente pelo fato de uma pessoa de longe conhecer e possuir uniformes de países que nunca estiveram em uma Copa, como o Sri Lanka e a Índia.

    “No hotel em que estou hospedado, há muitos trabalhadores do Sudeste Asiático e eles se alegram em ver suas cores e eu gosto do intercâmbio e desse clima de fraternidade entre os povos que o mundial proporciona.”

    Sobre a final de hoje, que pode fazer a camisa que Pablo mais ama das 211 ser tricampeã da Copa, ele diz que o título, em um momento de forte divisão política na Argentina pode ser um sinal de que a união é possível quando há um objetivo comum. “Seria a felicidade comum de todos os argentinos e o ápice de um processo futebolístico que respeitou as raízes de um estilo e a coroação da carreira do Messi.”