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    Ramon Dino sobre preparação para o Mr. Olympia: “Loucura e isolamento”

    Atleta conta que, na reta final, preferia ficar sozinho e que pressão externa o atrapalhava

    Beatriz Consolinda CNN

    No dia 4 de novembro, o brasileiro Ramon Dino foi 2º colocado do Mr. Olympia, principal torneio de fisiculturismo do mundo, na categoria Classic Physique, atrás apenas do canadense Chris Bumstead.

    O atleta de 28 anos de idade nascido no Acre é um dos principais nomes do fisiculturismo brasileiro e mundial. No ano passado, o top 2 do torneio, que existe desde 1965, havia sido o mesmo da atual edição.

    O apelido “Dinossauro do Acre”, como é chamado, surgiu de uma brincadeira com amigos bodybuilders da “Mansão Maromba”, projeto realizado pelo youtuber Toguro, em referência a piadas recebidas pelo estado pela fama de ter poucos habitantes.

    “O Toguro apelida todo mundo da casa, o apelido marca a pessoa. Dinossauro não existe mais, Acre ninguém sabe da existência, dizem que no Acre tem dinossauro, daí pegou, juntou e lançaram o apelido. Brincavam: ‘Esse menino não existe’ e tal”, contou o atleta à CNN.

    Preparação e pressão: “Loucura com a gente mesmo”

    A preparação para o campeonato começa meses antes da estreia e exige não só fisicamente do atleta, mas também mentalmente. Conforme o torneio vai se aproximando, ela se torna ainda mais intensa.

    Ramon Dino conta que as restrições alimentares, os treinos e a pressão para o torneio impactam bastante a mente.

    “Nessa fase de comer menos, meu humor muda muito. É uma coisa que me incomoda para caramba, porque estou aprendendo a lidar de novo, comecei a competir de novo, processo de readaptação, cada preparação é algo diferente. É uma pressão cada vez maior, porque estamos chegando cada vez mais perto do primeiro lugar. As pessoas esperam muito, ficam com uma expectativa muito além do esperado da gente mesmo. Isso acaba atrapalhando, porque a gente quer fazer o nosso ‘trampo’, quer que as pessoas fiquem satisfeitas”, explica. 

    O fisiculturista complementa que essa pressão acaba gerando uma “loucura” e isolamento: “Isso gera um pouco de loucura com a gente mesmo, a gente só quer ficar dentro do quarto, só quer se isolar. Minha mulher que sofre, às vezes quero ficar na minha, respondo alto, grosso, mas não sou eu, é a fase. Eu falo: ‘me deixa sozinho, quero ficar só’, coitada. Só quer ajudar”. 

    Suporte psicológico

    A preparação para o Mr. Olympia 2023 do atleta teve pela primeira vez psicólogo e psiquiatra na equipe de Ramon Dino, que conta que a ideia foi iniciativa da esposa, já que ainda havia um certo preconceito da parte dele.

    “Não é a preparação toda (período de estresse), mais na finalização, que é a parte mais puxada, a parte que vc tem que ficar isolado, concentrado em você mesmo querendo comer, treinar e descansar, que é o que tem que ser feito. Eu comecei a fazer (acompanhamento psicológico) nessa última preparação, nunca tinha feito e faz muita diferença. A gente nunca quer fazer, porque acha que é coisa para doido, mas na verdade, não, ajuda muito. Partiu da minha mulher, do pessoal do trabalho também. Muita gente ainda tem preconceito”, contou Ramon. 

    “Coisa de doido”

    A maior motivação de Ramon Dino está longe dos palcos. Nenhum grande nome do fisiculturismo mundial vem à mente do atleta quando o assunto é inspiração. O fisiculturista conta que “o que me motiva é a minha família, meus amigos, as pessoas que estão comigo acreditando nessa loucura, porque isso é coisa de doido”.  

    A rotina de treinos e dietas sempre esteve presente na vida de Ramon, que nunca pensou em desistir: “Como eu vim do Acre e vim de condições mínimas, meu negócio foi sempre isso, fazer esporte. Sempre fui um cara muito caseiro, não de ficar saindo, sempre fui muito família, agora também tenho meus filhos para dar atenção”. 

    Esposa e filhos

    “Não tem como não falar dos filhos (momento marcante da vida), eles trazem uma sensação única. Você começa a ser uma pessoa diferente, uma pessoa melhor, eles te mudam para melhor. E a minha esposa na minha vida, ela foi meu eixo, sempre me trouxe para o caminho, ela foi meu braço direito para tudo na minha vida. Ela é meu cérebro praticamente. Por trás das câmerasé tudo ela, tudo ela. Ela e o pessoal, mas é ela na minha vida inteira”, declarou.

    Pai do Ravi, de 2 anos, e da Clara, de 7 meses, Ramon Dino tem o desejo de que os filhos sigam no caminho do fisiculturismo: “Com certeza vou tentar influenciar, mas se não seguirem, ótimo, escolha deles, vou respeitar, mas quero com certeza que eles façam parte disso”.  


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