Luz nas artes plásticas: obras com luzes néon estão em alta

Presente nas ruas, museus, galerias e em coleções particulares, essas instalações dão suporte criativo e inovação às diversas formas de expressão

O artista plástico Alê Jordão na sua gaiola de neon
O artista plástico Alê Jordão na sua gaiola de neon Sergio_Rousselet/Divulgação

Thayana Nunesda CNN

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O néon invadiu as artes visuais. Obras feitas com o material estão nos museus, nas galerias de arte, em intervenções nas ruas e em coleções privadas de importantes colecionadores.

Na SP-Arte 2022, por exemplo, realizada no mês de abril, o artista paulistano Alê Jordão criou um microcosmo repleto de esculturas em néon, com símbolos e frases, que chamaram a atenção no espaço da galeria Choque Cultural, de São Paulo.

Também recentemente, o artista plástico e poeta carioca Cabelo participou da exposição “Ninguém teria acreditado: Alvim Corrêa e 10 artistas contemporâneos”, na Pinacoteca de São Paulo, com uma escultura que mostrava os seres fantásticos presentes em suas criações.

E foi também na Pina, que durante mais de um ano, OSGEMEOS deram cor à fachada do museu com um letreiro feito por eles para a megaexposição “Segredos”.

Cabelo

O gás néon – que quando injetado em vidro e ao receber eletricidade, se ilumina – foi descoberto ainda no século 19, mas se popularizou nos anos 1920, com os letreiros das grandes fábricas nos Estados Unidos.

Em pouco tempo estava em todos os lugares, nas fachadas de lojas, restaurantes e teatros – e é só pensar em Times Square ou Las Vegas para logo os letreiros coloridos virem à mente.

Segundo a idealizadora da revista DASartes, Liege Gonzalez Jung, o néon apareceu pela primeira vez nas artes nos anos 1960 e depois popularizou-se entre artistas de diferentes vertentes. O pioneiro é considerado o minimalista Dan Flavin, que começou usando a tinta néon em pinturas nas paredes, sem a estrutura de vidro e energia.

Obra da artista britânica Tracey Emin, “I Loved You More Than I Can Love”, 2009 / Reprodução/Artsy

Com o tempo, novas técnicas foram surgindo e, no início dos anos 1990, a britânica Tracey Emin usou pela primeira vez os letreiros iluminados para propagar mensagens. A artista feminista é conhecida por usar sua própria caligrafia para criar esculturas com pensamentos e desejos mais profundos.

“O néon como uma tinta para aplicar até chegar ao néon para passar uma mensagem foram muitos anos. Acredito que a arte é um termômetro do espírito de seu tempo, e o néon nada mais é de que uma forma de fazer a mensagem brilhar. É uma mensagem que precisa fazer refletir”, diz Liege.

Hoje, o americano nascido no Bronx, em Nova York, Glenn Ligon discute identidade cultural e os direitos civis em pinturas, fotografias e neons, como em “Double America 2”, uma das suas obras mais famosas.

“Double America 2”, do norte-americano Glenn Ligon / Divulgação

Por aqui, Regina Parra reflete sobre temas como política, hierarquias de poder e limites culturais e explora, além da pintura, fotografia e vídeo, instalações de néon.

A mais recente ficou em exposição no SESC Belenzinho, em São Paulo. “ai!ai” deu voz e luz à lamentos e gritos expressos por uma personagem feminina de Sófocles, da Grécia Antiga, período quando “qualquer expressão destemperada” era abolida.

Regina Parra

“O néon tem sido muito usado nos últimos anos como um suporte de inovação”, diz Alê Jordão, como “um braço do artista que já trabalha com grafite, com fotografia e vídeo”.

“O brilho e a estética seduz”, completa ele, que irá expor, neste sábado (14), durante o evento Gueri Gueri, em São Paulo, a instalação REVER, obra inspirada em um poema concretista de Augusto de Campos.

Ele promete uma experiência que mexe com todos os sentidos, o mesmo que busca o avaf (assume vivid astro focus), projeto fundado em 2001 pelo brasileiro Eli Sudbrack. Obras ultracoloridas são a marca registrada desse coletivo de arte, que explora diferentes plataformas, entre elas, o jogo de luzes que só o néon pode proporcionar.

Avaf Eli Sudbrack

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