A importância de políticas de estado em benefício do país

O Brasil carrega uma contradição histórica: acumula proporções continentais, recursos naturais abundantes e um mercado interno pujante, mas esbarra cronicamente em barreiras estruturais que impedem o país de alcançar um ciclo contínuo de desenvolvimento sustentável. Superar esse paradoxo exige coragem para olhar além do horizonte eleitoral e compreender que políticas de Estado consistentes são o único caminho para transformar nosso enorme potencial de mercado em riqueza real, empregos qualificados e bem-estar social para todos os brasileiros.
Ao longo das últimas décadas, a economia nacional tem oscilado ao sabor de medidas conjunturais e de curto prazo. Essa alternância de rumos afeta diretamente a previsibilidade — elemento vital para qualquer decisão empresarial de médio e longo prazo. Quando o investidor nacional ou estrangeiro se depara com a instabilidade de regras, a complexidade tributária asfixiante e o elevado custo de capital, o freio de mão é puxado. O resultado é o encolhimento de margens operacionais, o adiamento de projetos em inovação e, no limite, a perda de densidade industrial.
A indústria de máquinas e equipamentos — que representa a base tecnológica de toda a cadeia produtiva — sente na pele os efeitos colaterais desse cenário. O chamado "Custo Brasil", como temos apregoado ao longo dos anos, penaliza a produção local, encarece o investimento em ativo fixo e expõe nossa indústria a uma concorrência internacional desleal, em que nações concorrentes protegem e financiam agressivamente seus parques industriais.
Desindustrializar o Brasil significa abrir mão da soberania, da capacidade de inovação e, sobretudo, da geração de empregos de alta remuneração. O trabalho qualificado nasce no chão de fábrica moderno, na engenharia de ponta, na automação inteligente e na pesquisa científica aplicada. Sem uma indústria forte e amparada por uma política industrial de Estado moderna, o país corre o risco de se contentar com uma economia baseada puramente na exportação de commodities primárias, vulnerável a choques externos e incapaz de absorver a totalidade da sua força de trabalho com dignidade.
É urgente, portanto, que a transição para o ciclo de governo 2027–2030 marque uma virada de chave no planejamento nacional. O Brasil tem dificuldade de sustentar ciclos prolongados de expansão porque convive, simultaneamente, com desequilíbrios macroeconômicos, custo elevado do capital, baixa formação de mão de obra, infraestrutura insuficiente, insegurança regulatória, custos sistêmicos elevados e lacunas de qualificação. Necessitamos de uma agenda permanente para crescimento, produtividade, investimento e renda.
O futuro não se improvisa; constrói-se com planejamento, estratégia e união de esforços entre o setor público e privado. Quando a indústria cresce com bases sólidas, o país se desenvolve por inteiro. Afinal, políticas de Estado permanentes e focadas na produtividade não atendem a setores isolados, mas cumprem o papel histórico de blindar o destino da nação contra crises cíclicas, assegurando estabilidade econômica, soberania tecnológica e um patamar duradouro de progresso e justiça social para as próximas gerações.
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