
Em um cenário internacional marcado por desaceleração e elevada incerteza, as principais economias seguem trajetórias desiguais. A China perde fôlego, pressionada por baixa produtividade, alto endividamento e crise persistente no setor imobiliário. A Europa cresce pouco, o Japão enfrenta limitações estruturais, e o ambiente global se deteriora com o avanço do protecionismo e das tensões geopolíticas, que desorganizam cadeias produtivas e ampliam a volatilidade. O resultado é um mundo mais seletivo, no qual o capital busca, antes de tudo, segurança e previsibilidade.
O Brasil já demonstrou, em momentos específicos, capacidade de atrair volumes relevantes de investimento estrangeiro, mas essa posição não se sustentou ao longo do tempo. Desde 2012, a participação brasileira no fluxo global de investimento direto perdeu dinamismo, refletindo fragilidades domésticas.
O principal determinante desses fluxos é a qualidade do ambiente econômico. Investidores avaliam estabilidade de preços, previsibilidade cambial, custo de capital e solvência fiscal. Pontos onde residem as principais vulnerabilidade brasileiras. A fragilidade das contas públicas, por exemplo, associada a uma estrutura de gastos rígida, compromete a confiança.
O país convive com um orçamento cada vez mais engessado, no qual despesas obrigatórias consomem a maior parte dos recursos. Hoje, mais de 90% das receitas primárias estão comprometidas com gastos correntes, restando uma margem mínima para atuação em fatores com levado multiplicador de renda. Essa compressão deteriora a infraestrutura, limita ganhos de produtividade e reduz a atratividade do país para o capital estrangeiro.
O contraste com o cenário internacional é evidente. Em meio a conflitos, choques energéticos e tensões comerciais, o capital global tem migrado para economias que oferecem estabilidade institucional, previsibilidade macroeconômica e segurança jurídica. Trata-se de um movimento defensivo, mas também estratégico, de reorganização produtiva.
O Brasil reúne atributos relevantes para capturar parte crescente desse fluxo, especialmente no contexto da transição energética. Mas a atração sustentável de investimento externo exige confiança, que depende de fundamentos macroeconômicos sólidos.
É necessário, portanto, restaurar a credibilidade fiscal e reordenar o perfil do gasto público. Isso implica gerar superávits primários consistentes e conter o avanço das despesas obrigatórias. Em paralelo, é fundamental avançar na qualidade institucional, com maior eficiência regulatória, segurança jurídica e capacidade de execução de projetos estruturantes, sobretudo em infraestrutura e energia — áreas diretamente associadas à decisão de investimento.
O cenário internacional, hoje, cria uma oportunidade rara. A aversão ao risco e a busca por estabilidade favorecem economias capazes de oferecer previsibilidade. E o Brasil pode ser uma delas, se enfrentar suas fragilidades internas, transformando essa janela de oportunidade em crescimento econômico.
A janela de oportunidade está aberta. Será que o Brasil vai atravessar?
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