As opções terapêuticas contemporâneas para o tratamento da obesidade

A obesidade é uma doença crônica e complexa associada ao acúmulo de gordura corporal. Ela não é apenas um fator de risco para doenças como o diabetes tipo 2, mas tem consequências diretas, como hipoventilação pulmonar, apneia do sono, osteoartroses, comprometimento de mobilidade e baixa qualidade de vida.
Muitos acreditam que a obesidade é determinada apenas pela maior quantidade de comida ingerida e pela falta de exercícios. Mas a realidade é que é uma doença de causas multifatoriais, sendo a genética fundamental, com modificações fisiológicas que levam a ela. Além disso, gatilhos estão associados à saúde emocional, a falta de sono e a alguns medicamentos chamados de “obesogenicos”. Pesquisas já comprovaram que pessoas comem mais por consequência. Essa não é a causa da obesidade. Mudanças dietéticas e de estilo de vida são passos importantes, mas têm perda de peso pequena e limitada e na maioria dos casos devem ser adjuvantes a outras formas de tratamento.
Atualmente, existem os balões gástricos colocados por endoscopia e os “deglutíveis”. Ambos têm como princípio a restrição alimentar por ocupar espaço dentro do estomago. A perda de peso é de 5 a 10% do peso total. São retirados ou eliminados espontaneamente (deglutível) entre 6 e 12 meses. Não têm mecanismos de ação fisiológicos.
Há também no mercado novos agentes farmacológicos como a semaglutida, análogo de um hormônio intestinal responsável pela regulação da fome e da saciedade. Tem ações fisiológicas com perda de peso significativa e controle do diabetes tipo 2. A média de perda dos pacientes foi de 15% do peso total em 68 semanas. Cerca de 34% dos participantes perderam mais de 20% do peso total. Outra droga, a tirzepatida, já disponível nos EUA, alcançou mais de 20% do peso total em 60% dos indivíduos em 72 semanas. São fármacos seguros, mas ainda sem estudos de longo prazo.
A cirurgia bariátrica é a opção mais eficaz para tratar a obesidade e suas doenças associadas. As duas operações mais realizadas no Brasil e mundo são a gastroplastia em Y de Roux e a gastrectomia vertical. Ambas têm mecanismos de ação fisiológicos que promovem a perda de peso e controle das doenças associadas Estudos com mais de 20 anos de seguimento mostram perda sustentada de 26% do peso total após a gastroplastia em Y de Roux. A gastrectomia vertical não tem tanto tempo de seguimento, mas promove perda de peso por volta de 20% em 10 anos. A gastroplastia em Y de Roux é mais eficaz no controle do diabetes tipo 2 pela maior perda de peso a longo prazo e ação antidiabética direta da cirurgia.
Sempre associados a mudanças de dieta e estilo de vida, os novos medicamentos, mesmo sem estudos a longo prazo, são alternativas para o tratamento da obesidade. Porém, dependem da aderência do paciente ao tratamento, ausência de efeitos colaterais. Haverá aqueles que não responderão adequadamente ao tratamento. Pacientes com IMCs entre 30 e 35 kg/m2 (normal até 25 kg/m2) eventualmente podem utilizar o balão gástrico.
A cirurgia está indicada naqueles com diabetes sem controle com o melhor tratamento clínico e IMC a partir de 30 kg/m2 ou com IMC acima de 40 kg/m2 (maior chance de não respondedores à farmacoterapia) e naqueles com resposta sub ótima ao tratamento clínico em qualquer IMC.
Temos hoje boas alternativas para o tratamento da obesidade. Há poucas dúvidas que a melhor estratégia para essa doença crônica e progressiva, quando necessário, é a combinação dos agentes antiobesidade e a cirurgia bariátrica para o melhor desfecho para os pacientes.
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