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Márcio Maciel

Márcio MacielPresidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv)

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Consumo moderado: tradição, inovação e responsabilidade no copo

Crescimento exponencial da cerveja zero é um dos símbolos das transformações em curso

Copo de cerveja
cerveja  • Pixabay
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Durante muito tempo, falar sobre consumo de álcool no Brasil era sinônimo de preocupação. O tema, geralmente associado a excessos, vem ganhando um novo tom e os dados mais recentes mostram que há motivos concretos para otimismo. Uma combinação de fatores sociais, culturais e de comportamento está transformando a relação dos brasileiros com a bebida. Os indicadores de política pública confirmam: o país avança de forma consistente, com mais consciência, mais informação e melhores indicadores de saúde pública.

De acordo com o estudo “Panorama 2025: Álcool e a Saúde dos Brasileiros”, divulgado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), pela primeira vez na última década tivemos queda do consumo abusivo de bebidas alcoólicas de 17% para 15%, tendência de queda puxada especialmente por jovens, com redução de 23% em 2023 para 13% na faixa etária de 18 a 24 anos e de 21% para 16% no mesmo período entre jovens de 24 a 34 anos.

Desde 2010, quando a OMS publicou a estratégia global para redução dos danos relacionados ao álcool, o Brasil tem seguido um caminho de avanços graduais. E isso importa — porque mudança de comportamento exige tempo, continuidade e política pública bem estruturada.

Os hábitos de consumo dos brasileiros mostram esse movimento. O padrão majoritário é moderado, social e associado a celebrações. Paralelamente, cresce a busca por escolhas mais conscientes, reflexo de uma sociedade mais informada e de um debate público mais qualificado. As opções de bebidas de baixo teor alcoólico e cervejas sem álcool, por exemplo, se multiplicaram nos últimos anos com crescimento de 500%, estimulando práticas mais equilibradas e alinhadas com um estilo de vida moderno.

A indústria acompanha — e impulsiona — essa transformação. Ao investir em inovação, educação e diálogo permanente com a sociedade e o poder público, o setor demonstra que faz parte da solução. Campanhas de esclarecimento, ampliação do portfólio com produtos mais leves e iniciativas voltadas para prevenção estão contribuindo para um ambiente de consumo mais seguro e mais maduro.

Esse compromisso não é novo, nem oportunista. Ele decorre da própria lógica do setor: não há futuro sustentável para a cadeia da cerveja em um cenário de uso nocivo. Promover equilíbrio, informação e responsabilidade é condição essencial para um mercado saudável e para relações de consumo pautadas pela liberdade de escolha — sempre lembrando que beber é uma decisão pessoal e que, caso se opte por consumir, recomenda-se fazê-lo com calma, intercalando água, alimentando-se bem e privilegiando bebidas de menor teor alcoólico.

A cultura brasileira reconhece esse lugar da cerveja como símbolo de convivência e celebração. Segundo o Instituto Locomotiva, 85% dos brasileiros afirmam que compartilhar uma cerveja com amigos faz parte de quem somos, enquanto 88% a associam aos momentos de descontração. Uma bebida que já nasce da moderação e que pode, sim, integrar um estilo de vida equilibrado.

O fato é que o Brasil está construindo uma política pública mais eficiente, com resultados mensuráveis e uma sociedade cada vez mais consciente. Ainda há desafios — é evidente —, mas o avanço é significativo. E ele só se fortalece quando Estado, sociedade civil, academia e indústria trabalham em conjunto.

Se a próxima geração crescer entendendo que equilíbrio, prazer e responsabilidade caminham juntos, teremos dado um passo enorme em direção a um Brasil mais saudável, mais moderno e com políticas públicas cada vez mais efetivas.

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